Seminário debate como combater mudanças climáticas em SP

Luana Caires
29.06.2011

O evento encerra a série de intervenções urbanas do programa "Clima e Consumo", Ilustração: Idec

A gente se esquece, mas o cidadão comum também está envolvido com as mudanças climáticas. Além de sermos direta ou indiretamente afetados por elas, somos nós os maiores responsáveis pelo aumento da emissão de gases estufa na atmosfera, seja pela utilização de combustíveis fósseis, pela queima e desmatamento das árvores, pela má administração dos nossos resíduos ou até mesmo por consumir produtos de empresas que pouco se importam com práticas ambientais sustentáveis. Para discutir melhor esse tema aplicado à realidade paulistana, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e o Vitae Civilis realizam, dia 07 de julho, das 9h às 12h30, o seminário “Mudanças climáticas e consumo em São Paulo”, com Apoio do FEMA (Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) e da UMAPAZ (Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz).

O objetivo do seminário é debater sobre as alternativas concretas para o combate às mudanças de clima e para tornar a capital paulista mais sustentável. Estarão presentes, entre outros convidados, Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho, secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, e Helena Magozo, diretora do FEMA. Além disso, o professor Oswaldo Massambani, membro do Comitê Municipal de Mudança do Clima e Ecoeconomia, apresentará as diretrizes para o Plano de Ação da Cidade de São Paulo para Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas.

O evento encerra a série de intervenções urbanas do programa “Clima e Consumo em São Paulo“, projeto com o intuito de sensibilizar o consumidor para a relação entre o seu padrão de consumo e o clima, pressionar empresas por mudanças nos processos de produção e dialogar com governos para que adotem políticas públicas que ampliem o combate ao desmatamento e que façam valer o respeito ao direito de informação do consumidor. “As mudanças climáticas já estão afetando a vida na cidade, especialmente o cotidiano das populações mais vulneráveis. Por isso, é urgente que governos, empresas e consumidores dialoguem e assumam suas responsabilidades na transformação dos atuais padrões de produção e consumo”, explica Adriana Charoux, pesquisadora do Idec.

Para participar do seminário, faça sua inscrição gratuita clicando aqui. Mas seja rápido porque as vagas são limitadas!

 

Serviço:

Data: 07 de julho de 2011 (quinta-feira)

Horário: 9h00 às 12h30

Local: Auditório Umapaz (Av. IV Centenário, 1268 – Portão 7A, Parque Ibirapuera, São Paulo, SP)

 

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Cidades e mudanças do clima, a corrida da adaptação começou

Cristiane Prizibisczki
08.06.2011

 

Resiliência pode ser entendida como a habilidade de uma comunidade de suportar, sobreviver, se recuperar rapidamente e continuar funcionando após uma crise ou desastre. Isto é, a capacidade de se adaptar a um novo cenário. Com a percepção de que eventos climáticos extremos aumentaram, o movimento para se adaptar à nova realidade já começou. Segundo levantamento da organização Governos Locais para a Sustentabilidade (ICLEI), a maioria dos planos de adaptação às mudanças no clima, no entanto, ainda está no papel, ou seja, na avaliação dos riscos ou intenção em agir. Pesquisa realizada pela organização com 493 de seus membros mostrou que apenas 17% dos planos iniciaram ações. Cidades européias e asiáticas estão à frente nesta corrida, de acordo com o estudo, apresentado no último final de semana no 2º Congresso Mundial sobre Cidades e Adaptação. Centros urbanos da América Latina estão na última posição. (confira gráficos).

A adaptação pode ser traduzida em medidas muito simples e baratas, como sistemas de aviso de enchentes por SMS ou a manutenção da limpeza de ruas para evitar entupimento de valas e esgoto e, assim, diminuir o risco de alagamentos. Muitas das ações feitas por governos municipais, inclusive, poderiam ser consideradas estratégias de adaptação à mudança do clima, mesmo que esta relação não seja clara ou explícita. “A adaptação não têm que necessariamente custar muito, é mesmo uma coisa de melhores práticas e procedimentos que as municipalidades já tem capacidade de implementar”, defende Vesna Stevanovic-Briatico, do governo da cidade de Toronto, Canadá.

Mas as reais medidas que deixarão as cidades mais resilientes passam por decisões complexas e caras, como a reestruturação de todo o planejamento urbano, redefinição de prioridades e investimentos pesados. Durante o encontro em Bonn, nas experiências particulares de cada agrupamento urbano – de países ricos e pobres – foi possível identificar algumas idéias comuns, como a necessidade de incluir toda a sociedade na formulação dos planos, o envolvimento de governos locais como sendo crucial, a exigência de uma forte liderança política e, acima de tudo, colaboração. As tecnologias já existem e a necessidade se mostra cada vez mais urgente. Falta agora, segundo os participantes do evento em Bonn, vontade de se mexer.

Cidades líderes – O Instituto Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento (iied) identificou as 14 cidades (veja ilustração do mapa mundi) que estão à frente na corrida por adaptação. Elas foram destacadas porque, mesmo sem contar com ferramentas básicas, em alguns casos, e uma escala relevante de informação sobre possíveis impactos, foram capazes de iniciar seus planos de adaptação. Segundo David Dodman, pesquisador do Instituto, o que as diferencia é o fato de estarem tomando ações independentes da resposta de governos nacionais e decisões internacionais. Cada uma com sua realidade e recursos, elas resolveram não esperar pelo futuro, mas sim evitar o que ele promete.

Confira o que algumas cidades ao redor do mundo já estão fazendo para se adaptar.

Essen (Alemanha) – Entre as dez maiores cidades da Alemanha, Essen sofre dos problemas comuns aos grandes centros urbanos: alta densidade populacional, impermeabilização do solo, falta de áreas verdes e ilhas de calor em regiões específicas. A resposta para o problema está focada em realidades locais, como Altendorf, área escolhida para receber um projeto piloto de “esfriamento”. A região já começou a se transformar e, em futuro próximo, terá apenas prédios baixos – até quatro andares – com diferentes alturas e que não estejam ligados ou muito perto um dos outros, para evitar acúmulo de calor e não bloquear correntes de vento; a fachada das construções será voltada para um parque próximo visando receber o vento que vem de lá; espaço terá árvores e áreas verdes para se beneficiar da sombra e telhados serão construídos de forma plana, para receber painéis solares e áreas verdes. O resultado esperado é o “esfriamento” não só de Altendorf, mas também de áreas adjacentes.

Veneza (Itália) – Em 2008, o governo de Veneza, lançou um sistema gratuito de aviso sobre enchentes via SMS. Basta se cadastrar para receber mensagens com até 36 horas de antecedência sobre alagamentos e entre seis e três horas sobre a ocorrência de chuvas pesadas. O sistema de mensagens também avisa quando o tempo vai melhorar e quando as águas baixaram. Famosa por sua proximidade com a água, a relação que a tornou famosa é hoje uma ameaça. No começo do século 20 a cidade tinha de lidar com menos de 10 ocorrências por década da ‘ácqua alta’ – com é chamada a elevação do nível das águas. Hoje, são cerca de 53. Um projeto de R$ 25 bilhões, o Mose, está sendo implementado pela cidade para protegê-la de um aumento de até 60 centímetros — previsto pelo IPCC —  no nível do mar até o final do século.

Enxurrada destrói estrada, Toronto. Foto: cortesia de Jane-Finch.com

Toronto (Canadá) – Em 2005 a cidade de Toronto sofreu uma de suas maiores enchentes, evento que deixou centenas de pessoas temporariamente desabrigadas e trouxe um prejuízo de 547 milhões de dólares. Isso foi o bastante para que o governo local implementasse uma série de programas de curto e longo prazo de prevenção e combate ao problema. Entre as medidas que estão sendo tomadas está o aumento de sistemas de drenagem urbana, incluindo calçadas permeáveis, bacias de retenção de águas pluviais, valas e banhados; expansão de galerias pluviais e vias de escoamento; além de incentivo por meio de subsídios para instalação de bombas e válvulas em sistemas de esgoto doméstico. O governo também tem subsidiado a criação de telhados verdes para prédios novos e já existentes. Quando se trata de adaptação às mudanças climáticas, Toronto pensa longe: os programas consideram período de até 25 anos.

 

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Cidades resilientes

 

*Cristiane Prizibisczki é jornalista free-lance e atualmente desenvolve pesquisa sobre mídia e mudanças climáticas em centros urbanos na Universidade de Cambridge.



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Metrópoles trocam receitas para diminuir suas emissões

Juliana Tinoco
07.06.2011

Madrid com o céu tomado por uma mancha cinza-chumbo, foto: Sérgio Alcántara

Grandes cidades ocupam somente 2% da superfície da terra, mas são responsáveis por 80% das emissões de gases estufa, garantem cálculos apresentados durante evento do C40link , grupo de quarenta metrópoles reunidas para discutir soluções para o clima. Em encontro na semana passada em São Paulo, representantes das cidades falaram em metas e iniciativas para frear o aquecimento global.

Os planos soam ambiciosos. Copenhage, capital da Dinamarca, quer ser neutra em carbono até 2025. Sidney, Áustralia, reduzir em 70% suas emissões até 2030. Hong Kong (China) e Madrid (Espanha) pretendem diminuí-las ao menos pela metade, a primeira nos próximos 10 anos, a segunda em 40 anos. No Brasil, somente a cidade de São Paulo possui uma meta de redução anunciada: 30% até 2050.

Para chegar lá, as cidades precisam investir pesado em áreas como geração de eletricidade, aquecimento e transporte, diz Manish Bapna, vice-presidente da World Resources Institute (WRI)link. “Do total de gases estufa que emitimos, 65% vem do setor de energia, dominado pelos combustíveis fósseis. Renováveis representam 30% da produção mundial, a maior parte vinda de biomassa tradicional. As modernas, como solar, eólica e geotérmica, não somam nem 1%”, afirma Babpa.

Em algumas cidades, no entanto, este panorama já vem mudando. Em Copenhagen, cada saco de lixo equivale a três horas e meia de eletricidade para uma casa. O sistema de geração de energia por incineração de resíduos aquece 97% das residências da cidade e mais da metade do sistema de aquecimento urbano.

Madrid, para solucionar o drama das emissões nos transportes públicos, dá benefícios para quem compra veículos híbridos e elétricos. “Já são mais de 300 pontos de recarga de carros elétricos pela cidade e estamos expandindo”, diz Elisa Baharona, Diretora de Sustentabilidade da prefeitura de Madrid.

Em Sidney, o carro-chefe do plano de mitigação das emissões está em produzir energia por tri-geração: gás natural, biogás e sobras de calor desperdiçado nas usinas elétricas. “O desperdício das usinas chega a dois terços da energia”, comenta Allan Jones, do Departamento de Energia e Clima da prefeitura de Sidney.

As promessas de Santiago, no Chile, são de 60% mais áreas verdes urbanas nos próximos 10 anos e 100% das águas tratadas até ano que vem. Ciclovias também estão na agenda de muitas cidades. O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab pretende ampliar o horário de uso das ciclofaixas, áreas exclusivas para bicicletas demarcadas ao longo das ruas, que poderão em breve ser usadas em dias de semana.

No vídeo abaixo, representantes de grandes cidades na conferência C40 comentam as iniciativas das metrópoles em mitigação de gases estufa.
 


 



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Estudo sobre cidades e clima prevê aquecimento de até 4°C

Cristiane Prizibisczki
06.06.2011

Apresentação durante o 2o Congresso sobre cidade e clima, em Bonn, Alemanha. foto: Cristiane Prizibisczki

Bonn – A cidade de São Paulo e mais onze grandes centros urbanos no mundo podem ter de enfrentar um aumento em até 4º C de temperatura até 2050, segundo estudo lançado no último sábado (4) pelas universidades americanas de Colúmbia e Nova York em Bonn, Alemanha, durante o 2º Congresso Mundial sobre Cidades e Adaptações às Mudanças Climáticas.

O trabalho confirma a previsão feita por pesquisadores brasileiros em 2010, no estudo sobre vulnerabilidades na Região Metropolitana da capital paulista, e lança um apelo: governos locais e nacionais precisam implementar medidas urgentes de adaptação a essas mudanças para evitar impactos maiores no futuro. A organização Governos Locais para a Sustentabilidade (ICLEI) acredita que, nas próximas quatro décadas, as cidades terão de construir a mesma capacidade urbana conquistada nos últimos 4.000 anos devido às alterações no clima.

Com contribuições de 110 pesquisadores em 50 cidades ao redor do mundo, o trabalho, segundo os autores, é o primeiro esforço em sistematizar informações sobre temas como produção e consumo de energia, transporte e saúde pública. Além de apontar riscos e vulnerabilidades, o trabalho também sugere estratégias de mitigação e adaptação a esses problemas e oferece opções de políticas a serem adotadas. Doze cidades receberam estudo detalhado.

“Muitas das melhores práticas do livro, que traz 50 estudos-chave sobre o que as cidades estão fazendo ao redor do mundo, podem ser adaptáveis e adotadas por outras cidades. O livro é mesmo um guia prático para os centros urbanos”, diz Cynthia Rosenzweig, cientista da Agência Americana de Estudos Espaciais (NASA) e co-autora do estudo (assista à entrevista com  Cynthia Rosenzweig – em inglês).

O resumo executivo do trabalho pode ser conferido no site do Urban Climate Change Research Network e em seis meses deve estar disponível para download na internet, de acordo com seus autores.

Na mesma ocasião do lançamento deste primeiro estudo, a Organização das Nações Unidas fez o lançamento oficial do seu Relatório Global sobre Assentamentos Humanos 2011, trabalho que também traz sugestões de políticas, estratégias e práticas que estão emergindo em áreas urbanas como resposta às alterações climáticas. Uma versão resumida do estudo está disponível para download no site do UN- Habitat.

Ambos os trabalhos trazem as discussões mais recentes sobre a complexa relação entre cidades e mudanças climáticas e são uma boa pedida para quem deseja ficar por dentro do assunto.
 


 
*Cristiane Prizibisczki é jornalista free-lance e atualmente desenvolve pesquisa sobre mídia e mudanças climáticas em centros urbanos na Universidade de Cambridge.



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Nova pesquisa exclui gás natural das alternativas limpas

Luana Caires
11.02.2011

Gás natural: risco de deixar de ser mocinho e passar a vilão do efeito estufa, foto: Marcos Gonzales

Análise do ciclo de vida feita pela Environmental Protection Agency (EPA) colocou em cheque a suposição de que esse combustível seja uma solução rápida e fácil para as mudanças climáticas. Até agora, imaginava-se que ele produzisse 50% menos gases do efeito estufa do que o carvão. Mas os novos resultados apontam que, considerados os vazamentos de metano e outros poluentes liberados durante a sua extração e bombeamento para as usinas, o gás natural é somente 25% mais limpo.

O gás natural tem vantagens ambientais. Sua queima produz menos óxidos de nitrogênio e dióxido de carbono do que a do carvão e do óleo. No entanto, de acordo com o estudo, por ano, bilhões de metros cúbicos de gases do efeito estufa — equivalente às emissões de 35 milhões de automóveis — escapam por válvulas de tubulação mal vedadas ou chegam à atmosfera por queima incompleta. Durante a extração, só as emissões de metano equivalem a 20% do total causado pelo homem, segundo estimativas do Banco Mundial.

De fato, essa liberação de metano é o mais preocupante. Considerava-se que ele tinha um impacto 21 vezes maior no aquecimento global do que o dióxido de carbono. Mas dados recentes da Universidade de Cornell especulam que essa proporção pode chegar a 72 vezes.

Ainda que todas as más notícias estejam corretas, é preciso ter em conta que uma redução de poluentes da ordem de 25% sobre o carvão não é uma vantagem desprezível. Se os processos de extração e bombeamento melhorarem essa diferença positiva volta a crescer.  Assim, o gás natural ainda pode ser importante na transição para uma economia menos intensiva em carbono. Mas à luz dos novos dados, é preciso olhá-lo com mais cautela.



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Estudo de 100 cidades conclui que são vilãs do efeito estufa

Andre Dantas
28.01.2011

Roterdã, Holanda. Com 29,8 toneladas de emissão, foi a campeã da pesquisa, foto: Pieter Musterd

Se forem somados consumo e produção, as cidades respondem por 80% da geração de gases do efeito estufa. Essa é a conclusão de um novo estudo, desenvolvido por pesquisadores do Banco Mundial e da Universidade de Toronto. Intitulado “Cidades e as emissões de gases do efeito de estufa: movendo-se adiante”, mostra estimativas das toneladas de emissões de 33 países e 100 das suas cidades.

Nos EUA, por exemplo, a emissão anual per capita gases do efeito estufa é de 23,59 toneladas. Já no Brasil, é bem menor, com 4,16 toneladas. A variação que ocorre nas cidades de cada país também chama atenção. Enquanto em Denver, nos EUA, as emissões chegam a 21,5 toneladas anuais por pessoa, em Nova York o número cai para 10,5, menos da metade. No geral, as cidades européias emitem menos do que as da América do Norte. Paris, por exemplo, lança no ar 5,2 toneladas, quase quatro vezes menos do que Washington, nos EUA.

O estudo mostra também que as cidades e habitantes mais ricos são os responsáveis pelos níveis de emissões insustentáveis. Enquanto um morador da Austrália emite cerca de 25,75 toneladas anualmente, um cidadão indiano fica em apenas 1,33 tonelada por ano. Roterdã, na Holanda, teve as mais altas emissões medidas na pesquisa, 29,8 toneladas, contra 0,08 toneladas de Rajshahi, uma diferença de 372 vezes.

No Brasil, cada goiano emite 0,99 toneladas, bem menos do que as 2,1 toneladas emitidas pelos cariocas. São Paulo fica entre as duas, com emissões de 1,4 toneladas. Uma das descobertas interessantes é que cidades como São Paulo emitem menos do que áreas mais pobres situadas na África e na Ásia.  Um exemplo é Kurunegala, no Sri Lanca que, com apenas 28 mil habitantes, emite 9,63 toneladas anuais per capita. Isso se justifica pelo fato de algumas regiões utilizarem combustíveis fósseis intensamente. Outra causa é o aumento da urbanização até nos lugares mais remotos.

Segundo Daniel Hoornweg, um dos autores e especialista no assunto do Banco Mundial, dois fatores principais estão associados a quantidade de emissões: “Um PIB menor é um sinal de que as emissões de gases do efeito estufa do país não são altas. A organização urbana é outro fator importante. Em Barcelona, na Espanha, menos emissões foram em grande parte impulsionadas pela eficiência do transporte público”, explica. Cada morador de Barcelona emite 4,2 toneladas de por ano.

“Cidades com pouca indústria e maioria da população de baixa renda, inevitavelmente, têm emissões baixas por pessoa. Em muitos países, entre os moradores pobres, os níveis de consumo são tão baixos quanto o uso de gasolina e veículos a diesel”, explica David Satterthwaite, pesquisador do Institute for Environment and Development e editor do jornal Environment and Urbanization, no qual a pesquisa foi publicada.

O desafio para as cidades com baixos níveis de emissões  é mantê-los. Entre as ferramentas de ação local, destacam-se duas: a melhora dos serviços do transporte público e o uso de energias de baixo carbono. Outras ideias são o aumento de ciclovias e mais árvores.

Como uma cidade com padrões de consumo elevados importa uma boa parte do que consome, é importante levar em consideração não somente o quanto gera de emissões locais, mas também aquelas consequência das aquisições de outros lugares.

De acordo com Hoornweg, a redução de emissões de GEE não depende apenas do governo, mas igualmente da aceitação das pessoas em reduzirem e mudarem padrões de consumo. “Não vejo diferença entre governos e cidadãos. Temos o governo que merecemos”.

O trabalho destaca o esforço que já está sendo feito nas cidades para a mitigação dos gases do efeito estufa. Nos EUA, por exemplo, mais de mil cidades se comprometeram a cumprir ou até ultrapassar as metas do Protocolo de Kyoto, que não foi assinado pelo país. “No momento, as inovações locais na redução das emissões são mérito dos governos locais. Não há quadro geral de apoio e incentivá-los nesse sentido. Isto tem de mudar”, diz Satterthwaite.

A possibilidade de mudança começa com o inventário de emissões. “Estimativas per capita de emissões de GEE refletem a natureza e a estrutura econômica das suas respectivas cidades”. Para mudá-las, antes de tudo, é preciso conhecê-las.

 



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