São Paulo – Conheça a rota dos orgânicos

Luana Caires
30.09.2011

Confira a lista de fornecedores indicados pela AAO, foto: Richard Smith

Há vinte anos, quando surgiu a primeira feira de alimentos orgânicos da cidade de São Paulo (a Feira do Produtor Orgânico, no Parque da Água Branca), o conhecimento sobre esse tipo de produto ainda era restrito a uma pequena parcela de consumidores. De lá para cá a informação e a oferta de alimentos produzidos sem agrotóxicos se expandiu, assim como o número de consumidores que os desejam. Mas nem sempre as pessoas sabem todas as opções de locais de venda onde os orgânicos podem ser encontrados, e por um bom preço.

Pensando nisso, a Associação de Agricultura Orgânica (AAO), que administra a feira pioneira da cidade, divulga uma série de fornecedores  especializados (alguns dos quais entregam em domicílio) na capital. De acordo com Márcio Stanziani, secretário-executivo da AAO, a ideia é reunir todos os estabelecimentos que oferecem alimentos certificados, mas a relação ainda não está completa. “O objetivo da lista é prestar um serviço à comunidade, pois nós estamos só aqui no Parque da Água Branca [zona oeste] e sabemos que muitos consumidores querem comprar orgânicos mas não podem se deslocar até aqui”, afirma.

É verdade que grandes redes de supermercados já oferecem produtos orgânicos, mas o preço dos alimentos nesses locais é bem mais alto do que em feiras e até mesmo que na entrega em domicílio. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) no ano passado verificou que a diferença de custo de um mesmo produto pode chegar a 463% dependendo do canal de venda. “Comprar direto do produtor sai mais barato para o consumidor e dá mais lucro para quem produz, pois elimina os custos com intermediários”, diz Stanziani.

Para facilitar a localização de feiras, lojas e serviço de entrega em domicílio de orgânicos em São Paulo, ((o)) Eco reuniu algumas dicas da AAO, separadas por região. Confira a seguir:

 

ZONA OESTE

Feiras

Feira do Produtor Orgânico da AAO

Onde fica: Parque da Água Branca – Av. Francisco Matarazzo, 455 – Água Branca

Quando acontece: terças, sábados e domingos, das 7h às 12h

O que tem: bebidas, cafés, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos, processados diversos, entre outros.

Mais informações: Fone: (11) 3875-2625/ e-mail: atendimento@aao.org.br

 

Feira Estádio do Pacaembu

Onde fica: Praça Charles Miller – Pacaembu

Quando acontece: Todas as sextas-feiras, pela manhã

O que tem: bebidas, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

 

Feira Orgânica Parque Previdência

Onde fica: Rua Pedro Peccinini, 88 – Km 12 da Raposo Tavares – Jardim Adhemar de Barros

Quando acontece: aos sábado

O que tem: bebidas, cafés, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11) 3875-2625

 

Lojas

Viva Verde Comércio de Produtos Naturais e Orgânicos

Onde fica: Rua dos Pinheiros, 448 – Pinheiros

O que tem: açúcar, bebidas, cafés, castanhas, ervas, temperos, fitoterápicos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, óleos, pães, biscoitos, processados diversos e produtos biodegradáveis

Mais informações: www.naturalvivaverde.com.br/  Tel: (11)4301-8663 / e-mail: contato@naturalvivaverde.com.br; juliana.oliveira@naturalvivaverde.com.br

 

Entrega em domicílio

Caminhos da Roça – Produtos Orgânicos

Onde fica: Av. Otacílio Tomanik, 926 – Butantã

O que tem:  açúcar, bebidas, cafés, carnes, frangos, peixes, ervas e temperos, fitoterápicos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, óleos, pães e biscoitos, processados diversos, produtos biodegradáveis e terapêuticos

Mais informações: www.caminhosdaroca.com.br / fone: (11)3733-6727 / e-mail: euquero@caminhosdaroca.com.br

 

Fazendinha Sustentável

Onde fica: Rua Urbano da Silva, 91 – Vila Jaguara

O que tem: frutas e hortaliças

Mais informações: Fone: (11)3621-7672 / e-mail: fazsustentavel@itelefonica.com.br

 

ZONA SUL

Feiras

Feira de Produtos Biodinâmicos

Onde fica: Rua da Fraternidade, 156 – Santo Amaro

Quando acontece: às quintas-feiras, das 9 às 14h30

O que tem: bebidas, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11)3815-7862

 

Feira Orgânica Ibirapuera

Onde fica: Rua Tutóia (estacionamento da Igreja do Santíssimo Sacramento) – Vila Mariana

Quando acontece: aos domingos

O que tem: bebidas, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11) 3875-2625 / organica@uol.com.br

 

Feira Orgânica no Mundo Verde

Onde fica: Av. Cotovia, 900 – Moema

Quando acontece: aos sábados, das 9h às 16h

O que tem: bebidas, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11)3628-4350 / e-mail: gerencia.mv.moema@gmail.com

 

Lojas

Emporium Oriental Iwama

Onde fica: Av. do Cursino, 1788 – Jardim da Saúde

O que tem: açúcar, bebidas, cafés, carnes, frangos, peixes, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, óleos, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: www.emporiumoriental.com.br / fone: (11)5073-7745 / e-mail: a.iwama@terra.com.br

 

Espaço Atman Comércio de Produtos Naturais e Orgânicos

Onde fica: Av. Nova Independência, 149 – Brooklin

O que tem: bebidas, cafés, cosméticos, grãos, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: fone: (11)2308-0364 / espacoatman@espacoatman.com.br

 

F&C Vida Natural

Onde fica: Av. Cotovia, 328 – Moema

O que tem: bebidas, cafés, carnes, frangos, peixes, castanhas, cosméticos, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, mel, óleos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11)3628-4350 / moema@mundoverde.com.br

 

Entrega em domicílio

Chácara de Produtos Orgânicos e Produtos Naturais

Onde fica: Rua Rodrigo Vieira, 412 – Chácara Klabin

O que tem: bebidas, cafés, carnes, frangos, peixes, castanhas, cosméticos, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, óleos, pães e biscoitos e processados diversos

Mais informações: www.chacaradeorganicos.com.br / fone: (11)5084-9697/ e-mail: loja@chacaradeorganicos.com.br

 

Horta da Vovó – Quitanda Orgânica Delivery

Onde fica: Rua Itamiami, 131 – Vila Mariana

O que tem: bebidas, cafés, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel e processados diversos.

Mais informações: www.hortadavovo.com.br / Fone: (11)7825-4662 / e-mail: contato@hortadavovo.com.br

 

Organic Delivery

Onde fica: Av. Pedroso Alvarenga, 1255, conjunto 55 – Itaim

O que tem: açúcar, bebidas, carnes, frangos e peixes, castanhas, cosméticos, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, mel, óleos, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: www.organicdelivery.com.br/ fone: (11) 4169-4457 / e-mail: organic@organicdelivery.com.br

 

Ponto Verde Comércio de Produtos Naturais

Onde fica: Rua do Estilo Barroco, 44 – Chácara Santo Antônio

O que tem: carnes, frangos, peixes, castanhas, cosméticos, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, óleos e processados diversos

Mais informações: www.lojapontoverde.com.br / fone: (11)51825161  / email: loja@lojapontoverde.com.br

 

ZONA NORTE

 Entrega em domicílio

Hortifruti Orgânico

Onde fica: Rua Adalberto Kurt 359 – Jardim Líbano

O que tem: açúcares, bebidas, cafés, castanhas, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, óleos, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: www.hortifrutiorganico.com.br / fone: (11) 3013-3235 e-mail: falecom@hortifrutiorganico.com.br

 

ZONA LESTE

Entrega em domicílio

Vivenda A Vida

Onde fica: Avenida Mercúrio, 166 – Brás

O que tem: bebidas, grãos e processados diversos

Mais informações: Fone: (11)3017-0760 / e-mail: marketing@vivendavida.com.br

 

CENTRO

Feiras

Mercado Central de São Paulo

Onde fica: Rua Cantareira – Centro

Quando acontece: todos os sábados pela manhã

O que tem: bebidas, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

 

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Tudo o que você não queria saber sobre alface e tomate

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Três mitos sobre alimentos orgânicos

Luana Caires
21.07.2011

Nem tudo que é orgânico é bom para você, foto: London Permaculture

O consumo de produtos orgânicos está em alta. Apesar de, via de regra, serem bem mais caros do que os alimentos cultivados de forma tradicional, estima-se que nos últimos anos a venda de orgânicos certificados no mundo todo tenha saltado para cerca de 52 bilhões de dólares. Só no Brasil, esse setor faturou 350 milhões de reais em 2010, ou 40% a mais do que no ano anterior, segundo dados da ONG Organics Brasil.Cada vez mais as pessoas estão optando pelo que consideram hábitos mais sustentáveis e saudáveis.

Porém, na opinião de Christie Wilcox, autora do blog Science Sushi da revista Scientific American, há excessos na defesa dos orgânicos. Ela elogia as suas vantangens como evitar a monocultura, promovendo a rotação de solo cultivado e plantações mistas. Mas ataca o que considera 3 mitos sobre eles:

 

1. Fazendas orgânicas não usam pesticidas

Quando a Soil Associantion – organização inglesa que difunde o cultivo e consumo de alimentos produzidos de forma sustentável – fez uma pesquisa sobre o motivo que levava os britânicos a comprar produtos orgânicos, 95% dos participantes responderam que pretendiam evitar o contato com agrotóxicos. No entanto, a principal diferença entre a produção orgânica e a tradicional não é o uso de pesticidas, mas a origem dos pesticidas utilizados.

Enquanto a agricultura tradicional usa agrotóxicos sintéticos, a orgânica utiliza toxinas derivadas de fontes naturais. É comum a ideia de que substâncias encontradas na natureza são, de alguma maneira, menos agressivas ao meio ambiente do que aquelas criadas pelo homem. Porém, as pesquisas científicas mostram que os pesticidas naturais também podem prejudicar a saúde.

A Rotenona, por exemplo, foi usada na agricultura convencional e na orgânica por décadas até que pesquisadores concluíram que a exposição a essa substância está relacionada ao desenvolvimento da doença de Parkinson e tem potencial para provocar a morte de várias espécies, inclusive dos humanos. Com isso, a utilização da Rotenona como pesticida foi proibida nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, a substância pode ser utilizada somente mediante autorização do órgãos reguladores responsáveis.

É preciso estar atento ao fato de que, mesmo que você consuma produtos cultivados sem qualquer tipo de pesticidas, isso não significa que sua saúde esteja completamente livre de riscos, pois os alimentos orgânicos tendem a ter níveis mais altos de agentes patogênicos. Um estudo realizado nos Estados Unidos encontrou E. Coli na produção de 10% das amostras vindas de fazendas orgânicas, enquanto apenas 2% daquelas vindas das culturas convencionais apresentaram a bactéria.  Isso porque uma parte dos produtores orgânicos utilizam o esterco como adubo, o que pode facilitar a contaminação.

No fim das contas, os orgânicos também dependem das condições em que são cultivados. Os métodos utilizados nas fazendas orgânicas variam muito de local para local — algumas delas não utilizam nem mesmo pesticidas naturais. Portanto, é importante escolher com cuidado o fornecedor dos seus alimentos, sejam eles orgânicos ou não.

2. Alimentos orgânicos são mais saudáveis.

Algumas pessoas acreditam que, por não usar químicos sintéticos, o plantio orgânico produz alimentos mais nutritivos e saudáveis. No entanto, os estudos científicos ainda não encontraram evidências de que isso seja verdade – e cientistas têm pesquisado sobre essa hipótese por mais de 50 anos.

Um estudo recente realizado no Reino Unido revisou sistematicamente 162 artigos publicados entre 1958 e 2008 que comparavam produtos orgânicos e não-orgânicos, mas não foi encontrada nenhuma diferença na concentração de 15 nutrientes, entre eles a vitamina C, o betacaroteno e o cálcio. Os pesquisadores constataram que alimentos convencionais apresentavam níveis maiores de nitrogênio, enquanto os orgânicos apresentavam mais fósforo e eram mais ácidos – fatores que não influem em sua qualidade nutricional.

Outra análise, desta vez feita com produtos de origem animal, como carne, laticínios e ovos, encontrou poucas diferenças no conteúdo nutricional desses alimentos. Os orgânicos, porém, apresentaram níveis mais altos de gordura, principalmente de gordura trans.

3. O cultivo orgânico é melhor para o meio ambiente

Esse tipo de agricultura tem vantagens, como o fato de não utilizar pesticidas sintéticos, mas isso não quer dizer que, apesar dessa característica, não possam ser prejudiciais ao meio ambiente.

Os produtores orgânicos, como regra, não aceitam os transgênicos, embora eles tenham o potencial de reduzir o uso de pesticidas e aumentar a produtividade das plantações e o valor nutricional dos alimentos – exatamente o que o cultivo orgânico procura fazer. No entanto, apesar de rejeitar os transgênicos, boa parte dos produtores de orgânicos recorre a artifícios como a aplicação de Bacillus thuringiensis (proteína de uma bactéria encontrada no solo) como inseticida. Essa é a mesma substância produzida por algumas das plantas geneticamente modificadas, com a vantagem de que, quando é produzida pela própria planta, a toxina não contamina o solo nem as reservas de água próximas às áreas de cultivo.

Mas o principal motivo pelo qual a agricultura orgânica não é mais verde do que a convencional é porque suas fazendas têm uma fração da produtividade daquelas que usam métodos industriais. Se o mundo decidisse produzir apenas alimentos orgânicos na mesma extensão de terra tomada hoje pela agricultura, o número de pessoas famintas poderia saltar de cerca de 800 milhões para 1,3 bilhão. Portanto, seria necessário aumentar a quantidade de terra utilizada pela agricultura e, para isso, avançar sobre habitats atualmente intocados.


Wilcox conclui que nessa seara as coisas não são preto no branco. Nem tudo o que é considerado orgânico é bom para o consumidor ou para o meio ambiente. Isso não condena a agricultura orgânica. Por tentar minimizar o uso de pesticidas e adubos sintéticos, pode ser que a longo prazo ela seja o caminho para a agricultura sustentável. Mas é importante poder questioná-la e mostrar suas falhas. 

 

Via: Scientific American

 

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Horta urbana comunitária encoraja estilo de vida mais verde

Luana Caires
30.06.2011

 
Achar um espaço para cultivar vegetais em plena Manhattan não é uma tarefa muito fácil, mas, graças à ideia de um grupo de estudantes e ao apoio do Battery Conservancy, os habitantes da área central dessa região têm a chance de plantar alimentos orgânicos. Eles criaram uma horta comunitária, localizada em um parque público, que já produz seus primeiros nabos, abobrinhas, ervilhas, alfaces e rabanetes.

Idealizada pelo designer Scott Dougan, a horta de 1 acre de superfície tem um formato nada usual, como você pode conferir no vídeo acima (em inglês). O desenho foi inspirado em Zelda, um peru que um dia apareceu misteriosamente no parque Battery e se tornou uma espécie de mascote do local. A área em que são plantados os vegetais é protegida por uma cerca de bambus.

O objetivo desse projeto era encorajar hábitos mais saudáveis de alimentação e incentivar um estilo de vida mais verde, e tudo indica que a estratégia esteja funcionando, pelo menos com os mais jovens. Nesta semana, um grupo de estudantes, também envolvido no plantio, realizou a primeira colheita da hortinha. Muitos deles não tiveram a oportunidade de provar os produtos que plantaram, mas aqueles que se arriscaram notaram que até o gosto dos vegetais orgânicos era melhor do que aqueles que seus pais compravam no supermercado.

Apesar de se mostrarem bastante hesitantes no começo da experiência, os estudantes logo se envolveram na atividade e perderam o medo de botar as mãos na terra. E a participação não é restrita aos jovens. Qualquer pessoa da comunidade pode se voluntariar para participar do plantio e da colheita fazendo uma inscrição online. O resultado do projeto foi tão bom que o Battery Conservancy está planejando organizar uma feira de orgânicos em frente à horta durante o mês de julho para comercializar os 20 tipos de vegetais produzidos no parque.

A parte triste da história é que a horta urbana só deve ser mantida até o início de 2013, quando será desativada para dar lugar a uma ciclovia. Menos mau.

 

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Via: Inhabitat



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Carne artificial: redução drástica de danos ao meio ambiente

Luana Caires
22.06.2011

O processo artificial usa apenas células animais, foto: Alpha

A carne produzida em laboratório está se tornando uma realidade. A ideia pode parecer bastante estranha, mas, de acordo um estudo realizado pelos cientistas das universidades de Oxford e Amsterdã, essa seria uma maneira de reduzir em 96% a emissão de carbono relacionada à indústria pecuária e livrar muitos consumidores da culpa por não abrir mão do bife em suas refeições.

No processo artificial, a participação do animal se limita ao fornecimento de células do seu músculo. Depois de coletadas, elas são adicionadas a uma proteína capaz de fazer com que essas células cresçam e se transformem em uma grande porção de carne de boi, de frango ou até mesmo de porco – dependendo da espécie do animal doador.  Segundo a análise dos pesquisadores, essa técnica demandaria entre 7% e 45% menos energia que o mesmo volume de carne produzido convencionalmente e poderia ser posta em prática usando apenas 1% de terra e 4% do volume da água necessários na pecuária tradicional.

É preciso lembrar que, de toda a emissão de gases estufa provocada pelos humanos, a indústria pecuária é responsável por 9% do dióxido de carbono, 65% do óxido de nitrogênio, 37% do metano e também libera grandes quantidades de amônia, contribuindo para a formação de chuva ácida. Sem contar que a criação de animais para o corte faz uso de 30% da superfície terrestre, incluindo aí a quantidade de espaço usado para produzir alimento para o gado. No Brasil, onde há cerca de 200 milhões de bovinos — mais do que o número da população humana do país — estima-se que 70% da destruição da Floresta Amazônica tenha sido usada para dar lugar a pastagens.

Além das vantagens ambientais previstas pelos estudiosos, o investimento na produção de carne in vitro poderia ser uma boa alternativa para fornecer um alimento nutritivo e barato para a crescente população mundial. O consumo da proteína animal tem aumentado, já que milhões de pessoas em países de economia emergente, como China e Índia, estão vencendo a pobreza e incorporando algum tipo de carne às suas dietas. Por outro lado, ao aliviar a pressão sobre as fazendas ao redor do mundo, os pesquisadores acreditam que essa técnica também melhoraria o bem-estar dos animais.

A carne artificial ainda não é produzida em escala comercial, mas, segundo a pesquisadora Hanna Tuomisto, que liderou o estudo, se forem feitos mais investimentos, o primeiro laboratório comercial pode entrar em funcionamento em até 5 anos. A organização People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) já está financiando pesquisas sobre a técnica.

 

*Com informações do Guardian

 

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Surto de E. Coli na Alemanha e os riscos dos vegetais crus

Luana Caires
13.06.2011

Broto de feijão: o mocinho que virou bandido, foto: Charles Haynes

Quem acompanhou as notícias do surto causado por uma variante de alta letalidade da bactéria E. Coli, responsável pela morte de 35 pessoas, deve ter começado a olhar para a sua saladinha com certa desconfiança. Afinal, segundo as autoridades alemãs, inocentes brotos de feijão foram a fonte mais provável da contaminação – aqueles raminhos populares entre as pessoas que se preocupam com uma dieta saudável. No Brasil, a boa notícia é que não há indício da chegada da tal variante O104:H4 da bactéria, de acordo com as investigações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Porém, a crise levantou um questão mais abrangente: qual é o risco de contaminação quando ingerimos frutas, verduras e legumes crus?

Quando comemos salada confiamos na eficiência da vigilância sanitária sobre uma longa cadeia de fazendeiros, empacotadores, transportadores e mercados para garantir que nossos vegetais estão livres de germes. Cada garfada é um voto extraordinário de confiança nos sistemas de produção e distribuição de alimentos que trazem os verdinhos ao nosso prato. Entretanto, como milhares de alemães descobriram esse mês, uma porção azarada pode demonstrar que essa confiança é equivocada.

Se eles estiverem contaminados por algum microorganismo, é possível contrair uma Doença Transmitida por Alimentos (DTA). Os sintomas mais comuns desse tipo de enfermidade são falta de apetite, náuseas, vômitos, diarréia, dores abdominais e febre­ – dependendo do agente etiológico. Também podem ocorrer problemas em diferentes órgãos e sistemas, como no fígado (Hepatite A), terminações nervosas periféricas (Botulismo), má formação congênita (Toxoplasmose), dentre outros.

No Brasil, a maioria das DTAs são causadas pela Salmonella, Escherichia coli patogênica e Clostridium perfringens. Como essas bactérias são comuns nos intestinos de animais e humanos, a contaminação pode se dar pelo contato das fezes desses hospedeiros com a água ou diretamente com os alimentos, seja pela utilização de dejetos animais como adubo, por falta de higiene durante o armazenamento, transporte ou lavagem do produto, ou pelas condições do local produtor, que pode ter uma reserva de água contaminada em área próxima à produção e entrar em contato com os vegetais no caso de um período de chuvas fortes, por exemplo.

Como no início os alemães acharam que a culpa do surto era de pepinos orgânicos produzidos na Espanha, é importante dizer que a suscetibilidade à contaminação tanto das formas de cultivo orgânica quanto das convencionais é a mesma. “Os pesticidas utilizados na agricultura não matam essas bactérias, que se multiplicam sobretudo no período pós-colheita, por causa de condições inadequadas de higiene na lavagem dos legumes, depois consumidos crus”, afirma o engenheiro agrônomo e fiscal federal do Ministério da Agricultura, Marcelo Laurino, coordenador da CPOrg-SP (Câmara Setorial de Agricultura Orgânica de São Paulo). Laurino destaca que caso aconteça algum problema sanitário em vegetais orgânicos é possível rastreá-lo todo o caminho que fizeram, da semente até o consumidor. “A produção orgânica é obrigatoriamente rastreada, senão o produtor não consegue certificá-la como tal”, explica.

Dados epidemiológicos do Ministério da Saúde apontam que 45% das contaminações por doenças transmitidas por alimentos ocorrem dentro das casas dos brasileiros e estão associadas principalmente ao manuseio incorreto e à conservação inadequada de alimentos. Veja a seguir como se prevenir contra as DTAs:

  • Lave as mãos regularmente
  • Fique atento à procedência dos alimentos que consome e só beba líquidos pasteurizados ou filtrados
  • Evite alimentos crus. Um cozimento adequado, a uma temperatura acima de 70ºC, consegue matar quase todos os micróbios presentes nos alimentos. Para ter certeza do cozimento completo, principalmente em carnes bovinas e de frangos, deve ser verificada a mudança da cor e textura na parte interna do alimento.
  • É preciso lembrar que em condições ideais, uma única bactéria pode se multiplicar em 130 mil em apenas seis horas. Uma temperatura abaixo dos 5ºC ou acima dos 60ºC retarda essa multiplicação. Por isso, alimentos cozidos não podem ficar por mais de duas horas à temperatura ambiente, os alimentos perecíveis devem ser refrigerados e os cozidos permanecer quentes até o momento de serem servidos
  • Evite a contaminação cruzada! Separe carnes, peixes e ovos crus de outros alimentos, utilize utensílios diferentes, como facas ou tábuas de corte, para alimentos crus e para os cozidos e lave bem os as mãos depois de manipulá-los.

 

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15 dicas para um consumo mais sustentável

Luana Caires
09.06.2011

Avalie os seus hábitos de consumo antes de comprar sem necessidade, foto: Trevin Chow

Você já parou para pensar sobre os impactos ambientais que o seu padrão de consumo causa? As compras que fazemos – seja na feira, no supermercado ou no shopping center –, a maneira como produzimos nosso lixo, como usamos nossos eletrodomésticos, como consumimos água e energia ou até mesmo carne e produtos de madeira deixa marcas degradantes no meio ambiente. Atualmente, consumimos 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Por isso, uma mudança de atitude é mais do que necessária e é bem mais simples do que você pode imaginar. Confira abaixo algumas dicas do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) para poupar o meio ambiente com pequenas alterações em nossos hábitos.

  1. Questione e avalie os seus hábitos de consumo antes de decidir pela compra de qualquer produto e procure consumir apenas o necessário.
  2. Informe-se sobre a origem e o destino de tudo que você consome. Optar por produtos feitos com métodos sustentáveis ajuda a cadeia produtiva a ser mais responsável e minimiza os impactos no meio ambiente.
  3. Antes de comprar um novo equipamento, verifique a etiqueta e escolha aquele que consome menos energia.
  4. Evite luzes ou equipamentos ligados quando não for necessário. Os aparelho em stand-by continuam consumindo energia.
  5. Cobre das empresas de eletroeletrônicos uma política de coleta, reciclagem e fabricação de produtos  com baixo consumo de energia.
  6. Reduza o tempo do banho. Você poupa água e ajuda a diminuir o consumo de energia. E não deixe de revisar suas torneiras! Uma torneira pingando a cada 5 segundos representa, em um dia, 20 litros de água desperdiçada.
  7. Solicite produtos orgânicos com certificação de origem de qualidade de gestão ambiental aos supermercados e fornecedores de materiais de limpeza.
  8. Substitua a lâmpadas incandescentes por lâmpadas econômicas. Elas geram a mesma luminosidade, duram mais e poupam 80% de energia.
  9. Ligue a máquina de lavar roupa apenas com a carga cheia. Você poupa água, energia, sabão e tempo.
  10. Utilize sacolas de pano ou caixas de papelão em vez de recorrer às sacolinhas plásticas.
  11. Ao comprar móveis, prefira madeira certificada. Assim você evita o desmatamento da Amazônia.
  12. Sempre que possível, reutilize produtos e embalagens.
Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar. E, mesmo que não seja feita a coleta seletiva em seu bairro, separe o lixo reutilizável do orgânico e encaminhe para a reciclagem. Reciclar é uma maneira de contribuir para a economia dos recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.
  13. Diminua o uso de produtos de higiene e limpeza. Assim você reduz o nível de poluentes presentes na água e no tratamento do esgoto.
  14. Incentive a carona solidária e organize caronas com familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho.
  15. Faça as contas: ir a pé, usar bicicleta, transporte coletivo ou táxi é mais barato e polui menos do que comprar um automóvel. Mas, se a compra de um carro for inevitável, consulte a Nota Verde do Proconve no site www.ibama.gov.br e a etiqueta de eficiência energética para escolher o modelo menos poluente. E não esqueça de manter em dia a manutenção do seu veículo. Faça inspeção veicular, não retire o catalisador, devolva a bateria e os pneus usados ao revendedor na hora da troca. Os pontos de venda são obrigados a aceitar e reciclar esses produtos.

 

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Um terço da comida do mundo vai para o lixo

Luana Caires
16.05.2011

Só no Brasil 39 milhões de quilos de comida vão para o lixo todos os dias, foto: Sporkist

Estima-se que 925 milhões de pessoas passem fome ao redor do globo. Ainda assim, um terço de toda a comida produzida no mundo se perde ou é desperdiçada a cada ano – o equivalente a 1,3 bilhões de toneladas. É o que mostra um estudo da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) da ONU, divulgado no último dia 11.

De acordo com o relatório da FAO, a quantidade de alimentos perdidos é praticamente igual nos países ricos e nos em desenvolvimento. O que muda é o padrão do desperdício. Nas nações mais pobres as perdas decorrem basicamente da infraestrutura deficiente e dos baixos níveis de tecnologia para colheita, processamento e distribuição dos produtos.

Já nos países ricos o principal problema é que muitos alimentos em perfeito estado são jogados no lixo pelas redes varejistas e consumidores. Anualmente, a população desses países joga fora quase tanta comida (222 milhões de toneladas) quanto a que é produzida em toda a África subsaariana (230 milhões de toneladas). Só no Brasil, 39 milhões de quilos de comida vão para o lixo todos os dias – quantidade suficiente para alimentar 19 milhões de bocas diariamente, segundo a Organização Não Governamental (ONG) Banco de Alimentos. Isso equivale a população da grande São Paulo.

Além de representar grande contradição em relação ao grave problema da fome no mundo, o desperdício de alimentos aumenta o gasto de recursos – como água, terras, energia e trabalho –, utilizados na sua produção. Uma pesquisa recente do Reino Unido mostra que, por ano, a quantidade de água despendida no cultivo de alimentos que nem chegam a ser consumidos é duas vezes maior que a utilizada para lavar e beber, por exemplo.

Faça a sua parte

Reduzir o desperdício de comida é fundamental. Para diminuir as perdas ao longo da cadeia de produção de alimentos, o relatório sugere que se invista em novas técnicas de colheita, melhoria das condições de armazenamento e na educação dos agricultores.

Também cabe aos consumidores dar a sua contribuição. Uma casa brasileira joga fora, em média, 20% dos alimentos que compra semanalmente, como apontou um levantamento do Instituto Akatu em 2004. Veja, a seguir, algumas dicas para evitar tantas sobras:

  • Faça a tradicional listinha dos itens em falta antes de ir ao supermercado;
  • Compre somente a quantidade de comida e bebida que estima que será realmente consumida;
  • Não se deixe seduzir por promoções do tipo “leve 3 pague 2”;
  • Na feira, prefira legumes com um pouco de terra, pois duram mais. Só os lave na hora do preparo;
  • Aproveite os alimentos integralmente: talos de couve, beterraba, brócolis e salsa, por exemplo, contêm muitas fibras e podem ser consumidos refogados, no feijão ou em sopas. Folhas de cenoura são ricas em vitamina A e podem ser aproveitadas para fazer bolinhos, sopas ou mesmo em saladas.


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Açúcar: o grande vilão da dieta?

Luana Caires
20.04.2011

Para Lustig, o açúcar deveria ser considerado uma toxina, foto: Ween Nee

Qual seria a sua reação se você descobrisse que o açúcar – esse que adoça o nosso cafezinho – é tóxico? Pois bem, a afirmação é de Robert Lustig, um especialista em desordens hormonais e em obesidade infantil da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em São Francisco, uma das melhores dos EUA. E ele não está se referindo apenas àquele pó branco refinado, conhecido como sacarose, mas também ao xarope de milho rico em frutose (HFCS), um adoçante encontrado nos refrigerantes carbonatados, néctares, salgadinhos, xaropes, geleias e outros produtos adoçados.

Para Lustig, é o alto consumo de açúcar, e não de gordura, o responsável pelo aumento vertiginoso do número de americanos obesos e diabéticos nos últimos 30 anos. E mais do que isso: ele também estaria por trás de outras doenças crônicas, como hipertensão, problemas cardíacos e até câncer. Segundo o especialista, deveria ser posto na lista de coisas que estão nos matando, assim como o álcool e o cigarro.

O açúcar é composto por glicose e frutose. Enquanto a primeira substância é metabolizada por todas as células do corpo, a segunda é metabolizada pelo fígado. Em experimentos realizados com ratos de laboratório foi observado que, quando os animais ingerem altas quantidades de frutose, o fígado converte grande parte desse monossacarídeo em gordura e, em conjunto, parece induzir também à resistência à insulina – o que está relacionado às doenças acima, principalmente a chamada diabetes tipo 2, a mais comum.

No entanto, as consequências danosas do consumo do açúcar demorariam anos para causar danos sérios. A verificação da hipótese de Lustig pede estudos de longo prazo. A última vez em que uma agência do governo americano analisou os efeitos do açúcar foi em 2005. Na época, os autores do relatório desse estudo apontaram evidências de que o seu consumo aumentaria o risco de doenças cardíacas e de diabetes, mas os dados colhidos não foram considerados conclusivos. Na falta de resultados mais sólidos, Lustig é muito criticado por se referir ao açúcar como toxina ou veneno.

Ainda assim, as ideias do especialista chamam a atenção do público. Desde que sua palestra Sugar: The Bitter Truth (Açúcar, a Verdade Amarga) foi publicada na internet, em maio de 2009, já foi vista mais de 1 milhão de vezes e a audiência cresce a 50 mil exibições por mês – número impressionante para um vídeo de 90 minutos sobre frutose e fisiologia humana.

Enquanto não surgem estudos definitivos a respeito do açúcar, vale a pena seguir as sugestões da maioria dos nutricionistas, mantendo uma dieta rica em frutas e vegetais e, ao mesmo tempo, com menos gordura, sal, carne vermelha e, claro, pouco açúcar. Afinal, aquele que adoça o seu café e sobremesa pode acabar confirmado como o vilão que mina a sua saúde.

Para quem tiver fôlego, segue o vídeo de uma hora e meia (em inglês).

 

 



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Ocorrência de salmonela é menor em frangos orgânicos

Luana Caires
07.04.2011

A salmonela, comum no intestino da galinha, pode contaminar o ovo e a carcaça do animal, foto: StevenW

Um estudo realizado pelo Center for Food Safety da Universidade da Georgia apontou que frangos convencionais são mais suscetíveis à salmonela do que os orgânicos. Enquanto 38,8% das aves tradicionais carregavam a bactéria, o mesmo ocorria com apenas 5,6% das orgânicas. E o pior: 39,7% das salmonelas encontradas no frango comum apresentaram resistência a seis antibióticos diferentes, o que não ocorreu com as dos orgânicos.

Os pesquisadores analisaram animais de abate de uma mesma empresa da Carolina do Norte e apontaram que esse resultado tem a ver com a maneira como os frangos são criados. Se os convencionais podem ser presos em gaiolas, os orgânicos devem ser mantidos em um ambiente semelhante ao seu habitat natural – com acesso a espaços externos,  ar fresco e luz do sol, de acordo com o regimento da National Sustainable Agriculture Information Service dos Estados Unidos (ATTRA). O código também proíbe a utilização de antibióticos e outras drogas, o que obriga o criador a diminuir o número de frangos mantidos em um mesmo ambiente para evitar o aparecimento de doenças. Em granjas normais, cada animal costuma ter cerca de 0,05 metros quadrados de espaço, já na maioria das orgânicas, cada frango tem, em média, pelo menos 0,14 metros quadrados. Além disso, o ATTRA também proíbe que subprodutos do abate animal sejam misturados na ração das aves.

A intoxicação alimentar por salmonela é uma das mais frequentes e é um desafio para a saúde pública. Essa bactéria é comum no intestino da galinha e pode causar a contaminação da membrana que envolve a gema durante a formação do ovo e, dependendo das condições em que o animal for criado, pode contaminar também a carcaça do animal. Levantamentos em diferentes países têm mostrado que 30 a 50% das carcaças de frangos congelados ou resfriados estão contaminadas por salmonela. No Brasil, os índices variam de 9,15 a 86,7%.

Para evitar esse tipo de intoxicação, coma apenas ovos e carnes de frango bem cozidos. Tome cuidado com alimentos preparados com ovos crus, como maionese caseira, sorvete caseiro, molho holandês ou tiramissu, e lave bem as mãos e os utensílios de cozinha depois de lidar com carnes não cozidas.



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“Junk food” na primeira infância reduz inteligência

Luana Caires
17.02.2011

Pode estar gostoso, mas as consequências não são nada desejáveis, foto: Biser Todorov

Um estudo realizado por especialistas da Universidade de Bristol, na Inglaterra, apontou que uma dieta rica em açúcar, gordura e comida processada durante os primeiros anos de vida pode prejudicar o desenvolvimento da inteligência das crianças. Segundo os pesquisadores, os efeitos de hábitos alimentares pouco saudáveis mantidos até os três anos podem perdurar até os oito anos de idade.

Essa conclusão foi obtida com base na análise dos participantes do Avon Longitudinal Study of Parents and Children (ALSPAC), um programa que pretendia acompanhar a saúde a longo de prazo de quase 14 mil crianças nascidas em 1991 e 1992. A partir de um questionário em que os pais relatavam o tipo de comida consumida por seus filhos aos três, quatro, sete e oito anos e meio, as crianças foram divididas em grupos de acordo com o seu padrão alimentar e submetidas a testes de inteligência, como a escala Wechsler de inteligência. Diferenças de nível socioeconômico e de escolaridade dos pais não alteraram esse resultado.

Comparando os dados das quase 4 mil crianças que completaram o ciclo da pesquisa, foi observado que, aos oito anos e meio, aquelas que tiveram uma dieta menos saudável no início da infância tiveram piores resultados nos testes de QI (Quociente Intelectual) do que as que comiam de forma balanceada.

O aumento de um ponto em uma escala de 0 a 12 de alimentação pouco saudável foi associado à queda de 1,67 pontos no QI. Em geral, as diferenças encontradas foram pequenas. Mas em um caso extremo em que se comparasse uma criança saudável (que marcasse zero na escala) com outra criança que tivesse a pior alimentação possível (12 na escala), a estatística sugere que a diferença de QI entre as duas poderia chegar a 20 pontos. A faixa considerada de inteligência normal vai de 90 a 109 pontos de QI. Adicione-se 20 pontos para cima e essa pessoa será considerada muito acima da média. É só um exemplo para mostrar que em casos extremos a diferença poderia ser decisiva. As pesquisas indicam que quanto maior for o QI maior é a renda e melhor é a saúde do indivíduo.

Os especialistas explicam que os três primeiros anos de desenvolvimento da criança são cruciais, pois é nesse período em que o cérebro se desenvolve mais depressa. Eles alertam ainda que os efeitos de uma dieta pouco saudável podem perdurar mesmo que a alimentação melhore depois dessa idade, mas afirmam que, para entender melhor as consequências de um determinado tipo de dieta sobre a inteligência em uma idade avançada, ainda são necessárias novas pesquisas.

 

Veja também: Agrotóxico: os 10 alimentos mais perigosos
 



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