Aparelho taxa motoristas de acordo com uso do carro

Luana Caires
17.08.2011

Durante o teste, o preço por quilômetro rodado variava entre 2 e 28 centavos, foto: Chriszwolle

Imagine ter em seu automóvel um equipamento semelhante a um taxímetro que medisse não só a quilometragem como também o impacto ambiental de suas viagens. Pois o governo holandês instalou alguns aparelhos como esse em carros particulares para testar um novo sistema de taxação: em vez de cobrar impostos pela compra do veículo ou do combustível, os motoristas seriam taxados proporcionalmente ao uso que fazem deles.

Conectado à internet sem fio e ao sinal do GPS, o aparelho calcula o custo de cada trajeto utilizando uma fórmula baseada na distância percorrida, na emissão de gases estufa, nos desgaste das ruas e no dia e horário do deslocamento. Assim, quem rodar mais em horários de pico e em vias de tráfego intenso pagaria mais do que aqueles que usam o carro esporadicamente. No fim do mês, o motorista receberia um conta detalhando os horários e o custo de cada viagem.

O teste teve início há dois anos e o governo holandês planejava implementar o novo sistema no ano que vem, mas, depois que um novo partido assumiu o poder em 2010, a ideia acabou não saindo do papel. Os defensores da instalação de medidores em veículos particulares afirmam que a cobrança de impostos baseada no uso seria uma maneira mais justa de o governo arrecadar receita, já que o valor das taxas decorreria do uso propriamente dito, não apenas da posse de um automóvel.

Se o projeto fosse definitivamente implantado, os aparelhos de medição poderiam ser programados para que veículos com maior consumo de combustível pagassem tarifas mais altas, já que causam um impacto maior no meio ambiente. Esse poderia ser um incentivo para que a população investisse em transportes menos poluentes, como híbridos ou carros elétricos ou optassem pelo transporte público e até pelo uso de bicicletas, por exemplo. Estudos têm mostrado que os medidores oferecem aos motoristas um feedback negativo instantâneo capaz de influenciar seu comportamento, pois associa diretamente o deslocamento ao valor gasto pelo usuário do carro.

Outros governos, tanto na Europa quanto na Ásia e nos Estados Unidos,  já demonstraram interesse em cobrar impostos por quilômetro rodado para melhorar o tráfego de veículos nas grandes cidades, mas, como o sistema envolve o monitoramento dos motoristas, muitos eleitores e políticos se opõem ao projeto alegando preocupações com a privacidade dos cidadãos ou com a aceitação por parte da população de um novo imposto. Durante o teste holandês, o preço aplicado variava entre 2 e 28 centavos de euro por quilômetro. Segundo as estimativas do governo, a previsão era de que 60 ou 70% dos motoristas pagassem menos com os medidores do que com o sistema atual de taxação.

 

Via: New York Times

 

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– Vilnius declara guerra a carros parados em ciclovias

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Controle de emissões não basta



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China: engarrafamento de 100 km já dura 11 dias

Eduardo Pegurier
26.08.2010

Em uma rodovia de acesso à Beijing, os chineses experimentam o que talvez seja o pai e a mãe de todos os engarrafamentos de trânsito. É de fazer as paralizações do tráfego paulistano parecerem um piquenique no campo. A fase mais aguda durou 11 dias que se encerraram ontem, 25 de agosto, cobrindo uma extensão de 100 km. Parece que a coisa melhorou um pouco, mas ainda não acabou. As duas principais causas do gargalo são obras viárias combinadas ao número cada vez maior de caminhões de carvão que tentam atender ao apetite insaciável de energia da capital. Por isso, especula-se que o problema possa entrar setembro a dentro. O vídeo acima mostra imagens do nono dia — com direito a áudio em mandarim.

Nos últimos anos, a China consumiu um terço do concreto usado no mundo. E embora os gastos para 2010 com infraestrutura de transporte, somente em Beijing, devam atingir 11,8 bilhões de dólares, esse esforço não está sendo páreo à velocidade com que a frota de carros e caminhões cresce. Em 2000, havia cerca de 6 milhões de veículos privados no país e quase 20 mil km de rodovias. Em 2008, embora o último número tenha triplicado para 60 mil km, a frota de carros mais que decuplicou, atingindo cerca de 70 milhões de veículos – veja o gráfico produzido pela The Economist.

Os moradores próximos à estrada aproveitaram para vender comida aos desesperados motoristas por várias vezes o valor normal. Além do tempo parado, os infelizes também pagaram um preço recorde por comida chinesa.

A matéria do Huffington Post tem boas fotos.

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Trânsito = Dois enfartes por dia

Eduardo Pegurier
18.08.2010

Podemos até cuidar da própria saúde, mas isso não impede que indiretamente enfartemos no mínimo duas vezes por dia. Não falo das artérias do nosso próprio corpo, mas de outras também importantes: as da cidade. Os engarrafamentos deixaram de ser privilégio das grandes metrópoles. São Paulo é um caos, o Rio de Janeiro também. Mas Florianópolis ou Petropólis, para citar duas cidades de porte mais manejável também têm terríveis problemas de circulação. A equação que leva a esses coágulos programados não depende do tamanho da área urbana, mas da razão carros/infra-estrutura. O número de carros não para de crescer e mesmo num local relativamente pequeno, a malha viária não costuma crescer na mesma velocidade.

E será que deveria? Devemos destruir bairros agradáveis, furar montanhas ou construir viadutos feiosos para que os carros passem enquanto a qualidade de vida da cidade é ignorada? Esse tipo de pergunta e suas possíveis respostas serão um assunto recorrente de Oecocidades.

Para refletir sobre o assunto, acompanhe as animações de Pedro Miguel Cruz, um português que soma sua formação tecnológica com seu talento artístico. O resultado é sensacional.

Nos vídeos abaixo, acompanhe 24 horas de trânsito em Lisboa. Nos dois vídeos, vermelho significa trânsito lento e, verde, trânsito rápido. Quanto mais grossa a artéria maior o fluxo de veículos. Na primeira animação, que usa pouca cor, as bolotas são “coágulos urbanos”, vulgo engarrafamentos.

As visualizações produzidas por Pedro são muito parecidas com o que vemos nos monitores dos exames cardíacos modernos. Dessa vez, mostram o nosso enfarto viário de cada dia.

Visualizando o tráfego em Lisboa por Pedro M Cruz

Tráfego em Lisboa – ênfase nas áreas engarrafadas — Pedro M Cruz

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Para ver outras visualizações como essa, não deixe de conferir o site do próprio Pedro. Dica do recém lançado, mas desde o início ótimo Urban Demographics..



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