Um porto mais verde e articulado para o Rio

Fabíola Ortiz
14.03.2011

Ilustração do pier Mauá, parte do projeto de revitalização do porto, fonte: divulgação

O projeto Porto Maravilha faz parte da iniciativa de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro, seguindo a tendência de outras cidades no mundo que também repensaram essas áreas, como o caso de Porto Madero, em Buenos Aires, e do Porto de Barcelona. Além de fazer com que a região volte a ser atraente para moradia e negócios, o desafio do projeto será introduzir elementos de sustentabilidade. Com uma previsão de investimentos públicos e privados somando R$ 7,6 bilhões, promete mudar a paisagem degradada da região até as Olimpíadas de 2016. As reformas incluem a construção de 17 quilômetros de ciclovias e a demolição de parte do Elevado da Perimetral, que liga o bairro do Caju à região da Praça XV, no centro.

“A operação urbana Porto Maravilha reconhece que há uma vasta área de um milhão de metros quadrados subutilizada, e prevê o seu adensamento conciliando preservação com modernização”, explica Alberto Gomes Silva, assessor especial da presidência da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP), criada pela Prefeitura para coordenar a implantação do projeto.

“Vai haver uma valorização do transporte coletivo com implantação dos BRTs (Bus Rapid Transit, na sigla em inglês), mas a quantidade de ônibus também vai diminuir por que haverá um sistema de bonde elétrico, o veículo leve sobre trilhos, que vai interligar o tráfego dentro da região portuária”, detalha. Para completar, o transporte pesado de carga será banido da região. O resultado deve ser a queda dos níveis de poluição sonora e do ar.

 

Vista panorâmica do projeto, fonte: divulgação

O projeto de revitalização também envolve os bairros vizinhos da Saúde, Santo Cristo e Gamboa. No início do século XX, eles faziam parte do coração da cidade, mas, hoje, estão decadentes. Na área, vivem 25 mil moradores, segundo o IBGE. Com a revitalização, em um prazo de 10 anos, a expectativa é atrair outros 100 mil. “A tendência é adensar, ter mais gente morando e trabalhando na região. E que lá vivam pessoas de todas as camadas sociais. Não só de habitação de interesse social, mas que haja empreendimentos para classe média e alta. A gente quer justamente evitar o que ocorreu na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio), que, com condomínios de alta renda, virou um arquipélago de segregação”, argumenta Silva.

A área receberá arborização e paisagismo. Atualmente, a região do porto tem algo em torno de 2,5% de área verde. Essa porcentagem vai saltar para 10,5% com o plantio de 15 mil árvores. O que se quer é evitar o que ocorreu na Av Rio Branco, importante via de escoamento do centro: um paredão de prédios sem iluminação ou ventilação natural. Os edifícios serão altos mas espaçados. Eles poderão ter de 10 a 30 andares na Praça Mauá e até 50 andares na Avenida Francisco Bicalho, desde que cumpram a legislação de pelos menos 30 metros de afastamento. A justificativa para as torres altíssimas é esse ganho de espaço entre elas. As quadras serão menores e nos espaços abertos haverá jardins, pequenas praças e locais de convivência. Espera-se que ocorra uma mistura de uso residencial e comercial. As próprias edificações terão que incorporar elementos sustentáveis. “É lei que os edifícios deverão usar material certificado, tecnologia de baixo consumo de energia e fazer reutilização de água de chuva e daquela usada no próprio edifício. Pretendemos criar um regulamento para certificação de edifícios sustentáveis no Rio. Nós vamos amadurecer isso ao longo desse ano”, diz Silva.

O período de obras e de reforma completa do porto tem prazo, os Jogos Olímpicos de 2016, mas a população já começará a viver as mudanças no final de 2015. Se tudo der certo começará um círculo virtuoso na região; a partir de melhor infraestrutura, do aumento da população e da atividade econômica. Tudo isso, embalado por mais verde e diretrizes sustentáveis de urbanização.

 

Abaixo, explore o mapa (aproximado) da região portuária do Rio de Janeiro e veja coleção de fotos aqui.


Visualizar Região Portuária Rio de Janeiro em um mapa maior

 



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3 respostas para “Um porto mais verde e articulado para o Rio”

  1. Fernando disse:

    É um belíssimo projeto mas como tantos outros, não se leva em consideração a população local, sua educação e modos de viver.
    A área é cercada de comunidades altamente carentes, que tem ainda necessidades básicas a serem sanadas. Pode ser que vire um arquipélago de segregação ao contrário. Não seria melhor gastar-se recursos em projetos de inclusão social, educacionais e de geração de renda paralelos ao projeto? Não é preciso ser vidente para ver que em muito pouco tempo toda a obra estará degradada pelos moradores do entorno. A não ser que exista um outro projeto para expulsão dessas comunidades para outro local.
    É por causa da ausência dessas discussões que se levantam hipóteses de que as obras para os eventos vindouros, são apenas para maquiar o Rio de Janeiro.
    Uma cidade maravilhosa, com uma população ainda carente de necessidades básicas.

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