Adeus lâmpadas incandescentes

Luana Caires
06.01.2011

Ela vai virar peça de museu, foto: Ulrik.S.C

Os dias das lâmpadas incandescentes estão contados. Banidas na Austrália e na União Européia, em 2009, e em países como Venezuela, Argentina e Cuba, elas já estão sendo substituídas em cerca de 40 países, segundos dados do Programa Ambiental da ONU. De acordo com um estudo da organização, a adoção de modelos mais eficientes — como o fluorescente — pode reduzir em 2% a demanda por eletricidade para a iluminação.

No início deste mês, a Ikea, rede multinacional de lojas de mobílias e utilidades domésticas, foi a primeira a interromper a venda de lâmpadas incandescentes nos Estados Unidos. Segundo a legislação do país, a comercialização desses equipamentos será abolida em 2012. Uma pesquisa realizada pela própria Ikea revelou que 61% dos americanos não sabiam da existência dessa lei, no entanto, 81% deles concordam que a utilização de uma iluminação mais econômica é uma boa prática para o meio ambiente.

No Brasil, embora ainda populares, o consumo de lâmpadas incandescentes está caindo mesmo sem programa específico de incentivo.  Desde 2001, quando a falta de chuvas provocou um racionamento de energia nacional, houve um aumento do uso de modelos fluorescentes, cujas vendas, desde então, crescem 20% ao ano. Hoje, o país importa cerca de 80 milhões de lâmpadas fluorescentes, das quais mais de 70% vêm da China. Diante dessa competição, três das quatro fábricas de incandescentes que operavam no país fecharam as suas portas.

As incandescentes também devem ser proibidas no Brasil. Há uma proposta de portaria, em consulta, para que a mudança passe a vigorar  em 2012. Segundo a ONU, a adoção de lâmpadas mais eficientes no Brasil promoveria uma economia de US$ 2 bilhões por ano.



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Gráfico: o surgimento da palavra “ambientalismo”

Eduardo Pegurier
19.12.2010

Baseado no seu site de livros, a Google acaba de lançar o  Ngram Viewer, uma ferramenta tão interessante quando divertida. O que ela faz é gerar gráficos que medem a frequência com que uma palavra ou expressão foi usada nos 15 milhões de livros que a empresa já escaneou.  Os resultados não provam nada, mas indicam a popularidade da palavra pesquisada, a começar de 1800. As buscas podem ser feitas em inglês, espanhol, russo, alemão, francês e chinês.

Eis algumas experiências pesquisadas em inglês:

O primeiro gráfico mostra o resultado para Engarrafamento (Traffic Jam).  Repare que a expressão só começa a ser usada em torno de 1920 e, de lá para cá, explode na literatura. Interpretação: enquanto a velocidade dos meios aumenta nossa locomoção é cada vez mais lenta. Apesar de reclamarmos muito, não avançamos em minorar o problema e gastamos uma parte cada vez maior da nossa vida… no trânsito.

Nos livros, parece que estamos cada vez mais preocupados com os engarrafamentos de trânsito

 

Abaixo, o resultado para Aquecimento Global (Global Warming). A popularidade do seu uso explode em meados da década de 80. Em compensação, Efeito Estufa, como expressão, não pegou.

Aquecimento Global ganhou de Efeito Estufa

 

Finalmente, a palavra Ambientalismo (Environmentalism) cresce a partir da década de 70 e dispara nos anos 90, puxando junto Desenvolvimento Sustentável (Sustainable Growth). Entretanto, várias expressões ligadas a Ecocidades, Cidades Verdes ou Cidade Sustentável (Ecocity, Green City, Sustainable City) ainda são bem pouco usadas. É por essa razão que ((o))ecocidades foi criado: ainda não ligamos ambientalismo ao local — cidades — onde vivem 84,4% dos brasileiros e também a maior parte da população do planeta.

Ambientalismo ainda não parece ser associado a cidades

 

Dica do Ngram Viewer: o ótimo e seleto Urban Demographics

 



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Pot in pot: refrigeração sem eletricidade

Eduardo Pegurier
23.11.2010

Verduras fresquinhas com o sistema Pot in pot - foto: Hoyasmeg

Mohammed Bah Abba, um professor nigeriano advindo de uma família dedicada à cerâmica, bolou o Pot in pot (vaso dentro do vaso), um refrigerador natural que usa apenas argila, areia e água para obter resultados semelhantes ao de uma geladeira moderna. O sistema além de barato é facílimo de construir.

Como diz o nome, os dois elementos principais do Pot in pot são dois grandes vasos de argila de tamanhos diferentes. Um deve caber dentro outro e ainda permitir que uma camada de areia se interponha entre os dois. Feito isso (veja o vídeo explicativo abaixo), é só molhar periodicamente a areia – em média duas vezes por dia. A evaporação da água rouba calor do vaso de dentro, onde frutas e verduras armazenadas se conservarão fresquinhas.

Um sistema típico pode custar apenas 2 dólares (preços locais) e conter até 12 kg de vegetais. Dentro dele, tomates e goiabas duram 20 dias contra 2 dias se deixados sem refrigeração. O ganho depende de cada verdura, mas é sempre um múltiplo do normal. Só existe um pré-requisito: o clima pode ser quente, mas deve ser seco para facilitar a evaporação. Sobre a utilização do método no Sudão, conta o site Science in Africa (Ciência na África):

No calor de Darfur, Hawa costumava perder metade da colheita que tentava vender diariamente no mercado de Al Fashir, a capital de Darfur do Norte, pois lhe faltava armazenamento adequado – não há eletricidade ou geladeiras – na sua pequena cantina (…). Mas agora ela vende produtos mais frescos e aumentou seus lucros. Desde que começou usar o sistema Pot in pot.

A ideia já tem alguns anos e rendeu a Mohammed Bah Abba os 75 mil dólares do prêmio Rolex de empreendedorismo 2000. Foi também considerada uma das invenções do ano pela revista Time em 2001. O invento mudou a vida de famílias pobres da África rural, mas pode ser usado por qualquer um que queira poupar um pouco de energia aproveitando as forças mais básicas da natureza.

 

 



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Philips desenvolve luz OLED para tomadas comuns

Eduardo Pegurier
10.09.2010

foto de divulgação

A Philips acaba de dar mais um passo para que as luzes OLED (Diodo Orgânico Emissor de Luz) cheguem ao nosso cotidiano. Ao invés de necessitarem de fontes de alimentação complicadas, passarão a poder ser plugadas em tomadas comuns. A tecnologia OLED já é usada no visor dos modelos mais sofisticados de câmeras digitais e celulares. Entre as vantagens, está ser mais fina, consumir pouquíssimo e possibilitar excelente contraste das imagens. A novidade é um passo à frente em relação ao simples LED (Diodo Emissor de Luz), que já chegou com força total nas TVs de tela plana e, com o preço caindo 25% ao ano, deve protagonizar a iluminação dos lares e ambientes de trabalho dentro em breve.

As lâmpadas incandescentes parecem cada vez mais algo do século passado. Já perdiam feio no consumo para as fluorescentes, mas essas últimas têm uma luz pouco agradável. As LED, e, em todos os parâmetros, as melhores ainda OLED, dão uma nova goleada no consumo de energia e eliminam o mercúrio contido nas fluorescentes. Se isso não bastasse, iluminam com mais naturalidade, aceitam dimmers (interruptores que modulam a quantidade de luz) e podem ser produzidas nos mais variados formatos, como, por exemplo, de pastilhas. A espessura das telas de TVs baseadas em OLED será medida em milímetros. Veja esse modelo da LG, feito só para exibição em feiras de eletrônicos.



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Biomímica: um display que imita a borboleta

Eduardo Pegurier
23.08.2010

Mirasol Display

Qualcomm

Peacock Butterfly

Borboleta pavão - foto: Nutmeg

“A natureza nos dá aula de economia energética, ela é incrivelmente eficiente”, diz Ana Londergan, engenheira da Qualcomm, uma das grandes empresas mundiais de tecnologia de comunicação. Inspirada na forma como a asa das borboletas e as penas dos pavões refletem  a luz, a Qualcomm desenvolveu um novo tipo de tela (display) que oferece riqueza de cores, baixo consumo de energia e, ao contrário das telas de LCD, funciona muito bem mesmo sob a luz direta do sol. Na realidade, depende da luminosidade externa para funcionar. Quanto mais luz recebe, mais viva a sua imagem.

Baixo consumo e visibilidade sob o sol eram dois nirvanas que a indústria buscava para equipamentos com grande apetite de bateria, tais como os celulares inteligentes, laptops e leitores de livro eletrônicos . Parece que chegou lá. O tempo de autonomia desses aparelhos pode triplicar com a novidade.

Veja o vídeo abaixo (em inglês) com a explicação da tecnologia.

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Esse outro vídeo permite ver um protótipo em funcionamento. Espera-se que os primeiros produtos comecem a ser vendidos em 2011. Para os que têm mais inclinação técnica, eis aqui um documento (em PDF) com mais detalhes.

Para ler mais veja esse artigo (em inglês) da National Geographic.

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Vestido de natureza

Eduardo Pegurier
03.08.2010


Casaco "jeans" feito com bactérias de celulose

Suzanna Lee, designer, produz tecidos com uma cultura de bactérias de celulose colocadas em uma forma feita a partir de chá verde. O resultado pode ser usado em uma variedade de produtos, que vão de vestidos a sapatos. Seus pigmentos favoritos e mais funcionais são cerejas, curry, blueberries e beterraba. Ela explica:

O processo usa uma receita baseada em um xarope de chá verde, na qual é adicionado a cultura de bactérias. Leva de duas a quatro semanas para desenvolver uma peça de tecido suficientemente espessa para ser usada. Então, essas peças são secas e modeladas sobre um manequim de madeira (…) ou, de maneira convencional, costuradas. Dependendo da receita usada na cultura de bactérias, ao toque, podem parecer papel ou – mais desejável –  couro vegetal.

Nos testes de pigmentação, descobrimos que não é preciso usar ácidos (próprios para tingir tecidos) e que uma quantidade fantasticamente pequena de pigmento vai longe, fazendo com que as eco-credenciais do processo estejam presentes ao longo de todas as suas etapas. Também reciclamos parte do líquido de fermentação.

Além de ser uma das mais antigas criações do homem, tecidos compõem uma classe  de produtos onde as matérias-primas são mais aparentes. “Quero aquela camisa de algodão, lã ou seda”, pedimos. Mas não pensamos em petróleo quando olhamos para um pedaço de plástico.

A técnica de Suzanna une o instinto ancestral de transformar a natureza em roupa com uma engenhosa tecnologia. Além disso, dependendo do modelo, desperta sensações que vão do nojo a abrir o apetite. Será que podem ser degustadas quando cansarmos de usá-las? :- )

Para ver muitas fotos do processo e dos modelos confeccionados, não deixe de ir ao site da Bio-couture.

(Eduardo Pegurier)



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