Retrofit: recuperando espaços esquecidos

Luana Caires
08.01.2011

Torre d´água transformada em casa na Bélgica, foto:Bham Design Studio

Bastante comum na Europa, a adaptação de prédios antigos às necessidades e tecnologias modernas vem ganhando cada vez mais prestígio entre engenheiros e arquitetos.  Além de reaproveitar as construções já existentes, mantendo sua estrutura original e preservando sua história,  essa prática — conhecida como retrofit — resgata possibilidades de uso para espaços antes considerados improváveis para a habitação.

A sala e a cozinha da torre, foto: Bham Design Studio

Na Bélgica, por exemplo, uma torre d´água de seis andares foi transformada no Chateau D´eau (Castelo d´água em francês), uma magnífica casa com hall de entrada, sala de máquinas e armazenamento, dois quartos, dois banheiros,  cozinha  e sala de estar conjugadas, que oferecem uma bela vista da vizinhança.

O forte e suas novas janelas, foto:Billings Jackson Design

Já na Inglaterra, um forte do século XIX foi adaptado pelo arquiteto Duncan Jackson para se tornar um lar, mas a tarefa não foi fácil. A estrutura circular do prédio, suas paredes grossas e as poucas janelas exigiam um projeto muito bem pensado, que solucionasse os problemas da edificação sem modificar suas características históricas. Para melhorar a luminosidade do local, foi preciso instalar um telhado de metal leve posicionado acima de um círculo de janelas, que permite a entrada de uma quantidade generosa de luz sem intervir na forma original da fortificação.

O silo e o edifício a que deu origem, foto: CF Møller

E, na Dinamarca, um prédio residencial foi criado a partir da estrutura de um silo abandonado — reservatório fechado destinado ao armazenamento de cereais.  Em volta dele se localizam 21 apartamentos com sacadas de posições diferentes, permitindo o aproveitamento da luz natural, diferentes vistas da paisagem local e mais privacidade aos seus moradores. Localizado próximo a um parque, o edifício conta com área verde destinada aos condôminos e com um centro comercial em sua base para evitar que seus residentes tenham que viajar longas distâncias para fazer compras.

O prédio e seu centro comercial, foto: CF Møller

via Inhabitat

 



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Ecocasa de sonho feita com as próprias mãos

Luana Caires
24.12.2010

A ecocasa construída por Simon e Jasmine, foto: Simon Dale

Simon Dale e Jasmine Saville precisavam de uma casa, mas, com dois filhos pequenos para sustentar e uma renda anual de £5 mil ( cinco mil libras, equivalente a pouco mais de 13 mil reais), o aluguel ou o financiamento de um imóvel não eram opções viáveis. Muito preocupados com o impacto que o estilo de vida moderno causa na natureza, eles sonhavam com uma vida mais simples e, depois de muita pesquisa, decidiram construir um lar eles mesmos.

O casal com os filhos Cosmo and Elfie, foto: Simon Dale

Um conhecido, dono de uma floresta no oeste do País de Gales, lhes ofereceu um pedaço de terra e ainda pagou uma parte dos materiais para que pudessem transformar em realidade a sua ecocasa. Simon, que trabalha com web design e fotografia, tinha pouca experiência com construção, mas, com  a ajuda do sogro e de alguns amigos, conseguiu concluir o projeto em quatro meses. O processo, no entanto, não foi nada fácil. Eles tiveram que morar com  parentes por algum tempo, depois acamparam no local com seus dois filhos pequenos  e enfrentaram 6 semanas de chuvas tendo apenas uma lona para protegê-los. Além disso,  ficaram 3 meses sem banheiro ou eletricidade. Mas todo o perrengue valeu a pena. O resultado de 1.000 a 1.500 horas de trabalho e 8 mil reais de material foi uma linda casa orgânica, tão lúdica que parece ter saído de um conto de fadas.

A cozinha vista do mezanino e sala de estar, foto: Simon Dale

Quase tudo usado no projeto é reciclado ou  foi tirado da própria floresta. A construção é parcialmente enterrada para facilitar o isolamento térmico e reduzir o impacto visual. As paredes são de gesso, cal e barro; enquanto o telhado foi feito em camadas, que usaram tecido de algodão rústico, palha, forragem e terra batida. Acabou coberto de verde. Uma clarabóia permite aproveitar a luz natural, painéis solares fornecem energia, o sistema hidráulico aproveita a água vinda de uma fonte próxima ao local e, por fim, banheiro seco, que permite fazer compostagem com os próprios resíduos.

O novo lar na ecovila do projeto Lammas, foto: Simon Dale

E a aventura do casal não parou por aí. Eles se juntaram ao Lammas Project, uma organização voluntária que trabalha para promover o desenvolvimento de baixo impacto ambiental. Por meio desse projeto, conseguiram uma autorização para construir uma ecovila em agosto de 2009. Eles se mudaram para o local e, desde então, trabalham em uma nova casa. Nessa comunidade, Jasmine e Simon dedicam 90% do tempo ao seu pedaço de terra – cultivam sua própria comida, criam animais, reaproveitam a madeira local – e se esforçam para levar uma vida autossuficiente.



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Cabana high-tech inspirada no “Walden”, de Thoreau

Luana Caires
11.12.2010

A ecocabana, laboratório dos estudantes da Texas Tech foto: Urs Peter Flueckiger

“De que adianta uma casa se não há um planeta tolerável onde construí-la?” A frase do escritor Henry David Thoreau foi dita há mais de um século, mas continua a inspirar as pessoas – ainda mais em um mundo em que as mudanças climáticas e o desenvolvimento sustentável se tornaram questões prementes. No Texas, um grupo de arquitetos e estudantes construiu uma cabana para testar artifícios arquitetônicos sustentáveis e comprovar na prática sua eficiência – experiência semelhante à que viveu o autor.

Insatisfeito com a sociedade e o modo como as pessoas viviam em sua época, Thoreau abandonou a cidade e se refugiou na floresta, onde construiu sua casinha e tentou levar uma vida autossuficiente. Lá, ele escreveu “Walden ou A vida nos bosques”, em que descreve sua estadia na mata e convida a uma reflexão sobre um modo de vida simples. Lançada em 1854, a obra se tornou um referencial para a Ecologia e seu livro mais famoso.

O interior e a fachada da ecocabana, foto: Urs Peter Flueckiger

Assim como Thoreau procurava  oferecer  ao leitor o que aprendeu na floresta, os participantes desse projeto pretendem estudar soluções ecológicas – como aproveitamento de água da chuva, ventilação natural e energia solar – que permitam aos arquitetos criar projetos baratos, que possam ser adaptados às casas já existentes.

Para isso, um time do escritório Urs Peter Flueckiger e estudantes da Texas Tech University construiu a casa das fotos a partir de um chassi de metal reciclado, revestido de cedro no exterior com interior de bambu e pinho amarelo. O isolamento térmico foi feito com o uso de algodão reciclado. A cabana é equipada com um banheiro seco e é abastecida por energia solar, armazenada em  baterias. Por meio da análise desse modelo, será estudado, por exemplo, o desempenho dos seus painéis solares e a resistência dos materiais utilizados. Como em Walden, o grupo quer aprimorar o projeto a partir da experiência de vivê-lo. Além de Thoureau, o grupo também buscou inspiração no “Cabanon”, exercício minimalista de Le Corbusier e a única construção que o famoso arquiteto suiço fez para si mesmo.

Estrutura de metal construída pelos estudantes, foto: Urs Peter Flueckiger

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Telhados verdes: eles vieram para ficar

Luana Caires
09.12.2010

Telhado verde ondulado - hotel em Stavanger, Noruega - foto: JDS Architects

A modalidade começa a ser difundida pelos Estados Unidos e, na Europa, já entrou no estágio da experimentação com novas possibilidades de formas e designs. Além de melhorar a absorção da água da chuva, promover um melhor isolamento acústico e diminuir a concentração de poluentes na atmosfera, um estudo da Universidade de Columbia demonstrou que ao revestir a cobertura de um prédio com uma camada de terra e plantas é possível diminuir em até 84% sua absorção de calor.

Formados em cima de uma membrana impermeável –  em contato com a estrutura do teto – , uma camada de drenagem, terra e uma cobertura vegetal, os telhados verdes têm temperaturas muito próximas às do ambiente. Isso ocorre porque as plantas evaporam grandes quantidades de água, resfriando o edifício e atuando como verdadeiro antídoto contra a formação de ilhas de calor urbanas, o aquecimento excessivo gerado pelas construções e asfalto das cidades. Já os tetos convencionais podem atingir temperaturas de 80oC às 13h, mesmo fora do alto verão.

Em Amsterdã, o telhado verde pode ser usado como terraço, foto: Divulgação

Apesar de custar quase três vezes mais que o convencional, o número de telhados verdes está aumentando nos Estados Unidos. No ano passado, foram implantados em Chicago quase 56 mil metros quadrados de cobertura vegetal em prédios. Breve, esse número vai mais que decuplicar, atingindo 650 mil metros quadrados, pois a cidade tem outros 600 projetos na manga. Washington adicionou mais de 17 mil metros quadrados em 2009, e pretende alcançar a meta de ter 20% de telhados verdes até 2020.

Já em Nova York, a prefeitura criou subsídios para incentivar seus habitantes a recorrer ao telhado verde, e já é possível notar uma Manhattan mais esverdeada. Aprovada em 2008, a lei permite abatimentos em impostos no valor de até U$ 100 mil por ano. E o investimento vale a pena. No James Farley Post Office, edifício com a maior cobertura vegetal da cidade, o escoamento de água da chuva foi reduzido em 75% no verão e 40% no inverno desde que o telhado foi instalado. Isso porque as camadas de plantas e terra absorvem grande parte dessa água, evitando que ela sobrecarregue o sistema de drenagem da cidade e contribua para eventuais enchentes. Além disso, como a cobertura vegetal resfria o prédio no verão e funciona como isolamento térmico no inverno, estima-se que ela promova uma economia de U$30 mil ao ano com gastos de energia.

Na Polônia, telhados verdes quase de se confundem com a paisagem natural, foto: Divulgação

Na Europa, essa tecnologia tem sido utilizada há quase 30 anos. Em algumas cidades, como Stuttgart, na Alemanha, e Copenhagen, na Dinamarca, a utilização de cobertura vegetal é obrigatória para a maioria das novas construções. E já tem gente experimentando com novas formas e designs. Na Noruega foi construído um hotel com telhado verde ondulado em que os hóspedes podem subir para tomar um ar ou fazer exercícios. Em Amsterdã há um prédio residencial com essa mesma ideia, só que cada apartamento tem a sua própria saída para o terraço. Além disso, a construção foi toda planejada para aproveitar ao máximo a luz natural. E no interior da Polônia foram feitas casas com extensos telhados verdes que quase de se confundem com a vegetação local, diminuindo o impacto da arquitetura na paisagem natural.

 



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Uma casa construída com cânhamo

Eduardo Pegurier
03.12.2010

Casa de 315 metros feita com cânhamo, Ashville, Carolina do Norte

Uma casa de 315 metros quadrados feita de Cannabis, o cânhamo, acaba de ser concluida em Ashville, no estado americano da Carolina do Norte. Não se trata da Cannabis usada para produzir a maconha, mas a sua variedade industrial, que possui um teor muito pequeno de THC, o princípio psicoativo da droga. Esse tipo de cânhamo é usado há séculos para produzir tecidos, cordas e também como material de construção. Ambos, o papel onde foi escrita a constituição americana e as velas das embarcações que trouxeram Cabral ao Brasil eram feitos com essa matéria-prima.

A mistura das fibras da planta com cal e água resultam no Hemcrete (contração de hemp, cânhamo em inglês, e concrete, o nosso concreto). É difícil encontrar material melhor para a ecoconstrução. Para começar é neutro em gases do efeito estufa, porque, ao se desenvolver, o cânhamo sequestra carbono em uma proporção de 22 toneladas por hectare plantado. Também cresce rápido e é simples de cultivar. O resultado é um material barato e durável — uma ótima herança para filhos, netos, bisnetos, etc. —  com vida útil estimada entre 600 e 800 anos. Ao contrário do que se poderia imaginar, não expele qualquer tipo de toxina. Não é piada. Segundo o construtor, nenhuma outro material mantém o ar interno da casa tão puro.

Mas por ser uma variedade de Cannabis, o cânhamo industrial sofre preconceitos. Mesmo sendo inapropriado para a produção da droga, seu cultivo é proibido nos EUA, o mesmo país onde 19 estados já legalizaram a produção de maconha medicinal, aceita como tratamento complementar de doenças em que é preciso aliviar a dor ou aumentar o apetite do paciente. Para construir essa casa, foi preciso importar a matéria-prima da União Europeia. Lá, as plantações são legalizadas, mas só em terrenos de no máximo 1 hectare.

Além da estrutura de cânhamo, a casa de Ashville usa outros materiais sustentáveis. O principal é o PurePanels, usado em paredes e portas e produzido 100% com pasta de papel reciclado. A construtora já tem demanda para construir na mesma região mais dois pequenos conjuntos, com 5 casas cada. E já coleciona encomendas de projetos para o Texas e o Colorado. Quanto as inevitáveis brincadeiras e para refrear o ímpeto de incendiários com segundas intenções, o dono da empresa, David Mosrie, se antecipa:

– Nós falamos para as pessoas que, para ficar ‘high’, elas teriam que fumar o equivalente a suíte principal do imóvel, ou cerca de 1.130 kg de cânhamo. Não vale o esforço”.

Ok, só não precisava chamar a empresa de Push Design. O trocadilho com pusher não vai pegar bem.

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Veja detalhes da construção, abaixo, no vídeo produzido pela CNN



Adendo: dica do blog RPPN Rio das Lontras, aqui vai uma outra casa de cânhamo, dessa vez de um brasileiro que mora no Canadá, com muitas fotos documentando sua construção.

 



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Areia + Microrganismo = Adeus Asfalto

Eduardo Pegurier
10.11.2010

A pavimentação a base de asfalto é tóxica e uma das maiores vilãs do chamado efeito ilha de calor urbana. Tentando achar uma solução melhor, os designers Thomas Kosbau e Andrew Wetzler propuseram trocar o asfalto por um arenito orgânico. É isso mesmo, ele é feito de areia comum e um micróbio que, misturados, formam uma espécie de cimento – os detalhes estão na ilustração. Os dois foram premiados no concurso coreano iida Awards, organizado pela Designboom. Entre as vantagens, a técnica promete refrescar as cidades, reduzindo a temperatura do entorno de 2 a 3 graus,  e, como o material reflete a luz, diminuir a necessidade de iluminação noturna, poupando energia. Se for durável e puder ser usado pelo menos em ruas, é revolucionário. Aumentará o conforto e não sofrerá de falta de matéria-prima: areia é abundante em todo o planeta.



Nas palavras dos criadores do projeto:

“O mundo sofre com um material encontrado em frente a todas as construções. O asfalto tem sido usado como a forma de pavimentação mais comum durante os últimos 80 anos. Químicos altamente tóxicos são liberados durante a sua produção, instalação e através de gases emitidos durante a sua vida útil. Por alcançar temperaturas na faixa de 48-67 Celsius, o asfalto é uma das principais causas do efeito ilha de calor urbana. Para produzir a quantidade que já foi usada até hoje na Coréia foram necessário 28 milhões de barris de petróleo. Essa quantidade é mais ou menos equivalente a 5 vezes o óleo derramado no acidente que ocorreu no Golfo do México”.

Via Inhabitat



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Urucureá: escola ribeirinha sustentável

Eduardo Pegurier
09.11.2010

 

fotos: Eduardo Pegurier

As fotos desse post mostram a escola de ensino fundamental Dom Pedro I, na comunidade Urucureá, localizada à margem do Arapiuns, um afluente do rio Tapajós. Esse vilarejo ribeirinho fica bem próximo da cidade de Santarém, Pará, e tem cerca de 250 habitantes. Estive lá conhecendo o trabalho de suas artesãs e o projeto de ecoturismo da Saúde & Alegria. Foi uma experiência e tanto. Um dos pontos marcantes foi essa escola. As conversas com Raul Bueno e Adriana Sansão, arquitetos que costumam escrever para ((o))ecocidades, me ensinaram as lições básicas de construção sustentável. Quando vi esse prédio, me senti também diante de uma aula.

O clima local é quente e úmido. Não faz frio na região de Santarém, me contam os locais. Lá, como no resto da Amazônia, existem de fato duas estações, cada uma com seis meses. Na primeira, eufemisticamente chamada de inverno, chove muito e os rios sobem, mas o termômetro não cai abaixo de 25 graus. A segunda é seca e mais que justamente chamada de verão, com temperaturas em torno dos 35 graus. A umidade do ar é sempre alta e, quando o sol bate, o negócio é literalmente sair de baixo. O calor é constante, tão presente que parece ser possível nadar através dele.

Vejam, então, que construção simples e elegante. Os telhados são largos para prover o máximo de sombra, o teto é alto para permitir que o calor suba e todas, todas mesmo, as paredes são feitas com um tijolo que oferece 6 grandes orifícios. Elas têm cerca de 2 metros de altura e tomam uma parte do pé direito, que deve passar fácil de 3 metros. Daí para cima, as laterais são abertas, protegidas apenas por uma grade, para impedir entradas indesejadas. O ar está sempre permeando e transpassando as salas de aula, e a luz entra livre por cima ao mesmo tempo que, quebrada, chega através dos vazados na parede. Essa escola não precisa de luz elétrica para funcionar. Nem podia, porque lá só com gerador esse luxo é possível.

De qualquer ângulo que se olhe o conjunto ele parece leve, mas sólido e altivo. Convida a entrar e a… aprender.

Ao contrário dos bem vedados espigões de concreto que construímos normalmente, não briga com o seu ambiente, joga com ele. Os materiais são baratos. Deve ter custado pouco. Mostra que quando o orçamento é pequeno os neurônios funcionam bem.



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Cortinas verdes abaixam temperatura em até 15 graus

Eduardo Pegurier
14.09.2010

Kyocera: cortina verde da fábrica de Kagoshima, Japão - foto: divulgação

A foto acima foi tirada em uma fábrica da cidade de Kagoshima, no Japão. Ela faz parte do enorme conglomerado Kyocera, que tem cerca de 60 mil funcionários e divisões espalhadas em várias cidades do Japão. Pois bem, em 12 desses locais, desenvolveu-se um programa de “cortinas verdes”: plantas cultivadas em treliças, que protegem do sol janelas e paredes.

Como mecanismo redutor de temperatura, os resultados foram excelentes. Mediu-se uma diferença de 15 graus celsius favorável às superfícies protegidas por essas plantas, que além de barreira ao sol também geram conforto térmico através da evaporação da umidade armazenada em suas folhas.

A solução permitiu que os escritórios e fábricas beneficiados pelo programa parassem de usar ar-condicionado. E ainda trouxeram um benefício extra: comida. Para formar a cortina, o pessoal usou plantas de cabaça azeda (bitter gourd, uma iguaria japonesa) ou feijão. A colheita foi parar no refeitório e, em seguida, no prato dos funcionários. Fez tanto sucesso que vários começaram a experimentar a ideia em suas próprias casas.

Se você gostar, a Kyocera publicou a sua receita de cortina verde. Lá, mostra que entre o plantio e o desenvolvimento se gasta cerca de um mês. Só não se esqueça de considerar que tipo de insetos a sua nova cortina atrairá.

Até agora, diz a empresa, o programa de cortinas verdes já atingiu uma extensão de 294 metros, que cobriram uma área de 775 m2.  Isso equivale em termos de absorção de carbono a plantar 194 árvores — no caso, cedros.

via: Lifehacker



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Um escritório integrado com a floresta

Eduardo Pegurier
09.09.2010

Nos arredores de Madri, essa é a instalação do escritório de arquitetura Selgas Cano. Encantador pela simplicidade, não passa de um tubão parcialmente enterrado no solo para melhorar o seu isolamento térmico. Dentro, o espaço de trabalho é contínuo e minimalista.

De um lado do teto desce, até a altura de onde estariam as janelas, uma estrutura translúcida. Ela percorre todo o comprimento do lugar, fazendo com que seus ocupantes quase toquem o belo bosque que os cerca – clicado em pleno colorido outonal. Parecem estar dentro de um vagão de trem que cruza extensa floresta.

As fotos são de Iwan Baan, fotógrafo holandês, entre os mais famosos nessa área. E por boa razão: produz imagens estonteantes dos mais audaciosos projetos de arquitetura espalhados pelo planeta.

foto: Iwan Baan

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Telhado verde: os Jardins da Babilônia continuam funcionais

Raul Bueno
02.09.2010

A primeira cobertura verde que se tem notícia são os jardins suspensos da Babilônia. Diz a história que Nabucodonosor os construiu para alegrar sua esposa doente, que tinha saudades das árvores da Pérsia. Milênios depois, no nascimento do movimento moderno nos anos 30, elas voltaram a ser notícia: Le Corbusier apontava o terraço-jardim como um de seus 5 pontos da nova arquitetura. Sua ideia era, principalmente, recuperar o espaço verde tomado pela arquitetura sobre o terreno.

Hoje, um dos melhores motivos para adotar a cobertura verde é melhorar o isolamento térmico das edificações. Na escala urbana, ela aumenta a absorção de águas pluviais e, melhor ainda, reduz a temperatura da cidade, reduzindo o fenômeno chamado Ilha de calor. Desde 1998, a cidade de Chicago incentiva a prática e se tornou a capital americana do green roof. Comparada a cidades sem leis de incentivo, Chicago e Washington D.C. — outra que entrou na moda — têm cerca de 4 vezes mais área de cobertura verde. A revista America Metropolis, no artigo “Charting our progress“, lista as principais vantagens da modalidade. Por exemplo, uma laje de concreto chegam a temperaturas de 70ºc ao meio-dia, enquanto uma cobertura verde, ao lado desta laje, fica na casa dos 25°c.

Em casa, o proprietário que quiser optar por uma cobertura verde tem duas opções: a primeira, e mais barata, é ter um telhado verde. As plantas simplesmente ficam lá. O acesso se dá apenas para a manutenção — que, aliás, ao contrário da crença comum, é tão rara quanto a de um telhado cerâmico ou de laje impermeabilizada. Embora o investimento passe um pouco mais do dobro de um telhado simples, ao longo dos anos, o telhado verde reduz fortemente o consumo de energia elétrica. A dissertação de mestrado de Caroline Santana de Morais, Desempenho Térmico de Coberturas Vegetais, apontou uma diferença de 4ºc entre dois ambientes: um de cobertura comum e outro com telhado verde. Fazendo as contas, ao longo de um verão, isso resulta em uma diferença enorme na conta do ar-condicionado ou pode até dispensá-lo.

terraço-jardim possui as mesmas vantagens térmicas e ecológicas do telhado verde, mas seu espaço pode ser usado como jardim no sentido estrito ou para uma horta urbana. Nessa cobertura transitam pessoas e coexistem diversas espécies de plantas. A complexidade do espaço aumenta e o custo de construção e manutenção também. Mas porque reclamar? O investimento valorizará o imóvel, aumentando a sua área de lazer. Feliz o seu beneficiário, que vai se sentir um Nabucodonosor moderno!

O movimento de arquitetura modernista brasileiro foi precursor do terraço-jardim. Um bom exemplo são os jardins do Palácio Gustavo Capanema, projetados por Burle Marx. Hoje, é no exterior que a solução está mais em voga. Entretanto, acredito que ela voltará a ganhar força no Brasil. O interesse pelo assunto está crescendo. No Jardim Botânico, Rio de Janeiro, o escritório TAMABI fez uma cobertura com telhado verde. No Rio Grande do Sul, a firma Gaúcha Ecotelhado vende kits fáceis de aplicar e que já vem com as mudas plantadas.

Veja também o Projeto Roof Policy ganhador do Prêmio Holsim, que propõe telhados verdes para toda a cidade de Buenos Aires. E confira a matéria de Lúcia Nascimento, em Oeco, A onda dos telhados verdes.

Os Jardins suspensos e a cobertura projetada pelo TAMABI. Maravilha antiga e construções contemporâneas

*Raul Bueno mora no Rio de janeiro e é um ciclista inveterado. Só falta pedalar da Urca ao Fundão. Além disso é Arquiteto Urbanista, trabalha na Defournier & Associados e leciona no Bennett e na FAU-UFRJ.



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