Urucureá: escola ribeirinha sustentável

Eduardo Pegurier
09.11.2010

 

fotos: Eduardo Pegurier

As fotos desse post mostram a escola de ensino fundamental Dom Pedro I, na comunidade Urucureá, localizada à margem do Arapiuns, um afluente do rio Tapajós. Esse vilarejo ribeirinho fica bem próximo da cidade de Santarém, Pará, e tem cerca de 250 habitantes. Estive lá conhecendo o trabalho de suas artesãs e o projeto de ecoturismo da Saúde & Alegria. Foi uma experiência e tanto. Um dos pontos marcantes foi essa escola. As conversas com Raul Bueno e Adriana Sansão, arquitetos que costumam escrever para ((o))ecocidades, me ensinaram as lições básicas de construção sustentável. Quando vi esse prédio, me senti também diante de uma aula.

O clima local é quente e úmido. Não faz frio na região de Santarém, me contam os locais. Lá, como no resto da Amazônia, existem de fato duas estações, cada uma com seis meses. Na primeira, eufemisticamente chamada de inverno, chove muito e os rios sobem, mas o termômetro não cai abaixo de 25 graus. A segunda é seca e mais que justamente chamada de verão, com temperaturas em torno dos 35 graus. A umidade do ar é sempre alta e, quando o sol bate, o negócio é literalmente sair de baixo. O calor é constante, tão presente que parece ser possível nadar através dele.

Vejam, então, que construção simples e elegante. Os telhados são largos para prover o máximo de sombra, o teto é alto para permitir que o calor suba e todas, todas mesmo, as paredes são feitas com um tijolo que oferece 6 grandes orifícios. Elas têm cerca de 2 metros de altura e tomam uma parte do pé direito, que deve passar fácil de 3 metros. Daí para cima, as laterais são abertas, protegidas apenas por uma grade, para impedir entradas indesejadas. O ar está sempre permeando e transpassando as salas de aula, e a luz entra livre por cima ao mesmo tempo que, quebrada, chega através dos vazados na parede. Essa escola não precisa de luz elétrica para funcionar. Nem podia, porque lá só com gerador esse luxo é possível.

De qualquer ângulo que se olhe o conjunto ele parece leve, mas sólido e altivo. Convida a entrar e a… aprender.

Ao contrário dos bem vedados espigões de concreto que construímos normalmente, não briga com o seu ambiente, joga com ele. Os materiais são baratos. Deve ter custado pouco. Mostra que quando o orçamento é pequeno os neurônios funcionam bem.



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