Vaga por vagas: trocando um carro por 12 bicicletas

Raul Bueno
20.09.2011

Vaga ao longo do passeio: 6 x 2,1m. Um carro ou 12 bicicletas. Ilustrações: Raul Bueno

Automóveis nas cidades têm dois grandes problemas: o primeiro é a poluição que causam. Este talvez possa ser sanado por carros 100% elétricos como o Nissan Leaf ou o Tesla. O outro problema pode ser respondido por qual qualquer iniciado em urbanismo: carros ocupam espaço nas ruas e construções.

Inspirado pelo PARK(ing) Day, na última sexta-feira, 16 de setembro, segue uma sugestão para facilitar a vida de quem anda de bicicleta e reduzir um pouco a prevalência do carro no uso do espaço público. Afinal, bicicletas e automóveis competem por vagas. No entanto, no espaço de uma vaga de automóvel — de 6 metros de comprimento por 2,1 metros de largura — cabem 12 magrelas.

No Rio de Janeiro é proibido prender bicicletas ao mobiliário urbano (veja o vídeo no final). Então o que fazer?

Este urbanista (e ciclista) que vos escreve acha que seria revolucionário demais, pelo menos no momento, substituir de cara as preciosas vagas dos motoristas por bicicletários. Então, pensei em um projeto de vaga com uso flexível: pode ser usada por um automóvel ou, como alternativa, por 6 bicicletas e 4 lambretas. Siga as ilustrações para entender o projeto.

Me parece uma boa idéia. Alguma autoridade responsável pelo pelo trânsito se habilita?

 

Apoiado deste modo sobre o passeio, o bicicletário não atrapalha o fluxo de pedestres e não impede a vaga de ser usada por um automóvel, caso não esteja ocupada por bicicletas.

 

Quando não há carro, ½ dúzia de bicicletas e quatro lambretas.

Quando um carro ocupa a vaga, os bicicletários não impedem que as suas portas abram. Nada como convivência pacífica.

Leia também:

Deixe seu carro em casa! Programação nacional para o DMSC 2011

Vídeo: Rio de Janeiro: PARK(ing) Day 2011, debate e festa

 

 Raul Bueno mora no Rio de janeiro e é um ciclista inveterado. Além disso é Arquiteto Urbanista, trabalha na Defournier & Associados e leciona no Bennett e na FAU-UFRJ.

 

Veja aqui o vídeo polícia tentando apreender um bicicleta no RJ, durante um choque de ordem



Tags: ,

15 respostas para “Vaga por vagas: trocando um carro por 12 bicicletas”

  1. Moni "Sangue Verde" disse:

    Legal a idéia! Pena é que já posso adiantar que em 99% do tempo haveria um carro ali pra barrar os ciclistas de usar as vagas… Certo e líquido… Eles tem a primazia ideológica, além de número.

  2. Mariza Binato disse:

    A idéia é ótima e boas idéias são bem vindas e merecem ser divulgadas. E claro, implantadas. Imaginar uma cidade como o Rio de Janeiro em que os meios de locomoção possam ser divididos entre veículos híbridos, bicicletas e ônibus elétricos ou a diesel, diminuindo a poluição do ar e sonora!!! Menos carros circulando nas ruas!!!!!!!!!!!!!
    Sonhando!!! Há um livro de autoria da Comissão Europeia – DG do Ambiente: "Cidades para Bicicletas, Cidades de Futuros", que faz uma verdadeira apologia sobre a adoção da bicicleta como meio de transporte nas grandes cidades européias. É excelente leitura como informação e lazer, tem a versão em português (de Portugal). Quem quiser acessar a página, o link é: http://ec.europa.eu/environment/archives/cycling/
    Quem sabe, um dia, em um futuro próximo, talvez, nossos governantes copiem a idéia? rsrsrsrs.

    • raulbueno disse:

      Cara Mariza, acabo de folhear digitalmente o livro. Excelente dica! Traz dados e bibliografia muito interessantes. O que me chamou atenção foi a data da publicação: © Comunidades Europeias, 2000. Ou seja, o livro já têm 11 anos!

  3. Mariza Binato disse:

    OI, Raul, sim, o livro foi publicado há onze anos, mas o tema continua atua; agora então, mais do que nunca, "né"?
    Que bom que gostou!
    Cordialmente.

  4. Raul Ravanelli Neto disse:

    Raul. E é pra toda cidade essa idéia? Ou é só pro bairro de elite onde você mora?

    • Oi Ravanelli, não entendi. O que o faz pensar que o autor mora em um bairro de elite? A referência aos carros elétricos? Acho que a gente deve pensar olhando toda a tecnologia disponível. O Brasil dificulta as importações e encarece o acesso dos brasileiros a tecnologias novas. Isso nos faz artificialmente mais pobres do que já somos.

      Nesse caso, específico, o que há de elitista na proposta do Raul? Não é cara nem difícil de implementar.

      • pr.pr disse:

        Talvez ele tenha tentado dizer (de um modo deveras brusco) que o uso de bicicleta como meio de transporte regular só seja possível em bairros com melhor infraestrutura viária, por pequenas distâncias. E, devido a isso, não seja possível a substituição do carro e dos ônibus/metrô por "magrelas" nas grandes cidades brasileiras. Como eu digo mais abaixo, S. Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, são bem diferentes de Amsterdan ou Londres. Essa solução (locomover-se por bicicletas) é viável para, no máximo, 5 ou 10% da população das grandes cidades brasileiras. Infelizmente.

    • raulbueno disse:

      Caro Ravanelli,

      A idéia pode ser aplicada em qualquer local, de baixa ou alta renda, com vagas ao longo do passeio. Para vagas em 45 graus ou em 90 graus, temos outras sugestões. Acompanhe o blog que as publicaremos!

  5. adrianasansao disse:

    Ótimo Raul!
    Acho que uma imposiçãozinha de 1 vaga por quadra nem cairia tão mal…

  6. PR.PR disse:

    Eu não queria polemizar MAS…
    Não acho possível que em cidades como S. Paulo ou Rio de Janeiro a bicicleta venha a ser um meio de transporte viável. Para isso acontecer, SP, por exemplo, deveria ser demolida e reconstruída. SP não é Amsterdan, plana como uma pizza. E as distâncias são enormes. Imagine um executivo de 65 anos indo trabalhar de terno da Zona Norte até Pinheiros ou Moema. Imagine como ele chegaria no trabalho. A bicicleta, para a grande maioria dos paulistanos, é um instrumento de lazer só usado no fim-de-semana. E não é porque os paulistanos sejam antiecológicos. É porque não dá mesmo pra trafegar de bicicleta pelas ruas dessa cidade cobrindo grandes distâncias. Não existem nem espaços para a construção de ciclovias. Desculpem mas temos de nos render à realidade.

    • Olá PR.pr, obrigado pelos comentários. A bicicleta não serve para todos ou todo o lugar, mas pode ganhar mais espaço. Temos que caminhar para o multimodal. Abraços

    • raulbueno disse:

      é como o Eduardo mencionou abaixo. Na baixada fluminense e mesmo na Favela da Maré a bicicleta é usada para chegar a uma estação de trem, ou a um ponto de ônibus. E boa parte das nossas cidades, como o Rio de Janeiro, são planas. O maior obstáculo, na minha opinião, é a "domesticação" do trânsito, além do espaço excessivo que os carros ocupam na caixa de rolamento.

      Gosto da imagem neste link: http://www.geo.sunysb.edu/bicycle-muenster/traffi

      72 bicicletas em 90m2
      60 carros para 72 pessoas (1,2 pessoas carro), em 1.000m2
      72 pessoas em 1 ônibus, em 30m2

      I

  7. pr.pr disse:

    Eu quis dizer MULTIMODAL.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.