Time do MIT usa vírus para cultivar baterias

Eduardo Pegurier
03.05.2011

Abalone vermelha colhida na Califórnia, foto: Roger

Conchas marítimas são feitas de materiais especiais, conta Angela Belcher, que chefia o grupo do MIT (Massachusetts Institute of Technology) especializado em materiais biomoleculares. A composição de uma concha abalone, como a da foto acima, é feita de 98% de carbonato de cálcio e 2% de proteína. Sua resistência é assombrosa, 3 mil vezes maior do que a sua contrapartida geológica — a substância encontrada na natureza, por exemplo, em rochas calcárias. A razão é que, apesar de ser um objeto grande, é composta de nanoestruturas que lhe conferem super poderes.

A natureza não aprendeu a fazer materiais maravilhosos como esse da noite para o dia. A vida na terra surgiu há mais ou menos 1 bilhão de anos, conta Belcher. Passaram-se outros 500 milhões de anos para que os primeiros organismos se tornassem capazes de produzir materiais rígidos, o que os permitiu evoluir dos aglomerados de células e formas moles para seres mais complexos. Nos 50 milhões de anos seguintes, os seres vivos passaram de aprendizes a exímios criadores de materiais diferenciados, como mostra o exemplo das conchas. E a proeza é realizada sem impacto ambiental nocivo.

“Não é fácil convencer um estudante de pós-graduação a se engajar em um projeto com duração de 50 milhões de ano”, brinca Belcher. O desafio do time que dirige é “convencer” organismos vivos a trabalharem com novas substâncias. Mais especificamente induzir vírus a se tornarem usinas de materiais, em seguida usados como baterias e células de energia solar. Quem sabe a gente ainda acaba pegando uma gripe do laptop.

Brincadeira à parte, se essa linha de pesquisa for bem-sucedida poderemos estar diante de fábricas biológicas que empregam microrganismos para produzir, em série e sem poluição, maravilhas para o ser humano. Para mais detalhes, veja o bem-humorado vídeo da palestra (em inglês com legendas).


 



Tags:

Uma resposta para “Time do MIT usa vírus para cultivar baterias”

  1. Meggy disse:

    Resta saber se o Brasil terá autoridade suficiente para fiscalização da nova Lei. pq lei nós temos o que não temos mesmo é senso e profissionais competentes e éticos para exercer suas funções. vamos esperar !!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.