No Fashion Rio, bons exemplos da incipiente moda verde

Fabíola Ortiz
10.06.2011

Sola de sapato biodegradável da Amazonas que se decompõe em 5 anos, foto: Fabíola Ortiz

No último Fashion Rio, entre 169 grifes, apenas duas abraçaram o conceito de moda verde que inclui linhas de produtos recicláveis, reutilizados e até biodegradáveis.

Uma delas é a grife mineira Raiz da Terra Green Co. que, desde 2003, aposta na produção de roupas e calçados com ênfase em reduzir o impacto ambiental. “A moda verde é a uma marca economicamente viável, socialmente responsável e ecologicamente correta”, explica a O ECO Cassius Pereira, diretor da marca, ao destacar que a preocupação ambiental perpassa por todo o processo produtivo.

Na hora de escolher os fornecedores, a empresa é criteriosa. Só usa tecidos 100% naturais, entre orgânicos ou reciclados. O tecido orgânico é aquele cuja matéria-prima foi cultivada sem agrotóxicos ou inseticidas, como, por exemplo, algodão, linho, cânhamo e bambu. Também são usados algodão reciclado ou poliéster de PET, tanto na linha de calçados como para shorts e saias. O couro é vegetal, feito de látex fornecido do interior de São Paulo ou de cooperativas extrativistas na floresta amazônica.

As práticas administrativas e de manufatura fazem parte da mudança, o que implica o uso de papel reciclado, redução do consumo de água, luzes de Led, reutilização de resíduos de tintura e uso ou revenda de retalhos de tecidos para cooperativas que confeccionam tapetes.

Um dos maiores vilões do processo de confecção é a etapa do tingimento, pois feito em larga escala consome grande quantidade de água potável e gera efluentes poluidores. O desafio da Raiz da Terra Green era racionar o uso de água e evitar o seu descarte sem tratamento. A saída foi investir numa tintura feita com matéria-prima natural a partir de cores extraídas de elementos minerais, raízes e folhas. Não funciona para tudo: “Existem ainda certas cores que não conseguimos obter com pigmentação natural, em geral as mais escuras, o preto principalmente, mas também o marrom e o grafite”, conta Pereira. Outra medida foi “reutilizar indefinidamente” a tinta, isto é, fazer um ciclo fechado de tingimento, reciclando a água e os pigmentos utilizados.

Quase todos os produtos são biodegradáveis, a não ser o poliéster de PET que é uma fibra sintética usada na produção de solas de sapato.

Tecido piquet em poliester reciclado de garrafas PET da Raiz da Terra Green, foto: divulgação

Falta preço e fornecedor

Na avaliação da pesquisadora e professora de design sustentável do SENAI, Vânia Polly, “A moda verde já foi uma tendência, agora é uma emergência. O desafio para o mundo da moda é combinar a sustentabilidade. A moda trabalha com descarte, com o ciclo de vida do produto e, por isso, tem que trabalhar o reuso e o reciclável”. O maior entrave ainda é encontrar fornecedores dos produtos certos, por exemplo, corantes biodegradáveis e tecidos orgânicos. Igualmente não ajuda o preço das peças verdes ser mais alto do que as convencionais.

Para os pés, moda biodegradável

A segunda marca a apresentar produtos sustentáveis no Fashion Rio foi a Amazonas, do interior de São Paulo, que trabalha com chinelos de borracha recicláveis. As rebarbas que sobram da fabricação e os calçados gastos são reciclados e viram piso de borracha ou xaxim ecológico.

A sola biodegradável no sapato é outra aposta pioneira da Amazonas. Ela se decompõe em 5 anos, enquanto uma sola comum leva 500 anos para se degradar. “O solado e a cola são biodegradáveis, à base de água”, explica Leandro Araújo, representante de marketing da empresa. O preço final do calçado fica cerca de 20% mais caro usando esses materiais e, segundo Leandro, o maior obstáculo é o receio do consumidor de que o produto se desmanche. Segundo ele, isso é descabido: “Fazemos testes em laboratório e o sapato cumpre as exigências habituais e tem a mesma duração de um calçado comum”.

Sandálias de borracha reciclável da Amazonas, foto: Fabíola Ortiz

 

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15 dicas para um consumo mais sustentável

Luana Caires
09.06.2011

Avalie os seus hábitos de consumo antes de comprar sem necessidade, foto: Trevin Chow

Você já parou para pensar sobre os impactos ambientais que o seu padrão de consumo causa? As compras que fazemos – seja na feira, no supermercado ou no shopping center –, a maneira como produzimos nosso lixo, como usamos nossos eletrodomésticos, como consumimos água e energia ou até mesmo carne e produtos de madeira deixa marcas degradantes no meio ambiente. Atualmente, consumimos 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Por isso, uma mudança de atitude é mais do que necessária e é bem mais simples do que você pode imaginar. Confira abaixo algumas dicas do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) para poupar o meio ambiente com pequenas alterações em nossos hábitos.

  1. Questione e avalie os seus hábitos de consumo antes de decidir pela compra de qualquer produto e procure consumir apenas o necessário.
  2. Informe-se sobre a origem e o destino de tudo que você consome. Optar por produtos feitos com métodos sustentáveis ajuda a cadeia produtiva a ser mais responsável e minimiza os impactos no meio ambiente.
  3. Antes de comprar um novo equipamento, verifique a etiqueta e escolha aquele que consome menos energia.
  4. Evite luzes ou equipamentos ligados quando não for necessário. Os aparelho em stand-by continuam consumindo energia.
  5. Cobre das empresas de eletroeletrônicos uma política de coleta, reciclagem e fabricação de produtos  com baixo consumo de energia.
  6. Reduza o tempo do banho. Você poupa água e ajuda a diminuir o consumo de energia. E não deixe de revisar suas torneiras! Uma torneira pingando a cada 5 segundos representa, em um dia, 20 litros de água desperdiçada.
  7. Solicite produtos orgânicos com certificação de origem de qualidade de gestão ambiental aos supermercados e fornecedores de materiais de limpeza.
  8. Substitua a lâmpadas incandescentes por lâmpadas econômicas. Elas geram a mesma luminosidade, duram mais e poupam 80% de energia.
  9. Ligue a máquina de lavar roupa apenas com a carga cheia. Você poupa água, energia, sabão e tempo.
  10. Utilize sacolas de pano ou caixas de papelão em vez de recorrer às sacolinhas plásticas.
  11. Ao comprar móveis, prefira madeira certificada. Assim você evita o desmatamento da Amazônia.
  12. Sempre que possível, reutilize produtos e embalagens.
Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar. E, mesmo que não seja feita a coleta seletiva em seu bairro, separe o lixo reutilizável do orgânico e encaminhe para a reciclagem. Reciclar é uma maneira de contribuir para a economia dos recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.
  13. Diminua o uso de produtos de higiene e limpeza. Assim você reduz o nível de poluentes presentes na água e no tratamento do esgoto.
  14. Incentive a carona solidária e organize caronas com familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho.
  15. Faça as contas: ir a pé, usar bicicleta, transporte coletivo ou táxi é mais barato e polui menos do que comprar um automóvel. Mas, se a compra de um carro for inevitável, consulte a Nota Verde do Proconve no site www.ibama.gov.br e a etiqueta de eficiência energética para escolher o modelo menos poluente. E não esqueça de manter em dia a manutenção do seu veículo. Faça inspeção veicular, não retire o catalisador, devolva a bateria e os pneus usados ao revendedor na hora da troca. Os pontos de venda são obrigados a aceitar e reciclar esses produtos.

 

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Plástico verde já está pronto para ser comercializado

Fabíola Ortiz
02.06.2011

Plástico feito de etanol, foto: Mathias Cramer (divulgação)

Rio de Janeiro — A produção ainda é pequena comparada ao plástico convencional, derivado de petróleo, mas a primeira iniciativa em escala comercial da América do Sul, da empresa Braskem, já pode produzir o plástico verde comercialmente. Ele é fabricado na unidade industrial de eteno derivado de etanol, inaugurada em 2010. Essa fábrica foi destacada no Bright Green Book, que se autodenomina o “Livro Verde do Século 21”. Publicado pelo EubraConselho Euro-Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável,  apresenta 100 iniciativas mundiais da última década que se destacaram por contribuir para o desenvolvimento sustentável.

O plástico verde é feito com uma resina gerada a partir da cana de açúcar. O etanol da cana é desidratado e passa por um processo industrial para se transformar em eteno, que é, então, polimerizado. “É um plástico de origem vegetal 100% renovável. As propriedades físico-químicas são as mesmas. No final do processo, temos o mesmo plástico como se tivesse sido produzido a base de petróleo”, explicou a ((o))eco Frank Alcântara, diretor de marketing da Braskem, enquanto participava do Rio Global Green Business.

A sustentabilidade do plástico verde está na sua origem: quando a cana-de-açúcar é cultivada, o crescimento da planta captura 2,5 toneladas de CO2 da atmosfera para o equivalente a cada tonelada do polietileno verde produzido. O produto final é usado por empresas que abraçaram o conceito como pilar de sua estratégia de mercado. Isso vai desde empresas de alimentos a veículos, cosméticos, produtos de higiene e farmacêuticos.

A tecnologia em si não é uma novidade. Ela já existe desde o início da década de 80. Contudo, faltava viabilizá-la comercialmente. A Braskem investiu cerca de R$ 500 milhões no projeto, concebido com tecnologia brasileira, que tem capacidade de produção de 200 mil toneladas de polietileno verde por ano.

Este ainda é um pequeno passo comparado aos 3 milhões de toneladas/ano de plástico tradicional produzidas pela Braskem. Aumentar essa parcela depende de logística para a obtenção do etanol que é a principal matéria-prima. “A indústria petroquímica tradicional toda a base de petróleo está localizada próximo aos centros que tratam o petróleo. Então, a indústria a base de matéria-prima renovável, como a cana, é uma quebra de paradigma. Podemos ter uma indústria petroquímica produtora de resina termoplástica próxima a uma usina de etanol no interior do Brasil, como por exemplo no Mato Grosso”, explica Alcântara.

Do lado das desvantagens, o plástico verde não é biodegradável. Ele tem a mesma degradabilidade de um plástico comum à base de petróleo. “Já existem iniciativas biodegradáveis no mundo de plásticos. Mas isso requer processos caros. Está na nossa pauta produzir um plástico biodegradável”, completou Alcântara.



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This: a escova de dentes biodegradável que veio do Oriente

Luana Caires
27.05.2011

Que tal usar uma escova de dentes 100% natural?, foto: Leen Sadder

Que tal trocar a escova dental de plástico por uma feita a partir de uma matéria-prima natural? Pois a designer libanesa Leen Sadder redesenhou uma escova que é exatamente assim: ela é biodegradável e dispensa o uso de pasta de dente. Só não se assuste com a sua aparência incomum: a This nada mais é do que um Miswak – um galhinho da árvore salvadora pérsica popular como instrumento de higiene bucal no  Oriente Médio, no Paquistão e na Índia.

A prática é antiga, mas coube a Sadder redesenhá-la e torná-la um produto para o consumidor ocidental, já que poucas pessoas se animariam com o metódo, para fazer a ponta, de ter que arrancar um pedaço do galho a mordidas depois de cada uso. Por isso, ela criou uma embalagem atraente com uma tampa semelhante a um cortador de charuto. Na hora de escovar os dentes, basta girar a tampa cortante sobre o galho, arrancar a casca protetora e liberar as cerdas com os dedos. Depois é só escovar os dentes normalmente e cortar, após o uso, as cerdas já utilizadas.

 

Sadder criou uma tampa semelhante a um cortador de charuto, foto: Leen Sadder

 

O Miswak é tão eficiente quanto outros produtos de higiene bucal. Sua ação pode ser comparada a desinfetantes como o triclosan e o gluconato de clorexidina, pois suas cerdas possuem propriedades antimicrobianas, limpam a boca e evitam o mau hálito. Por isso, algumas pesquisas sugerem que, se usado de maneira correta, o galhinho pode ser até mais eficaz do que as escovas de dente convencionais.

Por enquanto, a escova This ainda não está sendo comercializada, mas outras versões de Miswaks estão à venda na internet.

 

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O papelão faz bonito como material de design

 

Via: Inhabitat



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O papelão faz bonito como material de design

Luana Caires
19.05.2011

A agência holandesa Nothing, totalmente decorada com papelão, foto: Joachim Baan

O papelão não é mais sinônimo de embalagens sem graça, designers têm apostado nesse material para criar móveis, lâmpadas, bolsas e até relógios.  Além de ser resistente a choques e a variações de temperaturas, o papelão pode ser facilmente reciclado e, mesmo se enviado para um aterro sanitário, se decompõe rapidamente.

E engana-se quem acha que a utilização dessa matéria prima no design é uma novidade. Já em 1972, Frank Gehry, apontado pela revista Vanity Fair como um dos maiores arquitetos de sua geração, lançou uma linha com 14 móveis feitos a partir de papelão. Essa ideia, no entanto, não poderia ser mais atual e está ganhando força.

Móveis da empresa sueca Retur Design, foto: ReturDesign

Na Suécia, por exemplo, a empresa Retur Design é especializada em mobília de papelão. Seus produtos são fabricados com um material mais firme do que aqueles utilizados nas embalagens comuns, o que lhes confere uma maior durabilidade, e possuem uma cobertura especial que os tornam menos inflamáveis.

 

A luminária que se transforma em sua própria embalagem, foto: Paloma Agliati

A chilena Paloma Agliati criou uma criativa luminária de papelão reciclado que, além de prática e decorativa, dispensa o uso de embalagem, pois ela mesma pode ser dobrada e transformada em uma discreta caixa.  Já o inglês Giles Miller aproveita o material para fazer bolsas, poltronas e relógios requintados.

 

Sala de reunião da agência Nothing, foto: Joachim Baan

Porém, a criação recente que mais chama atenção é o escritório da agência holandesa Nothing, em Amsterdã,  totalmente decorado com papelão pelos designers Joost van Bleiswijk e Alrik Koudenburg. Por incrível que pareça, os móveis são estáveis e, se por um acaso, a superfície de uma mesa for danificada, pode ser facilmente trocada por uma nova e por um precinho bem camarada, já que o custo do papelão é mais baixo do que, por exemplo, o da madeira.

 

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Via: Inhabitat



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Cooperativa mineira cria acessórios com design a partir de material reciclado

Luana Caires
27.04.2011

Bolsas feitas de tecidos automotivos e cintos de segurança, foto: Divulgação

Foi-se o tempo em que peças feitas a partir de matéria-prima reutilizada eram sinônimo de produtos esteticamente caretas e mal acabados. Um ótimo exemplo são os artigos da Cooperárvore,  uma cooperativa social de Betim, Minas Gerais, que produz bolsas, carteiras, acessórios e até bandejas com resíduos de materiais utilizados na fabricação de automóveis, como cintos de segurança e estofados. Também são reaproveitados banners, lona de PET e tecidos naturais, como americano cru — um algodão rústico — e chita.

Criada em 2006, em parceria com as ONGs Fundação AVSI e CDM, a cooperativa faz parte do Árvore da Vida, programa desenvolvido pela Fiat Automóvel com o objetivo de  promover a inclusão social de jovens e adultos por meio de atividades socioeducativas e de geração de trabalho e renda no Jardim Teresópolis. Hoje, 27 famílias do bairro estão envolvidas com a Cooperárvore. “Trabalho fazendo uma das coisas de que mais gosto que é costurar”, afirma Wanda Aparecida Caetano Moreira. Wanda tem três filhos que também participam do projeto. “Vou trabalhar muito tranquila, pois meus filhos vão para escola na parte da manhã e à tarde voltam para as atividades do programa. Eles não têm tempo de ficar na rua”, completa. Na cooperativa são oferecidas oficinas de serigrafia, corte, costura e artesanato.

Sacola de compras, bandeja com almofada e porta squeeze da Cooperárvore, foto: Divulgação

A confecção dos produtos é coordenada pelo designer mineiro Igor Vilas Boas, mas as peças são resultado de um processo coletivo de criação em que as ideias de todos os integrantes do grupo são levadas em conta para que sejam produzidos artigos cada vez mais criativos e funcionais. Grande parte da matéria-prima é doada pela Rede Fiat de Cidadania e são feitas mais de 20 mil peças por ano, comercializadas na sede da cooperativa, em algumas lojas de Minas Gerais e pela internet.

Além de gerar renda para a comunidade, o projeto apresenta mais uma vantagem: o fato de oferecer ao consumidor artigos sustentáveis e de qualidade por preços entre 5 e 60 reais. Valores tão acessíveis são raros no mercado de produtos verdes.  Além do uso pessoal, está aí uma opção bacana para quem procura um presente útil, original e sustentável, sem o contrassenso de ter que gastar uma fortuna.

Carteiras e nécessaires práticas e acessíveis, foto: Divulgação

 

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Brasileiros criam bioplástico a partir de fibras de frutas

Luana Caires
13.04.2011

O abacaxi é uma das fontes mais promissoras de nanocelulose, foto: beautifulcataya

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram plásticos à base de fibras de abacaxi, banana e outras frutas. Além de serem biodegradáveis e produzidos com uma fonte completamente renovável, eles são 30% mais leves e de três a quatro vezes mais fortes que os comuns.

Por conta de suas propriedades, os bioplásticos poderão trazer grandes benefícios à área médica, com uso em próteses e pinos, e poderão até  substituir o Kevlar, material usado em coletes à prova de balas e apacetes militares. Mas, a princípio, deverão ser usados principalmente na indústria automobilística para a produção de painéis e para-choques. Ao optar por esse material, os fabricantes poderão diminuir o peso dos carros proporcionando, assim,  uma economia de combustível. Outra vantagem é que esses plásticos ainda têm maior resistência a danos causados pelo calor e por derramamento de líquidos, como a gasolina .

Para fazer o bioplástico, é necessário obter nanocelulose – sintetizada a partir do tratamento intensivo da celulose. Segundo o professor e engenheiro agrônomo Alcides Leão, que lidera projeto, o abacaxi é uma das fontes mais promissoras de nanocelulose, mas a banana, o coco e a agave também podem ser utilizadas. Os cientistas colocam folhas e caules das frutas ou plantas em um equipamento parecido com uma panela de pressão. O conteúdo da panela passa por vários ciclos de “cozimento”, até produzir um material fino, parecido com o talco. Com 450 gramas dessas nanoceluloses é possível produzir 45 quilos de plástico. De acordo com estimativas dos pesquisadores, esse material deve se popularizar em mais ou menos dois anos.

Em 2009, outro brasileiro, o professor de engenharia química Leonardo Simon, mostrou que era possível utilizar a palha do trigo para produzir peças de veículos e substituir materiais não renováveis  – como carbonato de cálcio, talco e mica. Transformada em um pó, a palha é misturada com polipropileno (plástico) e pode formar peças tanto para a parte interna quanto para a externa dos veículos. No ano passado, esse plástico já era utilizado em algumas peças do carro Ford Flex. A nanocelulose também poderia ser misturada ao plástico convencional para reforçá-lo, mas, se for usada dessa maneira, o resultado final deixa de ser um produto biodegradável.

 

Via: Terra



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Etiópia exporta sapatos de pneu reciclado

Luana Caires
20.01.2011

Chinelos de algodão orgânico e sola de pneu reciclado da SoleRebels, foto: SoleRebels

Reaproveitar pneus velhos na confecção de chinelos e sandálias é um costume cultivado há décadas no segundo país mais populoso da África. Graças a uma jovem empresária, que uniu o know-how dos artesãos locais ao potencial de vendas da internet, essa atividade foi responsável pela geração de dezenas de empregos em Addis Ababa, capital da Etiópia.

Criada em 2004, a SoleRebels nasceu com o intuito de utilizar a matéria-prima local para produzir artigos sustentáveis. Como, na época, as companhias de calçados do país estavam lutando para competir com os baixos preços dos produtos importados da China, Bethlehem Tilahun Alemu – dona da marca – decidiu se concentrar no mercado externo.

Depois de a Solerebels ser reconhecida pela FLO-CERT como um empreendimento de comércio justo, a empresária começou a enviar pencas de emails e amostras dos seus produtos a lojas e sites de e-commerce americanos. Ela assinou contrato com empresas como a Whole Foods e a Urban Outfitters, que importavam seus sapatos isentos de impostos – com o incentivo do The African Growth and Opportunity Act –, mas o negócio realmente decolou quando a Amazon se tornou uma de suas revendedoras.

Prateleira da SoleRebels no Japão, foto: SoleRebels

Apenas cinco anos depois da aberta, a empresa já possuía 45 funcionários em período integral e uma produção de 500 pares de calçados por dia. Hoje, sua linha de sapatos feita a partir de algodão orgânico e sola de pneu reciclado é comercializada em 20 países. A marca prosperou no mercado externo contando apenas com uma linha de crédito oferecida pelo governo, essencial para que fosse possível atender às grandes encomendas que recebia.

Com o sucesso do empreendimento, Bethlehem pode pagar aos seus trabalhadores um bom salário para o padrão local – pouco mais de R$ 3 por dia para os estagiários e  quase R$19 por dia para os artesãos mais experientes – e ainda pôde investir na construção de uma fábrica de energia solar perto da oficina para permitir a expansão da produção.
 
Com informações do The Guardian
 
Veja também: Direto do ferro-velho para o guarda-roupa
 



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Vestido de natureza

Eduardo Pegurier
03.08.2010


Casaco "jeans" feito com bactérias de celulose

Suzanna Lee, designer, produz tecidos com uma cultura de bactérias de celulose colocadas em uma forma feita a partir de chá verde. O resultado pode ser usado em uma variedade de produtos, que vão de vestidos a sapatos. Seus pigmentos favoritos e mais funcionais são cerejas, curry, blueberries e beterraba. Ela explica:

O processo usa uma receita baseada em um xarope de chá verde, na qual é adicionado a cultura de bactérias. Leva de duas a quatro semanas para desenvolver uma peça de tecido suficientemente espessa para ser usada. Então, essas peças são secas e modeladas sobre um manequim de madeira (…) ou, de maneira convencional, costuradas. Dependendo da receita usada na cultura de bactérias, ao toque, podem parecer papel ou – mais desejável –  couro vegetal.

Nos testes de pigmentação, descobrimos que não é preciso usar ácidos (próprios para tingir tecidos) e que uma quantidade fantasticamente pequena de pigmento vai longe, fazendo com que as eco-credenciais do processo estejam presentes ao longo de todas as suas etapas. Também reciclamos parte do líquido de fermentação.

Além de ser uma das mais antigas criações do homem, tecidos compõem uma classe  de produtos onde as matérias-primas são mais aparentes. “Quero aquela camisa de algodão, lã ou seda”, pedimos. Mas não pensamos em petróleo quando olhamos para um pedaço de plástico.

A técnica de Suzanna une o instinto ancestral de transformar a natureza em roupa com uma engenhosa tecnologia. Além disso, dependendo do modelo, desperta sensações que vão do nojo a abrir o apetite. Será que podem ser degustadas quando cansarmos de usá-las? :- )

Para ver muitas fotos do processo e dos modelos confeccionados, não deixe de ir ao site da Bio-couture.

(Eduardo Pegurier)



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