América Latina, como vamos?

Luana Caires
01.09.2011

De acordo com estimativas da ONU, em 2050, 70% da população mundial viverá nas cidades– o equivalente a 6 bilhões de pessoas. Hoje, com apenas 3,2 bilhões delas morando em áreas urbanas a situação já é complicada, principalmente nos países em desenvolvimento. Com o objetivo de lutar por uma cidade mais democrática e sustentável, movimentos voltados para o tema surgiram na América Latina e estão arregaçando as mangas para mostrar que a mobilização e a articulação da sociedade podem transformar a gestão das cidades da região, assegurando que as políticas públicas sejam transparentes e contribuam para melhorar a qualidade de vida de forma sustentável.

Foi esse o tom do II Encontro da Rede Latino-americana por Cidade Justas, Democráticas e Sustentáveis, realizado de 29 a 31 de agosto em Salvador. Independentes e apartidários, a maioria dos movimentos da rede trabalha com indicadores concretos de qualidade de vida, que permitam acompanhar as desigualdades urbanas e aferir melhorias, especialmente no acesso a bens e serviços públicos.

Esses indicadores são agrupados por temas e cada um deles tem seus dados monitorados e divulgados por cada organização. Essa nova forma de mobilização sobre a gestão das cidades já conta com  36 movimentos em vários países latino-americanos .

Por aqui, esse tipo de iniciativa já começou a dar frutos. Graças à Rede Nossa São Paulo, com o apoio da Rede Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, tramita no Congresso Nacional brasileiro uma Proposta de Emenda à Constituição para que a “lei de metas” seja adotada para todos os governos e municípios do país. Ela obriga os prefeitos a apresentarem à sociedade civil e ao Poder Legislativo um Programa de Metas e Prioridades de sua gestão, até 90 dias após a posse, discriminando as ações estratégicas, indicadores de desempenho e metas quantitativas e qualitativas para cada um dos setores da Administração Pública.

Já o Rio Como Vamos vem acompanhando obras e ações públicas destinadas a preparar a capital carioca para receber a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Além disso, o movimento participa do Conselho do Legado, criado pela prefeitura, e do projeto Jogos Limpos, do Instituto Ethos, com o objetivo de promover maior transparência sobre os recursos investidos nesses eventos.

Confira abaixo as organizações brasileiras que participam da Rede Latino-americana por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis no Brasil. Para conferir a lista completa da América Latina, clique aqui.



Tags: , , ,




África: população urbana triplicará até 2050

Eduardo Pegurier
29.11.2010

Lagos, Nigéria, foto: BBC World Service

A população da África ultrapassou 1 bilhão de pessoas em 2009. E está fazendo o que todo país fez ou faz: se urbanizando aceleradamente. Hoje, 60% ainda vive em áreas rurais e 40% (395 milhões de pessoas) estão nas cidades. A taxa de urbanização da África é de 3,4% ao ano, a mais alta do mundo. De acordo com o relatório Estado das cidades africanas 2010 da ONU, em 2030, a população urbana ultrapassará a rural, e em 2050 os números serão o inverso de hoje, 60% morarão nas cidades e apenas 40% no campo.

Hoje, a maior cidade da África é Cairo, no Egito, com 11 milhões de habitantes; seguida de Lagos, Nigéria, com 8,7 milhões. Mas Lagos tomará a liderança em 2020. Em mais cinco anos, em 2025, Cairo também será ultrapassada por  Kinshasa, na República Democrática do Congo. A essa altura, Lagos e Kinshasa terão cerca de 15 milhões de habitantes e Cairo 13 milhões.

Por fim, na lista de quem cresce mais rápido (veja quadro abaixo), surge Dar es Salaam, na Tanzânia, que crescerá 85% nos próximos 15 anos, seguida de Nairóbi (Quênia) com 77,3% e Kinshasa com 71,8%. Para a planilha completa, clique aqui e veja a compilação do The Guardian DataBlog.

A tendência não tem nada de estranha se comparada ao desenvolvimento do resto do mundo. A Inglaterra passou por isso no século XIX e o Brasil se tornou primordialmente urbano no fim da década de 60 do século passado. Atualmente, 84,3% da população brasileira vive em cidades. Não é novidade, também, que a China vem se urbanizando rapidamente.

O problema é que, em qualquer lugar, as décadas em que essa transformação ocorre são um período caótico para as novas metrópolis. Inchadas, sofrem com falta geral de infraestrutura, o que resulta em favelas, horríveis engarrafamentos e criminalidade alta. Dos livros de Charles Dickens descrevendo a Inglaterra da Revolução Industrial à tomada do Alemão, no Rio, que acabamos de acompanhar, os registros mostram que nenhuma cidade que cresceu rapidamente deixou de sofrer.

Clique na imagem para acessar a tabela dinâmica - fonte: The Guardian




Tags: ,




Chongqing, a megalópole que mais cresce no mundo

Eduardo Pegurier
30.08.2010

Chongqing - foto: Philip Roeland

Alguém já ouviu falar de Chongqing, China? Isso não impede que meio milhão de pessoas mudem para sua área urbana todos os anos. Até 1997, o município era parte da província de Sichuan. Nesse ano, ganhou ele próprio status de província. Sua população total é de 32 milhões, maior que as de países como Malásia, Iraque e Peru. A urbana já passou de 9 milhões e, no maior ritmo do planeta, deve chegar a 20 millhões em uma década.

A China já ultrapassou os 90 municípios com mais de 1 milhão de habitantes — Chongqing é o maior. Só para comparar, o Brasil tem 14, os EUA tem 41 e a Inglaterra tem 5. Todo ano, 8,5 milhões de chineses se mudam do campo para as cidades.

Para localizar, veja a área alaranjada no mapa abaixo. Se quiser saber mais, leia a reportagem do The Guardian


View Chongqing in a larger map

Dica: Urban Demographics



Tags: