São Paulo – Conheça a rota dos orgânicos

Luana Caires
30.09.2011

Confira a lista de fornecedores indicados pela AAO, foto: Richard Smith

Há vinte anos, quando surgiu a primeira feira de alimentos orgânicos da cidade de São Paulo (a Feira do Produtor Orgânico, no Parque da Água Branca), o conhecimento sobre esse tipo de produto ainda era restrito a uma pequena parcela de consumidores. De lá para cá a informação e a oferta de alimentos produzidos sem agrotóxicos se expandiu, assim como o número de consumidores que os desejam. Mas nem sempre as pessoas sabem todas as opções de locais de venda onde os orgânicos podem ser encontrados, e por um bom preço.

Pensando nisso, a Associação de Agricultura Orgânica (AAO), que administra a feira pioneira da cidade, divulga uma série de fornecedores  especializados (alguns dos quais entregam em domicílio) na capital. De acordo com Márcio Stanziani, secretário-executivo da AAO, a ideia é reunir todos os estabelecimentos que oferecem alimentos certificados, mas a relação ainda não está completa. “O objetivo da lista é prestar um serviço à comunidade, pois nós estamos só aqui no Parque da Água Branca [zona oeste] e sabemos que muitos consumidores querem comprar orgânicos mas não podem se deslocar até aqui”, afirma.

É verdade que grandes redes de supermercados já oferecem produtos orgânicos, mas o preço dos alimentos nesses locais é bem mais alto do que em feiras e até mesmo que na entrega em domicílio. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) no ano passado verificou que a diferença de custo de um mesmo produto pode chegar a 463% dependendo do canal de venda. “Comprar direto do produtor sai mais barato para o consumidor e dá mais lucro para quem produz, pois elimina os custos com intermediários”, diz Stanziani.

Para facilitar a localização de feiras, lojas e serviço de entrega em domicílio de orgânicos em São Paulo, ((o)) Eco reuniu algumas dicas da AAO, separadas por região. Confira a seguir:

 

ZONA OESTE

Feiras

Feira do Produtor Orgânico da AAO

Onde fica: Parque da Água Branca – Av. Francisco Matarazzo, 455 – Água Branca

Quando acontece: terças, sábados e domingos, das 7h às 12h

O que tem: bebidas, cafés, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos, processados diversos, entre outros.

Mais informações: Fone: (11) 3875-2625/ e-mail: atendimento@aao.org.br

 

Feira Estádio do Pacaembu

Onde fica: Praça Charles Miller – Pacaembu

Quando acontece: Todas as sextas-feiras, pela manhã

O que tem: bebidas, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

 

Feira Orgânica Parque Previdência

Onde fica: Rua Pedro Peccinini, 88 – Km 12 da Raposo Tavares – Jardim Adhemar de Barros

Quando acontece: aos sábado

O que tem: bebidas, cafés, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11) 3875-2625

 

Lojas

Viva Verde Comércio de Produtos Naturais e Orgânicos

Onde fica: Rua dos Pinheiros, 448 – Pinheiros

O que tem: açúcar, bebidas, cafés, castanhas, ervas, temperos, fitoterápicos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, óleos, pães, biscoitos, processados diversos e produtos biodegradáveis

Mais informações: www.naturalvivaverde.com.br/  Tel: (11)4301-8663 / e-mail: contato@naturalvivaverde.com.br; juliana.oliveira@naturalvivaverde.com.br

 

Entrega em domicílio

Caminhos da Roça – Produtos Orgânicos

Onde fica: Av. Otacílio Tomanik, 926 – Butantã

O que tem:  açúcar, bebidas, cafés, carnes, frangos, peixes, ervas e temperos, fitoterápicos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, óleos, pães e biscoitos, processados diversos, produtos biodegradáveis e terapêuticos

Mais informações: www.caminhosdaroca.com.br / fone: (11)3733-6727 / e-mail: euquero@caminhosdaroca.com.br

 

Fazendinha Sustentável

Onde fica: Rua Urbano da Silva, 91 – Vila Jaguara

O que tem: frutas e hortaliças

Mais informações: Fone: (11)3621-7672 / e-mail: fazsustentavel@itelefonica.com.br

 

ZONA SUL

Feiras

Feira de Produtos Biodinâmicos

Onde fica: Rua da Fraternidade, 156 – Santo Amaro

Quando acontece: às quintas-feiras, das 9 às 14h30

O que tem: bebidas, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11)3815-7862

 

Feira Orgânica Ibirapuera

Onde fica: Rua Tutóia (estacionamento da Igreja do Santíssimo Sacramento) – Vila Mariana

Quando acontece: aos domingos

O que tem: bebidas, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11) 3875-2625 / organica@uol.com.br

 

Feira Orgânica no Mundo Verde

Onde fica: Av. Cotovia, 900 – Moema

Quando acontece: aos sábados, das 9h às 16h

O que tem: bebidas, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11)3628-4350 / e-mail: gerencia.mv.moema@gmail.com

 

Lojas

Emporium Oriental Iwama

Onde fica: Av. do Cursino, 1788 – Jardim da Saúde

O que tem: açúcar, bebidas, cafés, carnes, frangos, peixes, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, óleos, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: www.emporiumoriental.com.br / fone: (11)5073-7745 / e-mail: a.iwama@terra.com.br

 

Espaço Atman Comércio de Produtos Naturais e Orgânicos

Onde fica: Av. Nova Independência, 149 – Brooklin

O que tem: bebidas, cafés, cosméticos, grãos, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: fone: (11)2308-0364 / espacoatman@espacoatman.com.br

 

F&C Vida Natural

Onde fica: Av. Cotovia, 328 – Moema

O que tem: bebidas, cafés, carnes, frangos, peixes, castanhas, cosméticos, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, mel, óleos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11)3628-4350 / moema@mundoverde.com.br

 

Entrega em domicílio

Chácara de Produtos Orgânicos e Produtos Naturais

Onde fica: Rua Rodrigo Vieira, 412 – Chácara Klabin

O que tem: bebidas, cafés, carnes, frangos, peixes, castanhas, cosméticos, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, óleos, pães e biscoitos e processados diversos

Mais informações: www.chacaradeorganicos.com.br / fone: (11)5084-9697/ e-mail: loja@chacaradeorganicos.com.br

 

Horta da Vovó – Quitanda Orgânica Delivery

Onde fica: Rua Itamiami, 131 – Vila Mariana

O que tem: bebidas, cafés, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel e processados diversos.

Mais informações: www.hortadavovo.com.br / Fone: (11)7825-4662 / e-mail: contato@hortadavovo.com.br

 

Organic Delivery

Onde fica: Av. Pedroso Alvarenga, 1255, conjunto 55 – Itaim

O que tem: açúcar, bebidas, carnes, frangos e peixes, castanhas, cosméticos, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, mel, óleos, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: www.organicdelivery.com.br/ fone: (11) 4169-4457 / e-mail: organic@organicdelivery.com.br

 

Ponto Verde Comércio de Produtos Naturais

Onde fica: Rua do Estilo Barroco, 44 – Chácara Santo Antônio

O que tem: carnes, frangos, peixes, castanhas, cosméticos, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, óleos e processados diversos

Mais informações: www.lojapontoverde.com.br / fone: (11)51825161  / email: loja@lojapontoverde.com.br

 

ZONA NORTE

 Entrega em domicílio

Hortifruti Orgânico

Onde fica: Rua Adalberto Kurt 359 – Jardim Líbano

O que tem: açúcares, bebidas, cafés, castanhas, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, óleos, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: www.hortifrutiorganico.com.br / fone: (11) 3013-3235 e-mail: falecom@hortifrutiorganico.com.br

 

ZONA LESTE

Entrega em domicílio

Vivenda A Vida

Onde fica: Avenida Mercúrio, 166 – Brás

O que tem: bebidas, grãos e processados diversos

Mais informações: Fone: (11)3017-0760 / e-mail: marketing@vivendavida.com.br

 

CENTRO

Feiras

Mercado Central de São Paulo

Onde fica: Rua Cantareira – Centro

Quando acontece: todos os sábados pela manhã

O que tem: bebidas, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

 

Veja também:

– Agrotóxico: os 10 alimentos mais perigosos

– Ocorrência de salmonela é menor em frangos orgânicos

Tudo o que você não queria saber sobre alface e tomate

– Três mitos sobre alimentos orgânicos



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América Latina, como vamos?

Luana Caires
01.09.2011

De acordo com estimativas da ONU, em 2050, 70% da população mundial viverá nas cidades– o equivalente a 6 bilhões de pessoas. Hoje, com apenas 3,2 bilhões delas morando em áreas urbanas a situação já é complicada, principalmente nos países em desenvolvimento. Com o objetivo de lutar por uma cidade mais democrática e sustentável, movimentos voltados para o tema surgiram na América Latina e estão arregaçando as mangas para mostrar que a mobilização e a articulação da sociedade podem transformar a gestão das cidades da região, assegurando que as políticas públicas sejam transparentes e contribuam para melhorar a qualidade de vida de forma sustentável.

Foi esse o tom do II Encontro da Rede Latino-americana por Cidade Justas, Democráticas e Sustentáveis, realizado de 29 a 31 de agosto em Salvador. Independentes e apartidários, a maioria dos movimentos da rede trabalha com indicadores concretos de qualidade de vida, que permitam acompanhar as desigualdades urbanas e aferir melhorias, especialmente no acesso a bens e serviços públicos.

Esses indicadores são agrupados por temas e cada um deles tem seus dados monitorados e divulgados por cada organização. Essa nova forma de mobilização sobre a gestão das cidades já conta com  36 movimentos em vários países latino-americanos .

Por aqui, esse tipo de iniciativa já começou a dar frutos. Graças à Rede Nossa São Paulo, com o apoio da Rede Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, tramita no Congresso Nacional brasileiro uma Proposta de Emenda à Constituição para que a “lei de metas” seja adotada para todos os governos e municípios do país. Ela obriga os prefeitos a apresentarem à sociedade civil e ao Poder Legislativo um Programa de Metas e Prioridades de sua gestão, até 90 dias após a posse, discriminando as ações estratégicas, indicadores de desempenho e metas quantitativas e qualitativas para cada um dos setores da Administração Pública.

Já o Rio Como Vamos vem acompanhando obras e ações públicas destinadas a preparar a capital carioca para receber a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Além disso, o movimento participa do Conselho do Legado, criado pela prefeitura, e do projeto Jogos Limpos, do Instituto Ethos, com o objetivo de promover maior transparência sobre os recursos investidos nesses eventos.

Confira abaixo as organizações brasileiras que participam da Rede Latino-americana por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis no Brasil. Para conferir a lista completa da América Latina, clique aqui.



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Protesto contra municipalização de inspeção veicular

Daniele Bragança
28.07.2011

Trânsito na saída de um feriado em SP, foto: Milton Jung

Poluição do ar não é só um problema ambiental, mas de saúde pública, defende o grupo intitulado Coletivo de Entidades Ambientalistas do Estado de São Paulo. Ele publicou uma carta aberta endereçada ao Governador de São Paulo Geraldo Alckmin, e ao Secretário Estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas, pedindo melhorias na implementação do Programa Ambiental de Inspeção Veicular.

Segundo a carta, a fragilidade do programa em São Paulo reside no fato de que está sendo adotado em parte dos municípios e não no estado inteiro, como acontece no Rio de Janeiro, por exemplo.

O grupo faz uma lista de 15 itens considerados problemáticos em “uma eventual implementação parcialmente municipalizada da inspeção veicular no Estado de São Paulo”, além de considerar “extremamente preocupante” as recentes declarações do Governador Geraldo Alckmin e do Secretário do Meio Ambiente, Bruno Covas, “de que está em análise em sua pasta uma minuta de convênio que municipaliza a inspeção veicular – por enquanto, nos sete municípios que formam o Consórcio do Grande ABC – a revelia de avaliações técnicas prévias dos especialistas e do próprio Consema”.

É atribuição dos órgãos ambientais estaduais o licenciamento de fontes de poluição com impactos regionais. A Resolução 418/2009 confirma o caráter transfronteiriço dos impactos das emissões da frota circulante, e por isso atribui aos estados a execução da inspeção veicular. Segundo o comunicado, a eventual municipalização da inspeção veicular ambiental, além de descumprir a resolução do Conama, desperdiça a capacidade do Estado de São Paulo (através da CETESB ao “abrir mão de sua vocação e competência legal e, de modo irrefletido e precipitado, colocar em risco o gerenciamento da qualidade do ar nas áreas mais saturadas pela contaminação atmosférica do País, onde a cada ano morrem mais de 4 mil pessoas por conta das emissões de poluentes dos veículos desregulados.” Abaixo a lista publicada pelos ambientalistas.
 

Lista de problemas efetivos e potenciais do Programa Ambiental de Inspeção Veicular
1. Calendário decisório de administrações municipais distinto do calendário estadual, implicando descontinuidades geográficas e temporais dos diversos programas de controle veicular: “buracos” no mapa da inspeção veicular do Estado;
2. Perda do controle das ações e informações do titular da competência legal (Estado) – complexidade da subordinação técnica dos municípios;
3. Dificuldades materiais, de recursos humanos e financeiros dos municípios para realização dos estudos técnicos e econômicos preliminares para definição de prazo, frota alvo, número de lotes, distribuição de linhas, tarifa de inspeção, entre outros parâmetros;
4. Agentes técnicos municipais escassos, sem especialização, colocam-se a pleno serviço das decisões técnico-operacionais das empresas operadoras – mais fortes, ativas e competentes;
5. Frota reduzida implica maiores tarifas aos usuários;
6. Se uma licitação já apresenta alto grau de complexidade e enorme desafio para a administração pública, o que se pode esperar de “n” licitações no Estado;
7. Multiplicação de licitações significa multiplicação de problemas: processos licitatórios tumultuados por atrasos, questionamentos, impugnações, suspensões, mudanças de governo e cancelamentos – retomada lenta das licitações e sujeita aos mesmos problemas;
8. Multiplicação da complexidade do sistema de transmissão de dados entre as linhas de inspeção e o sistema de cadastro e licenciamento de veículos administrado pela Prodesp/Detran-SP – o correto funcionamento do sistema de registro, armazenamento e transmissão de dados e informações nos programas de I/M é o maior desafio da inspeção veicular;
9. Falta de uniformidade nas diversas regiões administradas por municípios (tarifas, prazos de início e fim da concessão, rigor das inspeções e das auditorias do Poder Concedente, padrão visual das estações, padrão de qualidade de atendimento, etc);
10. Complexa introdução de elementos tecnológicos para a contínua evolução tecnológica do programa nas diversas regiões do Estado;
11. Impossibilidade de o órgão estadual ambiental (dono da competência legal) intervir nos contratos de concessão municipais;
12. Complexidade administrativa e constrangimento político em caso extremo de necessidade de intervenção estadual quando da ocorrência de deficiências técnicas gravíssimas e descontinuidades locais;
13. Possibilidade de ocorrência de buracos geográficos no programa em áreas prioritárias saturadas por contaminação atmosférica (SAT e EVS), cujo controle é responsabilidade legal do órgão estadual ambiental;
14. Multiplicação da complexidade em caso de ações interinstitucionais (órgãos ambiental e de trânsito) de integração com o programa de inspeção de segurança veicular, que está na iminência de ser lançado pelos órgãos federias e estaduais de trânsito – maior risco de duplicação do programa ambiental e de segurança em dois locais distintos, em momentos distintos e com duas tarifas distintas, uma para a inspeção ambiental e outra para a inspeção de segurança;
15. Não há aspectos positivos e vantagens técnicas, operacionais e econômicas no modelo municipalizado de implementação da inspeção veicular ambiental no Estado.

 



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Corte de árvores deixa São Paulo menos verde

Luana Caires
07.07.2011

Funcionários da prefeitura cortam árvore na Praça Marechal Deodoro, foto: Cátia Toffoletto

Enquanto novos imóveis são construídos a cada esquina e mais arranha-céus figuram nos cartões-postais de São Paulo, as árvores da cidade pedem socorro. Somente de janeiro a abril deste ano 12.187 delas foram derrubadas, de acordo com um levantamento feito pela Comissão do Verde e Meio Ambiente da Câmara Municipal. Para se ter uma ideia do tamanho do estrago, é como se 80% da área do Parque do Ibirapuera, na zona sul do município, tivesse sido desmatada.

Segundo o estudo, todos os cortes foram autorizados pela Prefeitura –  grande parte para dar lugar a prédios, conjuntos habitacionais e obras de infra-estrutura. Sérgio Guimarães Pereira Júnior, diretor da Vallor Urbano, empresa especializada no segmento de urbanização, pondera que as licenças para o desmatamento preveem compensações: para cada árvore retirada, pelo menos três novas mudas devem ser plantadas.

Mas, como aponta a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a obrigatoriedade de replantio é ignorada pelas empresas ou realizada de maneira irregular, sem que haja nenhum tipo de fiscalização. Além disso, outro problema é que, na maioria das vezes, as mudas são replantadas em áreas distantes do local que foram retiradas. Com isso, a região de onde foram suprimidas áreas verdes sofre, efetivamente, uma perda ambiental.

Pereira Júnior concorda que a simples reposição de mudas não é suficiente como compensação ambiental. “Plantar novas árvores sem um planejamento adequado é apenas uma forma de aliviar culpas”, afirma o executivo. “O mais importante é que haja um programa de conservação ambiental com o envolvimento da comunidade local”, completa.

Campanha de arborização

Ainda que não possam resolver o problema de falta de verde em São Paulo, os cidadãos podem contribuir para tornar pelo menos a sua rua, praça ou bairro mais arborizados. Para isso, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente do município mantém uma campanha de incentivo permanente à arborização, que oferece gratuitamente uma muda para ser plantada em endereços da capital paulista. Basta fornecer algumas informações sobre o local que receberá a planta.  A secretaria também disponibiliza uma cartilha com orientações e dicas sobre como semear e manter uma árvore na cidade.

 

Veja também:

– No meio do caminho havia outra árvore

– Maringá inova na arborização do espaço urbano




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Seminário debate como combater mudanças climáticas em SP

Luana Caires
29.06.2011

O evento encerra a série de intervenções urbanas do programa "Clima e Consumo", Ilustração: Idec

A gente se esquece, mas o cidadão comum também está envolvido com as mudanças climáticas. Além de sermos direta ou indiretamente afetados por elas, somos nós os maiores responsáveis pelo aumento da emissão de gases estufa na atmosfera, seja pela utilização de combustíveis fósseis, pela queima e desmatamento das árvores, pela má administração dos nossos resíduos ou até mesmo por consumir produtos de empresas que pouco se importam com práticas ambientais sustentáveis. Para discutir melhor esse tema aplicado à realidade paulistana, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e o Vitae Civilis realizam, dia 07 de julho, das 9h às 12h30, o seminário “Mudanças climáticas e consumo em São Paulo”, com Apoio do FEMA (Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) e da UMAPAZ (Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz).

O objetivo do seminário é debater sobre as alternativas concretas para o combate às mudanças de clima e para tornar a capital paulista mais sustentável. Estarão presentes, entre outros convidados, Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho, secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, e Helena Magozo, diretora do FEMA. Além disso, o professor Oswaldo Massambani, membro do Comitê Municipal de Mudança do Clima e Ecoeconomia, apresentará as diretrizes para o Plano de Ação da Cidade de São Paulo para Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas.

O evento encerra a série de intervenções urbanas do programa “Clima e Consumo em São Paulo“, projeto com o intuito de sensibilizar o consumidor para a relação entre o seu padrão de consumo e o clima, pressionar empresas por mudanças nos processos de produção e dialogar com governos para que adotem políticas públicas que ampliem o combate ao desmatamento e que façam valer o respeito ao direito de informação do consumidor. “As mudanças climáticas já estão afetando a vida na cidade, especialmente o cotidiano das populações mais vulneráveis. Por isso, é urgente que governos, empresas e consumidores dialoguem e assumam suas responsabilidades na transformação dos atuais padrões de produção e consumo”, explica Adriana Charoux, pesquisadora do Idec.

Para participar do seminário, faça sua inscrição gratuita clicando aqui. Mas seja rápido porque as vagas são limitadas!

 

Serviço:

Data: 07 de julho de 2011 (quinta-feira)

Horário: 9h00 às 12h30

Local: Auditório Umapaz (Av. IV Centenário, 1268 – Portão 7A, Parque Ibirapuera, São Paulo, SP)

 

Leia também:

Consumo consciente não é prioridade

– Consumo Colaborativo, solução para a ociosidade

– 15 dicas para um consumo mais sustentável

 



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Metrópoles trocam receitas para diminuir suas emissões

Juliana Tinoco
07.06.2011

Madrid com o céu tomado por uma mancha cinza-chumbo, foto: Sérgio Alcántara

Grandes cidades ocupam somente 2% da superfície da terra, mas são responsáveis por 80% das emissões de gases estufa, garantem cálculos apresentados durante evento do C40link , grupo de quarenta metrópoles reunidas para discutir soluções para o clima. Em encontro na semana passada em São Paulo, representantes das cidades falaram em metas e iniciativas para frear o aquecimento global.

Os planos soam ambiciosos. Copenhage, capital da Dinamarca, quer ser neutra em carbono até 2025. Sidney, Áustralia, reduzir em 70% suas emissões até 2030. Hong Kong (China) e Madrid (Espanha) pretendem diminuí-las ao menos pela metade, a primeira nos próximos 10 anos, a segunda em 40 anos. No Brasil, somente a cidade de São Paulo possui uma meta de redução anunciada: 30% até 2050.

Para chegar lá, as cidades precisam investir pesado em áreas como geração de eletricidade, aquecimento e transporte, diz Manish Bapna, vice-presidente da World Resources Institute (WRI)link. “Do total de gases estufa que emitimos, 65% vem do setor de energia, dominado pelos combustíveis fósseis. Renováveis representam 30% da produção mundial, a maior parte vinda de biomassa tradicional. As modernas, como solar, eólica e geotérmica, não somam nem 1%”, afirma Babpa.

Em algumas cidades, no entanto, este panorama já vem mudando. Em Copenhagen, cada saco de lixo equivale a três horas e meia de eletricidade para uma casa. O sistema de geração de energia por incineração de resíduos aquece 97% das residências da cidade e mais da metade do sistema de aquecimento urbano.

Madrid, para solucionar o drama das emissões nos transportes públicos, dá benefícios para quem compra veículos híbridos e elétricos. “Já são mais de 300 pontos de recarga de carros elétricos pela cidade e estamos expandindo”, diz Elisa Baharona, Diretora de Sustentabilidade da prefeitura de Madrid.

Em Sidney, o carro-chefe do plano de mitigação das emissões está em produzir energia por tri-geração: gás natural, biogás e sobras de calor desperdiçado nas usinas elétricas. “O desperdício das usinas chega a dois terços da energia”, comenta Allan Jones, do Departamento de Energia e Clima da prefeitura de Sidney.

As promessas de Santiago, no Chile, são de 60% mais áreas verdes urbanas nos próximos 10 anos e 100% das águas tratadas até ano que vem. Ciclovias também estão na agenda de muitas cidades. O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab pretende ampliar o horário de uso das ciclofaixas, áreas exclusivas para bicicletas demarcadas ao longo das ruas, que poderão em breve ser usadas em dias de semana.

No vídeo abaixo, representantes de grandes cidades na conferência C40 comentam as iniciativas das metrópoles em mitigação de gases estufa.
 


 



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Estudo sobre cidades e clima prevê aquecimento de até 4°C

Cristiane Prizibisczki
06.06.2011

Apresentação durante o 2o Congresso sobre cidade e clima, em Bonn, Alemanha. foto: Cristiane Prizibisczki

Bonn – A cidade de São Paulo e mais onze grandes centros urbanos no mundo podem ter de enfrentar um aumento em até 4º C de temperatura até 2050, segundo estudo lançado no último sábado (4) pelas universidades americanas de Colúmbia e Nova York em Bonn, Alemanha, durante o 2º Congresso Mundial sobre Cidades e Adaptações às Mudanças Climáticas.

O trabalho confirma a previsão feita por pesquisadores brasileiros em 2010, no estudo sobre vulnerabilidades na Região Metropolitana da capital paulista, e lança um apelo: governos locais e nacionais precisam implementar medidas urgentes de adaptação a essas mudanças para evitar impactos maiores no futuro. A organização Governos Locais para a Sustentabilidade (ICLEI) acredita que, nas próximas quatro décadas, as cidades terão de construir a mesma capacidade urbana conquistada nos últimos 4.000 anos devido às alterações no clima.

Com contribuições de 110 pesquisadores em 50 cidades ao redor do mundo, o trabalho, segundo os autores, é o primeiro esforço em sistematizar informações sobre temas como produção e consumo de energia, transporte e saúde pública. Além de apontar riscos e vulnerabilidades, o trabalho também sugere estratégias de mitigação e adaptação a esses problemas e oferece opções de políticas a serem adotadas. Doze cidades receberam estudo detalhado.

“Muitas das melhores práticas do livro, que traz 50 estudos-chave sobre o que as cidades estão fazendo ao redor do mundo, podem ser adaptáveis e adotadas por outras cidades. O livro é mesmo um guia prático para os centros urbanos”, diz Cynthia Rosenzweig, cientista da Agência Americana de Estudos Espaciais (NASA) e co-autora do estudo (assista à entrevista com  Cynthia Rosenzweig – em inglês).

O resumo executivo do trabalho pode ser conferido no site do Urban Climate Change Research Network e em seis meses deve estar disponível para download na internet, de acordo com seus autores.

Na mesma ocasião do lançamento deste primeiro estudo, a Organização das Nações Unidas fez o lançamento oficial do seu Relatório Global sobre Assentamentos Humanos 2011, trabalho que também traz sugestões de políticas, estratégias e práticas que estão emergindo em áreas urbanas como resposta às alterações climáticas. Uma versão resumida do estudo está disponível para download no site do UN- Habitat.

Ambos os trabalhos trazem as discussões mais recentes sobre a complexa relação entre cidades e mudanças climáticas e são uma boa pedida para quem deseja ficar por dentro do assunto.
 


 
*Cristiane Prizibisczki é jornalista free-lance e atualmente desenvolve pesquisa sobre mídia e mudanças climáticas em centros urbanos na Universidade de Cambridge.



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Dia do Meio Ambiente: confira o que vai rolar por aí

Luana Caires
04.06.2011

Pegue uma caneta e faça o seu roteiro. Atividade é o que não falta!; foto: Reprodução

Este domingo, 05/06, promete ser agitado: terá exposições, shows com grandes nomes da música nacional até oficinas de arte com sucata. Para você não fica fora dessa, ((o)) Eco preparou uma listinha com os destaques da programação de 6 grandes cidades brasileiras.

Belo Horizonte

Atividades culturais e  educacionais na capital mineira: No Parque das Mangabeiras, as crianças poderão aprender a reaproveitar materiais para criar jogos educativos e participar de atividades de recreação enquanto os adultos curtem  a exposição “Vida ao ar livre”, realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta). Os mais prendados poderão aprender a arte dos bordados e quem quiser curtir uma onda mais zen vai curtir a exposição de quadros da Organização Brahma Kumaris.

Já no parque Parque Municipal Américo Renné Giannetti, vão rolar oficinas de origami e de reutilização de sucatas, além de uma bela exposição de orquídeas e de fotos sobre a biodiversidade do parque.

Brasília

Quem gosta de música não vai perder as atrações musicais do Festival da Águas, na Concha Acústica (Lago Paranoá), com entrada franca. A partir das 10h os shows começam com Lado A, The Fingers, Hermes Prada e Som de Bob; a partir das 16h, no Palco Principal 1, é a vez de Zeca Baleiro, MV Bill, Pitty, CPM 22 e Banda H3 se apresentarem; e às 16h40 entram em cena os mineiros do Skank, seguidos das bandas NX Zero, Ponto de Equilíbrio e Planta e Raiz.

Também vale a pena curtir a 1ª exposição Oportunidades ambientais,  com 80 estandes. A mostra apresenta artesanatos de material reciclável, biojoias, ecoturismo, vermicompostagem, biscoitos artesanais, carro elétrico, bicicleta de bambu e muito mais.

E a galera do esporte terá a chance de se divertir com a maratona de canoagem, o Circuito Internacional de Jet Ski e apresentações de wakeboard, além das oficinas de skate, grafite e dança de rua.

Curitiba

Na capital paranaense, o domingo começa com o a exposição Safári dos Sentidos, no Museu Botânico de Curitiba. A exposição é direcionada aos deficientes visuais, que terão contato com animais taxidermizados do acervo do Museu de História Natural. Haverá placas em braile com nomes e curiosidades e sons dos animais.

No parque Barigui, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente vai expor uma embarcação carregada com entulho retirado de rios da capital. A intenção é mostrar o grave problema causado pelos resíduos sólidos lançados nos cursos fluviais. A exposição faz parte de um trabalho de mobilização social junto com o projeto Águas do Amanhã, do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCom). Quem for ao parque neste domingo ainda poderá participar de oficinas de reciclagem de lixo, gincanas e ajudar na coleta do lixo reciclável produzido no próprio parque.

E na segunda-feira, (6/06), começa a tradicional Feira do Meio Ambiente, na Rua XV de Novembro, com exposição de práticas de sustentabilidade.

Porto Alegre

Neste domingo, às 15h, tem apresentação do teatro de bonecos “A Incrível Descoberta da Natureza”, na Praça Júlio Mesquita (Rua General Salustiano, embaixo do Aeromóvel). Em caso de chuva, a atração será transferida para a Usina do Gasômetro. No mesmo horário, em frente ao Monumento do Expedicionário, o Conselho de Usuários do Parque Farroupilha promove a palestra Xadrez Ecológico e Meio Ambiente. A entrada é gratuita e dispensa inscrições.

A 27a Semana do Meio Ambiente de Porto Alegre continua até o dia 12 junho com atividades como passeio ciclístico interparques, palestra com o ex-deputado federal Fernando Gabeira, oficina de cultivo básico de orquídeas e muito mais.

Rio de Janeiro

Na capital carioca, a CEDAE vai comemorar a Semana Mundial do Meio Ambiente convidando os moradores do Rio a plantar uma árvore. A partir deste domingo até o dia 11/06, folders impressos em papel reciclado contendo uma semente de ipê amarelo serão distribuídos nos pedágios da Ponte Rio-Niterói e Via Lagos, no projeto Rio Academia em Copacabana e para as crianças que visitarem a Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu.

Quem visitar o Pão de Açúcar amanhã também vai sair de lá com a sua sementinha e poderá conferir uma exposição de fotografias que retrata paisagens naturais em pequenos planetas. A mostra estará aberta a todos os visitantes e poderá ser vista no Morro da Urca até o dia 12 de junho. O ingresso para o bondinho já inclui a visitação.

Salvador

Prepare a sua magrela, pois amanhã tem bicicletada às 7h30, saindo do Farol da Barra, seguida de uma série de atividades no Jardim de Alah. A Semana do Meio Ambiente soteropolitana continua até o dia 10 de junho com painel sobre mudanças climáticas, mini-curso de introdução ao direito ambiental na UFBA e muito mais.

 

Leia também:

– Neste fim de semana tem Virada Sustentável em São Paulo



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Idec promove oficina de Faxina Ecológica em São Paulo

Luana Caires
03.06.2011

A sua faxina pode ser sustentável; foto: Thiago Suruagy

Você sabia que os produtos de limpeza industrializados chegam a ser 300% mais caros do que aqueles preparados em casa? Além disso, muitos deles contêm substâncias químicas prejudiciais ao meio ambiente e ao homem, como o cloro e o fosfato – que, apesar de ter sido proibido em diversos países, por aqui, ainda é encontrado em detergentes sintéticos e produtos corporais.  Por isso, a melhor opção para quem pretende diminuir o impacto de sua limpeza, respeitar a sua saúde e ainda economizar um bocado no fim do mês continua sendo a utilização de produtos caseiros.

Para divulgar essa prática, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) realizará amanhã, 04/06,  uma oficina de faxina ecológica gratuita promovida em parceria com Vitae Civilis, Instituto Kairós Secretaria do Verde e Meio Ambiente e o Programa Ambientes Verdes e Saudáveis – PAVS (Núcleo Zona Oeste – Lapa/Pinheiros), da Secretaria de Saúde do Município de São Paulo. Lá, serão apresentadas receitas dos principais produtos de limpeza – detergente, desinfetante e limpador multiuso – utilizando como fontes de informações e sugestões o Almanaque para Práticas Sustentáveis, de Thomas Enlazador, e o livro Casa Limpa da Faxineira Ecológica, de Denis Beauchamp.

Se você mora na capital e ainda tem dúvidas sobre como preparar os seus próprios produtos caseiros ou tem uma boa receita que queira compartilhar com o pessoal, vale a pena comparecer.

Data: 04 de junho de 2011

Hora: 16h às 17h

Local: Espaço de Cultura do Consumo Responsável – Tendal da Lapa – Rua Guaicurus, 1100, São Paulo

 

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Ecofaxina: como limpar seu banheiro sem produtos químicos

Ecofaxina II: como limpar sua cozinha sem produtos químicos

Ecofaxina III: tirando manchas sem usar produtos químicos

Ecofaxina IV: Faça você mesmo produtos de limpeza ecológicos



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Emissões de motocicletas: Licença para matar

Colunista Convidado
30.05.2011

Motos estacionadas na Rua Joaquim Floriano, bairro do Itaim, São Paulo - foto: 2010sp

Carlos Bocuhy*

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) registra em média oito mortes diárias devido à poluição atmosférica, segundo dados do Laboratório de Pesquisas da Poluição Atmosférica da USP. A maior fonte é a queima de combustíveis fósseis pela frota veicular. Uma falha regulatória na exigência da garantia de durabilidade dos catalisadores exporá, somente na RMSP, cerca de 20 milhões de cidadãos a uma contaminação atmosférica ainda mais alarmante, oriunda de uma frota de mais de um milhão de motocicletas em crescimento acelerado.

Não resta dúvida sobre a necessidade de um eficiente controle da poluição para diminuir o impacto à vida humana. Mas a irresponsabilidade com relação a esse tema está tomando proporções inaceitáveis, diante dos destinos do controle de poluentes emitidos por motocicletas, propostos no PROMOT-4 (Programa de controle da Poluição do ar por Motocicletas) Fase 4, ora em curso no CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

Os catalisadores são o coração e a alma do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores – PROCONVE e do PROMOT. Sem catalisador operante não existe PROCONVE eficiente para os automóveis, nem PROMOT para as motocicletas.

Os catalisadores, eficientes para controlar poluição, tem seu interior revestido por substâncias nobres, com capacidade de agregar moléculas de oxigênio. Quando os poluentes saem do motor e são lançados contra as paredes internas do catalisador, ocorre uma reação química que transmuta poluentes em substâncias não tóxicas. A eficiência do catalisador está ligada à durabilidade de sua vida útil, onde menos material nobre – consumido com o desgaste natural – significa menor taxa de conversão dos poluentes.

Com catalisadores inoperantes devido à inadequação do requisito de durabilidade, ocorreria uma carga adicional anual de poluentes de centenas de milhares de toneladas – considerados, de forma conservadora, os dados publicados no Relatório de Qualidade do Ar da CETESB de 2009. Isso seria uma licença para matar, pois teríamos o retorno às emissões de antigamente – dez a vinte vezes maiores do que o supostamente permitido hoje em dia. As mortes por poluição do ar em São Paulo seriam elevadas a patamares ainda mais altos.

Como chegamos a isso? A norma foi votada no CONAMA, dia 25 de maio, apesar do pedido de vistas regimental feito pelos ambientalistas, que foi politicamente rejeitado, já que toda a secretaria executiva e o corpo técnico tinham conhecimento dos absurdos contidos na proposta de resolução. A informação sobre as irregularidades foram prestadas pelos ambientalistas na reunião do dia anterior, com a secretaria executiva e técnicos governamentais envolvidos.

O cálculo de rodagem das motocicletas nas grandes concentrações urbanas brasileiras, baseou-se na legislação de controle de emissões dos Estados Unidos e Europa, onde a contribuição das motos é menor que 5% do total de poluentes emitidos por veículos em geral. Além disso, lá elas rodam muito menos e, assim, optou-se nesses locais por garantir a durabilidade das emissões por apenas 30 mil km, que equivale a cerca de três anos de uso – pois a quilometragem média das motos lá não ultrapassa os 10mil km/ano.

No Brasil, assim como nos países asiáticos, a situação é completamente diferente. A frota de motocicletas apresenta crescimento explosivo e persistente nas áreas urbanas e sua participação na contribuição total da frota veicular com as emissões atmosféricas é cada vez mais crítica: segundo o inventário nacional de emissões veiculares publicado pelo próprio Ministério do Meio Ambiente (MMA)  em 2009, 35% das emissões totais nacionais para monóxido de carbono (CO) e 25% para hidrocarbonetos (HC), são oriundas das motocicletas. Nesse ritmo, as emissões de motos no Brasil poderão ser nos próximos anos similares às de países asiáticos. Segundo o estudo do International Council on Clean Transportation (ICCT) “Air Emissions Issues Related to Two-and Three-Wheeled Motor Vehicles”, em algumas cidades da Ásia a contribuição relativa das emissões das motocicletas já atinge 50% para CO, e 70% para HC. Nós, somos eles, amanhã.

Segundo dados do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas da Cidade de São Paulo, na média, constatou-se que um motoboy chega a rodar entre 200 e 300 km por dia. Algumas empresas, que também trabalham com entregas em cidades próximas, apresentaram médias para esse grupo de 300 km/dia. Isso significa, que a quilometragem média anual das empresas de moto-frete é da ordem de 90 mil km por ano, sempre utilizando motos pequenas.

Para o nicho dos que utilizam a motocicleta em São Paulo somente para se deslocarem para o trabalho e lazer, a km média anual é da ordem de 20.000 km/ano (semelhante aos automóveis). Ou seja, para esse grupo, o catalisador seria obrigado, por garantia, a operar apenas durante os primeiros 10 meses de sua vida útil. Depois disso, teria licença do CONAMA para poluir em excesso a vida toda – relativamente aos padrões normais de emissão previstos no PROMOT.

O erro grosseiro de subestimar o uso das motos formalizou-se em uma proposta para a quarta fase do PROMOT que estabelece a garantia de durabilidade de emissões de somente 18 mil km, sem qualquer justificativa técnica para esse valor. Isso que significaria menos de seis meses de uso em nossa realidade metropolitana. Motos novíssimas, ainda em período de revisão pela concessionária, terão a licença oficial do CONAMA para poluir muito acima do padrão permitido.

Segundo as discussões na Câmara Técnica de Qualidade e Controle Ambiental do CONAMA, a maioria absoluta das motocicletas novas e reguladas, equipadas com injeção eletrônica e catalisadores, tem níveis de emissão típicos de marcha-lenta próximos de ZERO. Assim, mesmo com os catalisadores inoperantes, podem ser aprovadas na inspeção veicular. Isso porque, de acordo com a proposta de revisão dos limites da Resolução 418/2009, que tramita atualmente no CONAMA, a inspeção veicular das motos menores poderá ter limites de aprovação/reprovação excessivamente lenientes (2,5% e 600ppm para CO e HC em marcha-lenta), conforme equivocadamente deliberado pela Câmara Técnica do CONAMA no início de maio de 2011. Por sua vez, os limites internacionais para inspeção de motos com catalisadores em países que levam seus programas de controle de poluição veicular a sério, são em geral da ordem de 1,0% para CO e 100 ppm para HC. Dessa forma, a inspeção das motos mais modernas – mesmo se emitindo 10 vezes mais emissões do que os valores normais do veículo regulado – será praticamente inócua, no que concerne à reprovação de motocicletas com catalisador inoperante. O proprietário não será obrigado a substituir o catalisador vencido por um novo (também de qualidade questionável). Além disso, deve-se lembrar que 50% das motos nem sequer apareceram para fazer a inspeção veicular no Município de São Paulo em 2010, daí a importância vital do requisito de durabilidade dos catalisadores.

Há um consenso entre autoridades ambientais da Câmara Técnica do CONAMA e fabricantes de catalisadores, que o impacto da melhoria da qualidade dos catalisadores no preço dos veículos seria insignificante e traria benefícios sócio-ambiental-econômicos relevantes, inclusive poupando vidas. Além disso, não há justificativa plausível para que a garantia de durabilidade das emissões das motocicletas no Brasil seja menor que a dos automóveis (80 mil km), que aliás, por outra aparente falha da legislação ambiental emanada do CONAMA, é extremamente baixa, se comparada com aquela em vigor na Europa e EUA para os automóveis (160 mil km).

O tema da curta garantia de durabilidade dos catalisadores de automóveis e motos brasileiras foi apontado por seguidas vezes no seminário de 28 de abril sobre as realizações e caminhos futuros do PROCONVE e PROMOT, promovido pela Associação de Engenharia Automotiva (AEA), como um aspecto negativo desses programas a ser avaliado. Assim como os engenheiros automotivos, a sociedade brasileira deve ficar atenta no acompanhamento desse processo, em especial as dezenas de milhões de cidadãos que habitam as grandes concentrações urbanas do País, principalmente os com maior susceptibilidade a doenças cárdio-respiratórias, os que correm mais riscos caso o CONAMA persista no erro atual, os efeitos poderão consistir em uma licença para matar.

 

*Carlos Bocuhy é Presidente do PROAM (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental) e conselheiro do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

 

Carlos Bocuhy*

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) registra em média oito mortes diárias devido à poluição atmosférica, segundo dados do Laboratório de Pesquisas da Poluição Atmosférica da USP. A maior fonte é a queima de combustíveis fósseis pela frota veicular. Uma falha regulatória na exigência da garantia de durabilidade dos catalisadores exporá, somente na RMSP, cerca de 20 milhões de cidadãos a uma contaminação atmosférica ainda mais alarmante, oriunda de uma frota de mais de um milhão de motocicletas em crescimento acelerado.

Não resta dúvida sobre a necessidade de um eficiente controle da poluição para diminuir o impacto à vida humana. Mas a irresponsabilidade com relação a esse tema está tomando proporções inaceitáveis, diante dos destinos do controle de poluentes emitidos por motocicletas, propostos no PROMOT-4 (Programa de controle da Poluição do ar por Motocicletas) Fase 4, ora em curso no CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

Os catalisadores são o coração e a alma do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores – PROCONVE e do PROMOT. Sem catalisador operante não existe PROCONVE eficiente para os automóveis, nem PROMOT para as motocicletas.

Os catalisadores, eficientes para controlar poluição, tem seu interior revestido por substâncias nobres, com capacidade de agregar moléculas de oxigênio. Quando os poluentes saem do motor e são lançados contra as paredes internas do catalisador, ocorre uma reação química que transmuta poluentes em substâncias não tóxicas. A eficiência do catalisador está ligada à durabilidade de sua vida útil, onde menos material nobre – consumido com o desgaste natural – significa menor taxa de conversão dos poluentes.

Com catalisadores inoperantes devido à inadequação do requisito de durabilidade, ocorreria uma carga adicional anual de poluentes de centenas de milhares de toneladas – considerados, de forma conservadora, os dados publicados no Relatório de Qualidade do Ar da CETESB de 2009. Isso seria uma licença para matar, pois teríamos o retorno às emissões de antigamente – dez a vinte vezes maiores do que o supostamente permitido hoje em dia. As mortes por poluição do ar em São Paulo seriam elevadas a patamares ainda mais altos.

Como chegamos a isso? A norma foi votada no CONAMA, dia 25 de maio, apesar do pedido de vistas regimental feito pelos ambientalistas, que foi politicamente rejeitado, já que toda a secretaria executiva e o corpo técnico tinham conhecimento dos absurdos contidos na proposta de resolução. A informação sobre as irregularidades foram prestadas pelos ambientalistas na reunião do dia anterior, com a secretaria executiva e técnicos governamentais envolvidos.

O cálculo de rodagem das motocicletas nas grandes concentrações urbanas brasileiras, baseou-se na legislação de controle de emissões dos Estados Unidos e Europa, onde a contribuição das motos é menor que 5% do total de poluentes emitidos por veículos em geral. Além disso, lá elas rodam muito menos e, assim, optou-se nesses locais por garantir a durabilidade das emissões por apenas 30 mil km, que equivale a cerca de três anos de uso – pois a quilometragem média das motos lá não ultrapassa os 10mil km/ano.

No Brasil, assim como nos países asiáticos, a situação é completamente diferente. A frota de motocicletas apresenta crescimento explosivo e persistente nas áreas urbanas e sua participação na contribuição total da frota veicular com as emissões atmosféricas é cada vez mais crítica: segundo o inventário nacional de emissões veiculares publicado pelo próprio Ministério do Meio Ambiente (MMA)  em 2009, 35% das emissões totais nacionais para monóxido de carbono (CO) e 25% para hidrocarbonetos (HC), são oriundas das motocicletas. Nesse ritmo, as emissões de motos no Brasil poderão ser nos próximos anos similares às de países asiáticos. Segundo o estudo do International Council on Clean Transportation (ICCT) “Air Emissions Issues Related to Two-and Three-Wheeled Motor Vehicles”, em algumas cidades da Ásia a contribuição relativa das emissões das motocicletas já atinge 50% para CO, e 70% para HC. Nós, somos eles, amanhã.

Segundo dados do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas da Cidade de São Paulo, na média, constatou-se que um motoboy chega a rodar entre 200 e 300 km por dia. Algumas empresas, que também trabalham com entregas em cidades próximas, apresentaram médias para esse grupo de 300 km/dia. Isso significa, que a quilometragem média anual das empresas de moto-frete é da ordem de 90 mil km por ano, sempre utilizando motos pequenas.

Para o nicho dos que utilizam a motocicleta em São Paulo somente para se deslocarem para o trabalho e lazer, a km média anual é da ordem de 20.000 km/ano (semelhante aos automóveis). Ou seja, para esse grupo, o catalisador seria obrigado, por garantia, a operar apenas durante os primeiros 10 meses de sua vida útil. Depois disso, teria licença do CONAMA para poluir em excesso a vida toda – relativamente aos padrões normais de emissão previstos no PROMOT.

O erro grosseiro de subestimar o uso das motos formalizou-se em uma proposta para a quarta fase do PROMOT que estabelece a garantia de durabilidade de emissões de somente 18 mil km, sem qualquer justificativa técnica para esse valor. Isso que significaria menos de seis meses de uso em nossa realidade metropolitana. Motos novíssimas, ainda em período de revisão pela concessionária, terão a licença oficial do CONAMA para poluir muito acima do padrão permitido.



Segundo as discussões na Câmara Técnica de Qualidade e Controle Ambiental do CONAMA, a maioria absoluta das motocicletas novas e reguladas, equipadas com injeção eletrônica e catalisadores, tem níveis de emissão típicos de marcha-lenta próximos de ZERO. Assim, mesmo com os catalisadores inoperantes, podem ser aprovadas na inspeção veicular. Isso porque, de acordo com a proposta de revisão dos limites da Resolução 418/2009, que tramita atualmente no CONAMA, a inspeção veicular das motos menores poderá ter limites de aprovação/reprovação excessivamente lenientes (2,5% e 600ppm para CO e HC em marcha-lenta), conforme equivocadamente deliberado pela Câmara Técnica do CONAMA no início de maio de 2011. Por sua vez, os limites internacionais para inspeção de motos com catalisadores em países que levam seus programas de controle de poluição veicular a sério, são em geral da ordem de 1,0% para CO e 100 ppm para HC. Dessa forma, a inspeção das motos mais modernas – mesmo se emitindo 10 vezes mais emissões do que os valores normais do veículo regulado – será praticamente inócua, no que concerne à reprovação de motocicletas com catalisador inoperante. O proprietário não será obrigado a substituir o catalisador vencido por um novo (também de qualidade questionável). Além disso, deve-se lembrar que 50% das motos nem sequer apareceram para fazer a inspeção veicular no Município de São Paulo em 2010, daí a importância vital do requisito de durabilidade dos catalisadores.

Há um consenso entre autoridades ambientais da Câmara Técnica do CONAMA e fabricantes de catalisadores, que o impacto da melhoria da qualidade dos catalisadores no preço dos veículos seria insignificante e traria benefícios sócio-ambiental-econômicos relevantes, inclusive poupando vidas. Além disso, não há justificativa plausível para que a garantia de durabilidade das emissões das motocicletas no Brasil seja menor que a dos automóveis (80 mil km), que aliás, por outra aparente falha da legislação ambiental emanada do CONAMA, é extremamente baixa, se comparada com aquela em vigor na Europa e EUA para os automóveis (160 mil km).

O tema da curta garantia de durabilidade dos catalisadores de automóveis e motos brasileiras foi apontado por seguidas vezes no seminário de 28 de abril sobre as realizações e caminhos futuros do PROCONVE e PROMOT, promovido pela Associação de Engenharia Automotiva (AEA), como um aspecto negativo desses programas a ser avaliado. Assim como os engenheiros automotivos, a sociedade brasileira deve ficar atenta no acompanhamento desse processo, em especial as dezenas de milhões de cidadãos que habitam as grandes concentrações urbanas do País, principalmente os com maior susceptibilidade a doenças cárdio-respiratórias, os que correm mais riscos caso o CONAMA persista no erro atual, os efeitos poderão consistir em uma licença para matar.

*Carlos Bocuhy é Presidente do PROAM (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental) e conselheiro do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).



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