O purificador de água que funciona com plasma

Fernando Espósito
31.08.2011

O purificador chileno que promete uma revolução, foto: eSustentable

Um dispositivo de baixo custo, seguro e que purificasse as águas mais contaminadas que existem, tornaria o mundo um lugar melhor. Ainda mais se pudesse ser mantido pela mesma comunidade que o utiliza e desse vazão à sua necessidade de consumo.

Ele existe. Foi desenvolvido por um designer industrial, juntamente à sua equipe de técnicos e cientistas. O dispositivo consegue purificar 2 mil litros de água contaminada a cada 24 horas, e só consome 100 watts/h de energia por 35 litros de água limpa em 5 minutos.

Os primeiros beneficiários deste inovador sistema serão 19 famílias chilenas pobres, integrantes do assentamento Fundo San José de Cerrillos, na cidade de Santiago. Lançado no assentamento na semana passada (23 de agosto), esse projeto original e de alto impacto foi desenvolvido no Chile e promete salvar vidas.

Cone translúcido usa sol para dessalinizar água

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O purificador funciona com tecnologia a base de plasma, que elimina os germes e bactérias da água contaminada e proporciona provisão contínua de água limpa e potável.

O plasma corresponde ao quarto estado físico da matéria. Alfredo Zolezzi, designer industrial egresso da Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso, e diretor do Centro de Inovação Avançada de Viña del Mar, explica como funciona o dispositivo: “O que fizemos foi captar a água contaminada, que pode vir de qualquer fonte, e fazê-la passar por um dispositivo pequeno, de 23 centímetros, que aumenta a sua pressão, transformando-a de líquido a um fluido semi gasoso com características que nos permitem, com uma descarga elétrica, transformá-lo em plasma. Ionizam-se os gases e produz-se o plasma, que é estável. Isso facilita que a água alcance uma velocidade  altíssima. Quando volta a desacelerar, a água sai o dispositivo de novo em estado líquido. No processo, todo agente microbiológico morre, inclusive o transmissor da cólera. O resultado é água potável, segura para ser tomada.”

Zolezzi destaca que o invento nasceu da intenção explícita de usar recursos tecnológicos e científicos para reduzir pobreza. O projeto nasceu de uma parceria com a fundação “Un Techo Para Chile” (Um Teto para Chile) – instituição que luta para extinguir os assentamentos precários, transformando-os em bairros sustentáveis, com famílias integradas à sociedade

Este “milagre sócio-tecnológico” não só ajudará os chilenos, como poderá ser uma solução real para salvar as 6.000 vidas das crianças que morrem diariamente no mundo, por doenças associadas ao consumo de águas contaminadas, ou devido à sua escassez.

 

*Fernando Espósito é arquiteto e professor da PUCV Valparaiso, Chile

 

Saiba Mais:

Veoverde

Un Techo Para Chile

Purificación de Agua con Plasma, Innovación Social Disruptiva en Chile



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Londrina: 83% dos rios locais estão poluídos

Luana Caires
29.07.2011

Uma das faces do Lago Igapó, foto: Luana Santos

Quem mora próximo ao lago Igapó, cartão postal de Londrina, ou costuma caminhar perto dele não fica surpreso ao sentir o mau cheiro de suas águas. Parte de uma bacia urbana de 4,5 quilômetros, ele sofre com o despejo irregular de esgoto e com as chuvas, que trazem lixo e terra de outras partes da cidade para o seu reservatório. O lago está cada vez mais assoreado. Já teve mais de três metros de profundidade, mas hoje apresenta pontos com menos de 20 centímetros. Essa triste realidade está longe de ser exclusividade do Igapó. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) constatou que 83% dos rios e córregos da região metropolitana apresentam alguma forma de poluição.

A pesquisa teve início em 2007 e levou dois anos para ser concluída. Durante esse período, foram avaliados 35 pontos das bacias do Jacutinga, Lindoia, Limoeiro, Cambé, Cafezal e Três Bocas, submetidos a análises de padrões físico-químicos, bacteriológicos e ecotoxicológicos. Então, os 84 rios que cortam a cidade foram divididos entre sete categorias, conforme o índice Avaliação Integrada da Qualidade de Água (AIQA), que vão de “muito boa” a “extremamente poluída”.

De acordo com o diagnóstico feito pelos pesquisadores, nenhum deles está em condições ideais ou péssimas, mas apenas 17% deles se encontram em níveis considerados bons. O estudo aponta ainda que 26% estão pouco poluídos, 29% apresentam níveis médios de contaminação, 14% possuem água poluída e outros 14% foram classificados como muito poluídos. Segundo a bioquímica do IAP, Gelsi Gonçalves, os resultados são relativamente bons, já que Londrina apresenta índices menores de poluição por resíduos industriais do que outras cidades de mesmo porte. “O problema é mesmo a poluição de origem orgânica, causada pelo lançamento de esgoto nos rios”, explica.

No início do mês de julho, dezenas de peixes amanheceram mortos no Ribeirão Lindoia. Fiscais do IAP constataram que a água possuía uma camada com aspecto viscoso e, depois da realização de alguns testes, concluíram que se tratava de uma contaminação por esgoto doméstico, já que foi encontrada uma grande quantidade de bactérias e coliformes fecais nas amostras colhidas.

Em abril deste ano, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) – responsável pelo serviço de água e esgoto do município – foi multada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) em R$ 45 milhões por despejo irregular de esgoto nos ribeirões Cambezinho e Lindoia. A empresa, no entanto, até a data de hoje ainda não havia efetuado o pagamento da multa.

A companhia afirmou em nota oficial que todas as estações de tratamento de esgoto da Sanepar têm licença de operação do IAP e que os efluentes destinados aos rios são monitorados permanentemente de acordo com a legislação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Em declarações à imprensa, o gerente industrial da empresa, Roberto Arai, apontou a existência de ligações clandestinas de esgoto e disse não ter poder para punir seus responsáveis.

Segundo o secretário municipal do Ambiente, José Novaes Faraco, no dia 20 de maio a Sanepar pediu 90 dias para fazer modificações na rede de esgoto e para o pagamento da multa. Até o dia 20 de agosto a empresa deve apresentar um projeto de melhorias no sistema de canal de esgoto e serviços ambientais em Londrina e, caso opte por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e assuma a revitalização da área degradada, o valor da multa pode baixar para cerca de R$27 milhões.

 

* Com informações do Jornal de Londrina e de O Diário

 

Veja também:

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Surto de E. Coli na Alemanha e os riscos dos vegetais crus

Luana Caires
13.06.2011

Broto de feijão: o mocinho que virou bandido, foto: Charles Haynes

Quem acompanhou as notícias do surto causado por uma variante de alta letalidade da bactéria E. Coli, responsável pela morte de 35 pessoas, deve ter começado a olhar para a sua saladinha com certa desconfiança. Afinal, segundo as autoridades alemãs, inocentes brotos de feijão foram a fonte mais provável da contaminação – aqueles raminhos populares entre as pessoas que se preocupam com uma dieta saudável. No Brasil, a boa notícia é que não há indício da chegada da tal variante O104:H4 da bactéria, de acordo com as investigações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Porém, a crise levantou um questão mais abrangente: qual é o risco de contaminação quando ingerimos frutas, verduras e legumes crus?

Quando comemos salada confiamos na eficiência da vigilância sanitária sobre uma longa cadeia de fazendeiros, empacotadores, transportadores e mercados para garantir que nossos vegetais estão livres de germes. Cada garfada é um voto extraordinário de confiança nos sistemas de produção e distribuição de alimentos que trazem os verdinhos ao nosso prato. Entretanto, como milhares de alemães descobriram esse mês, uma porção azarada pode demonstrar que essa confiança é equivocada.

Se eles estiverem contaminados por algum microorganismo, é possível contrair uma Doença Transmitida por Alimentos (DTA). Os sintomas mais comuns desse tipo de enfermidade são falta de apetite, náuseas, vômitos, diarréia, dores abdominais e febre­ – dependendo do agente etiológico. Também podem ocorrer problemas em diferentes órgãos e sistemas, como no fígado (Hepatite A), terminações nervosas periféricas (Botulismo), má formação congênita (Toxoplasmose), dentre outros.

No Brasil, a maioria das DTAs são causadas pela Salmonella, Escherichia coli patogênica e Clostridium perfringens. Como essas bactérias são comuns nos intestinos de animais e humanos, a contaminação pode se dar pelo contato das fezes desses hospedeiros com a água ou diretamente com os alimentos, seja pela utilização de dejetos animais como adubo, por falta de higiene durante o armazenamento, transporte ou lavagem do produto, ou pelas condições do local produtor, que pode ter uma reserva de água contaminada em área próxima à produção e entrar em contato com os vegetais no caso de um período de chuvas fortes, por exemplo.

Como no início os alemães acharam que a culpa do surto era de pepinos orgânicos produzidos na Espanha, é importante dizer que a suscetibilidade à contaminação tanto das formas de cultivo orgânica quanto das convencionais é a mesma. “Os pesticidas utilizados na agricultura não matam essas bactérias, que se multiplicam sobretudo no período pós-colheita, por causa de condições inadequadas de higiene na lavagem dos legumes, depois consumidos crus”, afirma o engenheiro agrônomo e fiscal federal do Ministério da Agricultura, Marcelo Laurino, coordenador da CPOrg-SP (Câmara Setorial de Agricultura Orgânica de São Paulo). Laurino destaca que caso aconteça algum problema sanitário em vegetais orgânicos é possível rastreá-lo todo o caminho que fizeram, da semente até o consumidor. “A produção orgânica é obrigatoriamente rastreada, senão o produtor não consegue certificá-la como tal”, explica.

Dados epidemiológicos do Ministério da Saúde apontam que 45% das contaminações por doenças transmitidas por alimentos ocorrem dentro das casas dos brasileiros e estão associadas principalmente ao manuseio incorreto e à conservação inadequada de alimentos. Veja a seguir como se prevenir contra as DTAs:

  • Lave as mãos regularmente
  • Fique atento à procedência dos alimentos que consome e só beba líquidos pasteurizados ou filtrados
  • Evite alimentos crus. Um cozimento adequado, a uma temperatura acima de 70ºC, consegue matar quase todos os micróbios presentes nos alimentos. Para ter certeza do cozimento completo, principalmente em carnes bovinas e de frangos, deve ser verificada a mudança da cor e textura na parte interna do alimento.
  • É preciso lembrar que em condições ideais, uma única bactéria pode se multiplicar em 130 mil em apenas seis horas. Uma temperatura abaixo dos 5ºC ou acima dos 60ºC retarda essa multiplicação. Por isso, alimentos cozidos não podem ficar por mais de duas horas à temperatura ambiente, os alimentos perecíveis devem ser refrigerados e os cozidos permanecer quentes até o momento de serem servidos
  • Evite a contaminação cruzada! Separe carnes, peixes e ovos crus de outros alimentos, utilize utensílios diferentes, como facas ou tábuas de corte, para alimentos crus e para os cozidos e lave bem os as mãos depois de manipulá-los.

 

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15 dicas para um consumo mais sustentável

Luana Caires
09.06.2011

Avalie os seus hábitos de consumo antes de comprar sem necessidade, foto: Trevin Chow

Você já parou para pensar sobre os impactos ambientais que o seu padrão de consumo causa? As compras que fazemos – seja na feira, no supermercado ou no shopping center –, a maneira como produzimos nosso lixo, como usamos nossos eletrodomésticos, como consumimos água e energia ou até mesmo carne e produtos de madeira deixa marcas degradantes no meio ambiente. Atualmente, consumimos 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Por isso, uma mudança de atitude é mais do que necessária e é bem mais simples do que você pode imaginar. Confira abaixo algumas dicas do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) para poupar o meio ambiente com pequenas alterações em nossos hábitos.

  1. Questione e avalie os seus hábitos de consumo antes de decidir pela compra de qualquer produto e procure consumir apenas o necessário.
  2. Informe-se sobre a origem e o destino de tudo que você consome. Optar por produtos feitos com métodos sustentáveis ajuda a cadeia produtiva a ser mais responsável e minimiza os impactos no meio ambiente.
  3. Antes de comprar um novo equipamento, verifique a etiqueta e escolha aquele que consome menos energia.
  4. Evite luzes ou equipamentos ligados quando não for necessário. Os aparelho em stand-by continuam consumindo energia.
  5. Cobre das empresas de eletroeletrônicos uma política de coleta, reciclagem e fabricação de produtos  com baixo consumo de energia.
  6. Reduza o tempo do banho. Você poupa água e ajuda a diminuir o consumo de energia. E não deixe de revisar suas torneiras! Uma torneira pingando a cada 5 segundos representa, em um dia, 20 litros de água desperdiçada.
  7. Solicite produtos orgânicos com certificação de origem de qualidade de gestão ambiental aos supermercados e fornecedores de materiais de limpeza.
  8. Substitua a lâmpadas incandescentes por lâmpadas econômicas. Elas geram a mesma luminosidade, duram mais e poupam 80% de energia.
  9. Ligue a máquina de lavar roupa apenas com a carga cheia. Você poupa água, energia, sabão e tempo.
  10. Utilize sacolas de pano ou caixas de papelão em vez de recorrer às sacolinhas plásticas.
  11. Ao comprar móveis, prefira madeira certificada. Assim você evita o desmatamento da Amazônia.
  12. Sempre que possível, reutilize produtos e embalagens.
Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar. E, mesmo que não seja feita a coleta seletiva em seu bairro, separe o lixo reutilizável do orgânico e encaminhe para a reciclagem. Reciclar é uma maneira de contribuir para a economia dos recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.
  13. Diminua o uso de produtos de higiene e limpeza. Assim você reduz o nível de poluentes presentes na água e no tratamento do esgoto.
  14. Incentive a carona solidária e organize caronas com familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho.
  15. Faça as contas: ir a pé, usar bicicleta, transporte coletivo ou táxi é mais barato e polui menos do que comprar um automóvel. Mas, se a compra de um carro for inevitável, consulte a Nota Verde do Proconve no site www.ibama.gov.br e a etiqueta de eficiência energética para escolher o modelo menos poluente. E não esqueça de manter em dia a manutenção do seu veículo. Faça inspeção veicular, não retire o catalisador, devolva a bateria e os pneus usados ao revendedor na hora da troca. Os pontos de venda são obrigados a aceitar e reciclar esses produtos.

 

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Cone translúcido usa sol para dessalinizar água

Eduardo Pegurier
02.05.2011

Watercone, foto: divulgação

A água cobre 3/4 da superfície do planeta, mas 97% do total disponível é água salgada e outros 2% estão presos em geleiras. Acessar o 1% disponível para consumo humano não é fácil. A pobreza nega a infraestrutura para sanear e abastecer uma população mundial que cresce. Do outro lado, a poluição e o mau uso reduzem a quantidade disponível para consumo.

Às populações sem acesso a água potável, uma alternativa é dessalinizar a água salobra ou impura de oceanos, rios e lagos. Mas a operação é intensiva em uso de energia e, portanto, cara. Assim, um equipamento simples e robusto como o Watercone (ou cone de água) é bem-vindo. Aliás, formas improvisadas do sistema são usadas por exércitos e beduínos do deserto.

Ilustração: Mage Water Management

O Watercone é composto de uma base escura, a qual é sobreposta por um cone de plástico translúcido. Para funcionar, basta colocar a água salobra na base, fechar o engenho e deixar o sol fazer o trabalho. A água da base evapora e vai parar nas paredes do cone. De lá, escorre e se acumular em um receptáculo instalado na borda (veja ilustração). Em lugares ensolarados, o resultado é de um 1,5 litros de água potável por dia, produzida por energia solar totalmente “de grátis”.

O equipamento custa 49 euros (cerca de 115 reais) a unidade, mas há bons descontos para compras no atacado. Ele é leve e fácil de empilhar. E, como mostra o vídeo abaixo, robusto. Por mais que seja amassado, não quebra.


 

 

Leia também: As cisternas do semiárido nordestino

 
 

Via Treehugger



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As cisternas do semiárido nordestino

Celso Calheiros
01.04.2011

À direita, a cisterna semienterrada para evitar a evaporação, foto: Celso Calheiros

Em um país banhado por extenso litoral e costurado por rios, a falta de água ganha um significado dramático no semiárido nordestino. A média pluviométrica na região é de 750 mm anuais, menos da metade da média de Recife, com 1.800 mm. O período de chuvas se concentra nos primeiros meses do ano e, com frequência, não soma 20 dias. Para prover o consumo no resto do ano, surgiu uma ideia engenhosa e barata: a cisterna abastecida pela água da chuva. Durante a fase de abundância, ela pode acumular até 16 mil litros, quantidade suficiente para atender a uma família de cinco pessoas durante a época da estiagem. Cisternas instaladas principalmente em residências já beneficiam 1,6 milhão de pessoas e começam a ser difundidas nas escolas e postos de saúde.

O equipamento é simples e funcional. A instalação dispensa tubulação que não seja a doméstica. O reservatório propriamente dito fica parcialmente enterrado. Com isso, recebe menos sol e é resfriado pela terra ao seu redor, reduzindo a perda de água por evaporação. Para evitar a sujeira que se acumula no telhado, na base do cano que recebe a água da canaleta há uma garrafa PET fechada. Ela funciona como uma boia e bloqueia a primeira água. Em seguida, libera a passagem e apenas água limpa é armazenada.

Detalhe da canaleta que recebe a água da chuva e leva até o cano, foto: Celso Calheiros

As cisternas são construídas pela própria comunidade, com tecnologia repassada por uma rede de instituições assistenciais que atuam no semiárido. Fora o trabalho, o custo do material é de R$1,2 mil. Como até agora o projeto é um sucesso, planeja-se uma outra etapa: estimular os camponeses a construírem uma segunda cisterna destinada à criação de peixes e a matar a sede dos animais.

Outra ideia que se desdobrou do êxito inicial é usar variações dessas cisternas em áreas densamente habitadas, como São Paulo. Nesse caso, seu maior potencial seria evitar inundações.

Visão completa do sistema de captação, foto: Celso Calheiros

Abaixo, casa de família de agricultores em Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeu pernambucano. A região é um exemplo agradável do semiárido, pois a paisagem é mais verde do que a que se encontra no sertão profundo.

Casa em Afogados da Ingazeira, Pernambuco - foto: Celso Calheiros

 



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Fotografia: Água nas Cidades

Eduardo Pegurier
26.03.2011

A IUCN (International Union for Conservation of Nature) fez um slide show ilustrando a pressão sobre os recursos hídricos e a dificuldade de abastecimento que as cidades encontram.

Água tem um valor econômico. “Várias das metrópoles mundiais entenderam que proteger ecossistemas naturais para garantir seu suprimento de água faz sentido”, diz Julia Marton-Lefébre, diretora-geral da IUCN. “Ao invés de derrubar florestas ou drenar áreas alagadiças, mantê-las como estruturas que retêm e armazenam água poupa bilhões de dólares, evitando o gasto com cara infraestrutura urbana para estocar, tratar ou trazer água de outros lugares”



 



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Água: se é um bom negócio, não vai faltar

José Luiz Carvalho
25.03.2011

Escassez de água, foto: Oxfam International

Na terça, 22 de março, em comemoração ao Dia Mundial da Água, a ANA (Agência Nacional de Águas) divulgou um detalhado trabalho, Atlas Brasil, que consolida o planejamento da oferta de água em todo o País a partir do diagnóstico dos mananciais e da infraestrutura hídrica existente (sistemas de captação de água, elevatórias, adutoras e estações de tratamento) e da identificação das melhores alternativas técnicas. Segundo o Atlas, até 2025, serão necessários R$ 70 bilhões em obras de água (R$ 22,2 bilhões) e esgoto (R$ 40,8 bilhões para coleta e R$ 7 bilhões para tratamento). Nas palavras da ANAC, “As obras nos mananciais e nos sistemas de produção são fundamentais para evitar déficit no fornecimento de água nas localidades indicadas, que em 2025 vão concentrar 139 milhões de habitantes, ou seja, 72% da população”.

Infelizmente, não consegui perceber qualquer intenção da Agência em abrir a possibilidade de cooperação do setor privado em tais investimentos. Às pessoas que veem os investimentos privados com desconfiança, pode causar espécie a possibilidade de empresas privadas fornecerem água a populações. Como água é indispensável à vida, o argumento comum é que não se pode comercializar água como uma mercadoria. Alguns extremistas chegam a caracterizar o direito à água (na África do Sul é um direito garantido na Constituição). Entretanto, água é um recurso natural escasso e água potável é ainda mais escassa. Há custos para que a água potável chegue até nossas residências. Água fornecida a baixo preço implica em desperdício.

Quando você compra uma garrafa de água, ou um garrafão de 20 litros, nem sempre se dá conta de que essa água lhe é fornecida como uma mercadoria. O número de famílias, nas grandes metrópoles brasileiras, que se valem desse mercado para matar sua sede tem crescido, especialmente pela desconfiança quanto à qualidade da água que as autoridades públicas oferecem. Isso ocorre em outros países e pela mesma razão. Talvez por isso, a participação do setor privado na captação, tratamento e distribuição de água potável para populações urbanas tem crescido, especialmente nos Estados Unidos e Europa, embora existam casos na Ásia, África e América do Sul. A participação do setor privado ocorre por meio de contrato, geralmente negociado em leilão público.

Em 2001, a agência Americana de Proteção Ambiental (EPA) estimou em US$ 151 bilhões os investimentos públicos em infraestrutura para abastecer de água a população por mais 20 anos. No caso de coleta e tratamento de esgoto, o investimento correspondia de US$ 331 bilhões a US$ 450 bilhões para o período 2002 a 2019. A pressão sobre o orçamento público nos três níveis permitiu mudanças na legislação que vieram a favorecer a participação do setor privado na oferta de água potável à população.

Cerca de 45% dos usuários Americanos são servidos por empresas públicas, 14,7% por empresas privadas e os demais por associações de moradores e outros arranjos. As duas maiores empresas distribuidoras de água nos EUA são estrangeiras: a American Water, de propriedade da alemã RWE, serve a 18 milhões de residentes em 29 estados, com faturamento em 2005 de US$2,2 bilhões, e a United Water, de propriedade da francesa Suez, serve a 2 milhões de residentes em 8 estados, com um faturamento naquele mesmo ano de US$ 495 milhões.

As empresas europeias e americanas relutam em investir nos países em desenvolvimento pela instabilidade das instituições. Essa foi no passado a atitude da banca internacional. Se melhorarmos nosso arranjo institucional, poderemos atrair investidores privados nacionais e estrangeiros e assim obter melhores serviços de distribuição de água e tratamento de esgoto.

 

*José Luiz Carvalho é professor de economia e doutorado pela universidade de Chicago. Ele também é vice-presidente do Instituto Liberal, que publicou inicialmente esse artigo em 22/03/11.

 

Leia também os artigos:

Aguanomia

Sede de água

 



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Água na OCA

Luana Caires
22.03.2011

"Conta-gotas", de Márcia Xavier; foto: Luana Santos

Hoje, 22 de março, é o Dia Mundial da Água, data para refletir sobre como consumimos o recurso do qual mais precisamos para viver e obter confortos modernos essenciais. Setenta por cento da face terrestre é coberta por água, mas por trás dessa abundância está uma verdade muitas vezes desconhecida: apenas 1% de todo esse enorme reservatório é próprio para o consumo humano. Do pequeno percentual que nos é disponível, a maior parte é destinada à agricultura e à indústria. Apenas 10% dele é utilizado pela população de forma direta e sua distribuição é bastante desigual. Segundo dados da ONU, existem 1 bilhão de pessoas no mundo que não dispõem de acesso a uma fonte de água e 3 bilhões que não têm acesso a água potável.

E o desperdício persiste. No Brasil, por exemplo, de cada 100 litros de água tratada, 40 litros em média são perdidos, seja por vazamentos, por roubo ou outros fatores, e em algumas cidades do país essas perdas chegam a 70%. Se forem mantidos os atuais níveis de consumo, estima-se que em 2050 dois quartos da humanidade viverão em regiões assoladas pela escassez de água. Para evitar esse futuro, é preciso repensar a relação que temos com o meio ambiente e com os nossos recursos naturais. É justamente a isso que nos convida a exposição Água na OCA, no parque Ibirapuera, em São Paulo.

Obra do inglês William Pye; foto: Luana Santos

Idealizada pelo Instituto Sangari em parceria com o Museu de História Natural de Nova York, a exposição é dividida em quatro eixos temáticos. No térreo, são exploradas as relações entre a água, a vida e o planeta, suas propriedades, problemas e potenciais. O visitante pode admirar uma faixa de aquários com mais de 60 espécies de peixes de sete ecossistemas diferentes e nas projeções audiovisuais conhece alguns seres que habitam nas profundezas do mar.

Ao tocar na tela, o visitante aprende o nome das espécies; foto: Luana Santos

Na seção Infiltração, é o peso político da cidadania que entra em cena. Uma das instalações simula uma casa durante uma tempestade e a ameaça da enchente, problema grave que se repete todos os anos. Já os painéis nos oferecem dicas para tornar nossos hábitos mais sustentáveis. Medidas simples como reduzir o tempo no banho de 15 para 5 minutos, fechando a ducha na hora de se ensaboar, consertar torneiras que estiverem pingando, ensaboar toda louça e só depois abrir a torneira para enxaguá-la, usar água corrente apenas para o enxague e não lavar a calçada e o quintal com a mangueira podem gerar uma economia estimada de 878 litros de água — o equivalente a quase 20 banhos.

A Calcul´água ajudando a evitar o desperdício; foto: Luana Santos

Quer saber outras formas simples para evitar o desperdício? Visite a mostra  e explore a máquina de Calcul’água. Além das instalações interativas – que são de longe as mais populares –, vale a pena conferir o eixo Desaguar, em que artistas visuais de várias partes do mundo expõem obras inspiradas na plasticidade da água.  E não deixe de se acomodar nos colchões de água do último andar para assistir ao curta de A Última Fronteira. Mas, mais importante do que simplesmente admirar exposição, é refletir sobre o seu papel neste cenário e fazer a sua parte para que a água não deixe de ser um recurso renovável para transformar-se em esgotável.

Visitantes se acomodam para a projeção; foto: Luana Santos

 

* SERVIÇO

DURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO: de 26 de novembro de 2010 a 8 de maio de 2011

LOCAL: Pavilhão Lucas Nogueira Garcez (Oca) Av. Pedro Álvares Cabral, S/No – Portão 3, Parque do Ibirapuera, Vila Mariana, São Paulo

HORÁRIOS: terças, quartas e sextas-feiras: das 9h às 18h (bilheteria até as 17h) Quintas-feiras: das 9h às 21h (bilheteria até as 20h) Sábados, domingos e feriados: das 10h às 20h (bilheteria até as 19h)

INGRESSOS: Inteira: R$ 20,00 Estudantes e professores com comprovantes: R$ 10,00 (meia-entrada) Menores de 7 e maiores de 60 anos com documento não pagam. No último domingo de cada mês, a entrada é gratuita para todos os visitantes.

 



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Estudante usa calça jeans 15 meses sem lavar

Luana Caires
18.03.2011

Jovem canadense usou o mesmo jeans por 15 meses sem lavá-lo nenhuma vez, foto: Erkin

Há quem acredite que usar a mesma calça jeans por muito tempo sem lavá-la é uma ameaça à saúde e aos bons costumes, mas a experiência de Josh Le, aluno da universidade de Alberta, no Canadá, indica que o hábito é menos nocivo do que se imagina. Depois de usar sua calça jeans por 15 meses e uma semana sem mandá-la nenhuma vez para a lavanderia, ele submeteu sua vestimenta a uma contagem bacteriana e o resultado foi surpreendente.

“Esperava encontrar bactérias associadas ao intestino grosso, mas me surpreendi com a sua total ausência, apenas bastante bactéria de pele da mais comum”, disse Rachel McQueen, professora do rapaz e pesquisadora da relação entre odores e o aparecimento de microorganismos em tecidos.

As bactérias descobertas na roupa são transferidas para a vestimenta pela pessoa que a usa e não oferecem perigo para a saúde – desde não existam cortes ou arranhões na epiderme. A menos que você trabalhe em um hospital ou em uma cozinha, onde a higienização é imprescindível, o resultado demonstra que adotar intervalos maiores entre as lavagens dos seus jeans gera benefícios ambientais maiores do que os seus riscos.

E aí? Por quanto tempo você aguenta usar a mesma calça jeans? Ou melhor, por quanto tempo você ainda teria amigos?



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