São Paulo – Conheça a rota dos orgânicos

Luana Caires
30.09.2011

Confira a lista de fornecedores indicados pela AAO, foto: Richard Smith

Há vinte anos, quando surgiu a primeira feira de alimentos orgânicos da cidade de São Paulo (a Feira do Produtor Orgânico, no Parque da Água Branca), o conhecimento sobre esse tipo de produto ainda era restrito a uma pequena parcela de consumidores. De lá para cá a informação e a oferta de alimentos produzidos sem agrotóxicos se expandiu, assim como o número de consumidores que os desejam. Mas nem sempre as pessoas sabem todas as opções de locais de venda onde os orgânicos podem ser encontrados, e por um bom preço.

Pensando nisso, a Associação de Agricultura Orgânica (AAO), que administra a feira pioneira da cidade, divulga uma série de fornecedores  especializados (alguns dos quais entregam em domicílio) na capital. De acordo com Márcio Stanziani, secretário-executivo da AAO, a ideia é reunir todos os estabelecimentos que oferecem alimentos certificados, mas a relação ainda não está completa. “O objetivo da lista é prestar um serviço à comunidade, pois nós estamos só aqui no Parque da Água Branca [zona oeste] e sabemos que muitos consumidores querem comprar orgânicos mas não podem se deslocar até aqui”, afirma.

É verdade que grandes redes de supermercados já oferecem produtos orgânicos, mas o preço dos alimentos nesses locais é bem mais alto do que em feiras e até mesmo que na entrega em domicílio. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) no ano passado verificou que a diferença de custo de um mesmo produto pode chegar a 463% dependendo do canal de venda. “Comprar direto do produtor sai mais barato para o consumidor e dá mais lucro para quem produz, pois elimina os custos com intermediários”, diz Stanziani.

Para facilitar a localização de feiras, lojas e serviço de entrega em domicílio de orgânicos em São Paulo, ((o)) Eco reuniu algumas dicas da AAO, separadas por região. Confira a seguir:

 

ZONA OESTE

Feiras

Feira do Produtor Orgânico da AAO

Onde fica: Parque da Água Branca – Av. Francisco Matarazzo, 455 – Água Branca

Quando acontece: terças, sábados e domingos, das 7h às 12h

O que tem: bebidas, cafés, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos, processados diversos, entre outros.

Mais informações: Fone: (11) 3875-2625/ e-mail: atendimento@aao.org.br

 

Feira Estádio do Pacaembu

Onde fica: Praça Charles Miller – Pacaembu

Quando acontece: Todas as sextas-feiras, pela manhã

O que tem: bebidas, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

 

Feira Orgânica Parque Previdência

Onde fica: Rua Pedro Peccinini, 88 – Km 12 da Raposo Tavares – Jardim Adhemar de Barros

Quando acontece: aos sábado

O que tem: bebidas, cafés, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11) 3875-2625

 

Lojas

Viva Verde Comércio de Produtos Naturais e Orgânicos

Onde fica: Rua dos Pinheiros, 448 – Pinheiros

O que tem: açúcar, bebidas, cafés, castanhas, ervas, temperos, fitoterápicos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, óleos, pães, biscoitos, processados diversos e produtos biodegradáveis

Mais informações: www.naturalvivaverde.com.br/  Tel: (11)4301-8663 / e-mail: contato@naturalvivaverde.com.br; juliana.oliveira@naturalvivaverde.com.br

 

Entrega em domicílio

Caminhos da Roça – Produtos Orgânicos

Onde fica: Av. Otacílio Tomanik, 926 – Butantã

O que tem:  açúcar, bebidas, cafés, carnes, frangos, peixes, ervas e temperos, fitoterápicos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, óleos, pães e biscoitos, processados diversos, produtos biodegradáveis e terapêuticos

Mais informações: www.caminhosdaroca.com.br / fone: (11)3733-6727 / e-mail: euquero@caminhosdaroca.com.br

 

Fazendinha Sustentável

Onde fica: Rua Urbano da Silva, 91 – Vila Jaguara

O que tem: frutas e hortaliças

Mais informações: Fone: (11)3621-7672 / e-mail: fazsustentavel@itelefonica.com.br

 

ZONA SUL

Feiras

Feira de Produtos Biodinâmicos

Onde fica: Rua da Fraternidade, 156 – Santo Amaro

Quando acontece: às quintas-feiras, das 9 às 14h30

O que tem: bebidas, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11)3815-7862

 

Feira Orgânica Ibirapuera

Onde fica: Rua Tutóia (estacionamento da Igreja do Santíssimo Sacramento) – Vila Mariana

Quando acontece: aos domingos

O que tem: bebidas, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11) 3875-2625 / organica@uol.com.br

 

Feira Orgânica no Mundo Verde

Onde fica: Av. Cotovia, 900 – Moema

Quando acontece: aos sábados, das 9h às 16h

O que tem: bebidas, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11)3628-4350 / e-mail: gerencia.mv.moema@gmail.com

 

Lojas

Emporium Oriental Iwama

Onde fica: Av. do Cursino, 1788 – Jardim da Saúde

O que tem: açúcar, bebidas, cafés, carnes, frangos, peixes, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, óleos, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: www.emporiumoriental.com.br / fone: (11)5073-7745 / e-mail: a.iwama@terra.com.br

 

Espaço Atman Comércio de Produtos Naturais e Orgânicos

Onde fica: Av. Nova Independência, 149 – Brooklin

O que tem: bebidas, cafés, cosméticos, grãos, mel, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: fone: (11)2308-0364 / espacoatman@espacoatman.com.br

 

F&C Vida Natural

Onde fica: Av. Cotovia, 328 – Moema

O que tem: bebidas, cafés, carnes, frangos, peixes, castanhas, cosméticos, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, mel, óleos e processados diversos

Mais informações: Tel: (11)3628-4350 / moema@mundoverde.com.br

 

Entrega em domicílio

Chácara de Produtos Orgânicos e Produtos Naturais

Onde fica: Rua Rodrigo Vieira, 412 – Chácara Klabin

O que tem: bebidas, cafés, carnes, frangos, peixes, castanhas, cosméticos, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, óleos, pães e biscoitos e processados diversos

Mais informações: www.chacaradeorganicos.com.br / fone: (11)5084-9697/ e-mail: loja@chacaradeorganicos.com.br

 

Horta da Vovó – Quitanda Orgânica Delivery

Onde fica: Rua Itamiami, 131 – Vila Mariana

O que tem: bebidas, cafés, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel e processados diversos.

Mais informações: www.hortadavovo.com.br / Fone: (11)7825-4662 / e-mail: contato@hortadavovo.com.br

 

Organic Delivery

Onde fica: Av. Pedroso Alvarenga, 1255, conjunto 55 – Itaim

O que tem: açúcar, bebidas, carnes, frangos e peixes, castanhas, cosméticos, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, mel, óleos, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: www.organicdelivery.com.br/ fone: (11) 4169-4457 / e-mail: organic@organicdelivery.com.br

 

Ponto Verde Comércio de Produtos Naturais

Onde fica: Rua do Estilo Barroco, 44 – Chácara Santo Antônio

O que tem: carnes, frangos, peixes, castanhas, cosméticos, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, insumos agrícolas, laticínios, óleos e processados diversos

Mais informações: www.lojapontoverde.com.br / fone: (11)51825161  / email: loja@lojapontoverde.com.br

 

ZONA NORTE

 Entrega em domicílio

Hortifruti Orgânico

Onde fica: Rua Adalberto Kurt 359 – Jardim Líbano

O que tem: açúcares, bebidas, cafés, castanhas, ervas, temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, óleos, pães, biscoitos e processados diversos

Mais informações: www.hortifrutiorganico.com.br / fone: (11) 3013-3235 e-mail: falecom@hortifrutiorganico.com.br

 

ZONA LESTE

Entrega em domicílio

Vivenda A Vida

Onde fica: Avenida Mercúrio, 166 – Brás

O que tem: bebidas, grãos e processados diversos

Mais informações: Fone: (11)3017-0760 / e-mail: marketing@vivendavida.com.br

 

CENTRO

Feiras

Mercado Central de São Paulo

Onde fica: Rua Cantareira – Centro

Quando acontece: todos os sábados pela manhã

O que tem: bebidas, ervas e temperos, frutas, grãos, hortaliças, laticínios, mel, pães, biscoitos e processados diversos

 

Veja também:

– Agrotóxico: os 10 alimentos mais perigosos

– Ocorrência de salmonela é menor em frangos orgânicos

Tudo o que você não queria saber sobre alface e tomate

– Três mitos sobre alimentos orgânicos



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Três mitos sobre alimentos orgânicos

Luana Caires
21.07.2011

Nem tudo que é orgânico é bom para você, foto: London Permaculture

O consumo de produtos orgânicos está em alta. Apesar de, via de regra, serem bem mais caros do que os alimentos cultivados de forma tradicional, estima-se que nos últimos anos a venda de orgânicos certificados no mundo todo tenha saltado para cerca de 52 bilhões de dólares. Só no Brasil, esse setor faturou 350 milhões de reais em 2010, ou 40% a mais do que no ano anterior, segundo dados da ONG Organics Brasil.Cada vez mais as pessoas estão optando pelo que consideram hábitos mais sustentáveis e saudáveis.

Porém, na opinião de Christie Wilcox, autora do blog Science Sushi da revista Scientific American, há excessos na defesa dos orgânicos. Ela elogia as suas vantangens como evitar a monocultura, promovendo a rotação de solo cultivado e plantações mistas. Mas ataca o que considera 3 mitos sobre eles:

 

1. Fazendas orgânicas não usam pesticidas

Quando a Soil Associantion – organização inglesa que difunde o cultivo e consumo de alimentos produzidos de forma sustentável – fez uma pesquisa sobre o motivo que levava os britânicos a comprar produtos orgânicos, 95% dos participantes responderam que pretendiam evitar o contato com agrotóxicos. No entanto, a principal diferença entre a produção orgânica e a tradicional não é o uso de pesticidas, mas a origem dos pesticidas utilizados.

Enquanto a agricultura tradicional usa agrotóxicos sintéticos, a orgânica utiliza toxinas derivadas de fontes naturais. É comum a ideia de que substâncias encontradas na natureza são, de alguma maneira, menos agressivas ao meio ambiente do que aquelas criadas pelo homem. Porém, as pesquisas científicas mostram que os pesticidas naturais também podem prejudicar a saúde.

A Rotenona, por exemplo, foi usada na agricultura convencional e na orgânica por décadas até que pesquisadores concluíram que a exposição a essa substância está relacionada ao desenvolvimento da doença de Parkinson e tem potencial para provocar a morte de várias espécies, inclusive dos humanos. Com isso, a utilização da Rotenona como pesticida foi proibida nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, a substância pode ser utilizada somente mediante autorização do órgãos reguladores responsáveis.

É preciso estar atento ao fato de que, mesmo que você consuma produtos cultivados sem qualquer tipo de pesticidas, isso não significa que sua saúde esteja completamente livre de riscos, pois os alimentos orgânicos tendem a ter níveis mais altos de agentes patogênicos. Um estudo realizado nos Estados Unidos encontrou E. Coli na produção de 10% das amostras vindas de fazendas orgânicas, enquanto apenas 2% daquelas vindas das culturas convencionais apresentaram a bactéria.  Isso porque uma parte dos produtores orgânicos utilizam o esterco como adubo, o que pode facilitar a contaminação.

No fim das contas, os orgânicos também dependem das condições em que são cultivados. Os métodos utilizados nas fazendas orgânicas variam muito de local para local — algumas delas não utilizam nem mesmo pesticidas naturais. Portanto, é importante escolher com cuidado o fornecedor dos seus alimentos, sejam eles orgânicos ou não.

2. Alimentos orgânicos são mais saudáveis.

Algumas pessoas acreditam que, por não usar químicos sintéticos, o plantio orgânico produz alimentos mais nutritivos e saudáveis. No entanto, os estudos científicos ainda não encontraram evidências de que isso seja verdade – e cientistas têm pesquisado sobre essa hipótese por mais de 50 anos.

Um estudo recente realizado no Reino Unido revisou sistematicamente 162 artigos publicados entre 1958 e 2008 que comparavam produtos orgânicos e não-orgânicos, mas não foi encontrada nenhuma diferença na concentração de 15 nutrientes, entre eles a vitamina C, o betacaroteno e o cálcio. Os pesquisadores constataram que alimentos convencionais apresentavam níveis maiores de nitrogênio, enquanto os orgânicos apresentavam mais fósforo e eram mais ácidos – fatores que não influem em sua qualidade nutricional.

Outra análise, desta vez feita com produtos de origem animal, como carne, laticínios e ovos, encontrou poucas diferenças no conteúdo nutricional desses alimentos. Os orgânicos, porém, apresentaram níveis mais altos de gordura, principalmente de gordura trans.

3. O cultivo orgânico é melhor para o meio ambiente

Esse tipo de agricultura tem vantagens, como o fato de não utilizar pesticidas sintéticos, mas isso não quer dizer que, apesar dessa característica, não possam ser prejudiciais ao meio ambiente.

Os produtores orgânicos, como regra, não aceitam os transgênicos, embora eles tenham o potencial de reduzir o uso de pesticidas e aumentar a produtividade das plantações e o valor nutricional dos alimentos – exatamente o que o cultivo orgânico procura fazer. No entanto, apesar de rejeitar os transgênicos, boa parte dos produtores de orgânicos recorre a artifícios como a aplicação de Bacillus thuringiensis (proteína de uma bactéria encontrada no solo) como inseticida. Essa é a mesma substância produzida por algumas das plantas geneticamente modificadas, com a vantagem de que, quando é produzida pela própria planta, a toxina não contamina o solo nem as reservas de água próximas às áreas de cultivo.

Mas o principal motivo pelo qual a agricultura orgânica não é mais verde do que a convencional é porque suas fazendas têm uma fração da produtividade daquelas que usam métodos industriais. Se o mundo decidisse produzir apenas alimentos orgânicos na mesma extensão de terra tomada hoje pela agricultura, o número de pessoas famintas poderia saltar de cerca de 800 milhões para 1,3 bilhão. Portanto, seria necessário aumentar a quantidade de terra utilizada pela agricultura e, para isso, avançar sobre habitats atualmente intocados.


Wilcox conclui que nessa seara as coisas não são preto no branco. Nem tudo o que é considerado orgânico é bom para o consumidor ou para o meio ambiente. Isso não condena a agricultura orgânica. Por tentar minimizar o uso de pesticidas e adubos sintéticos, pode ser que a longo prazo ela seja o caminho para a agricultura sustentável. Mas é importante poder questioná-la e mostrar suas falhas. 

 

Via: Scientific American

 

Leia também:

– Açúcar: o grande vilão da dieta?

– Ocorrência de salmonela é menor em frangos orgânicos

 



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Tudo o que você não queria saber sobre alface e tomate

Lúcia Nascimento
28.10.2010

Quando contaminados por agrotóxicos, alface e tomate são vilões da saúde, foto: An& e Terry Davies

Na salada mais básica não costuma faltar a dupla alface e tomate. Além de saborosos, o primeiro é rico em ferro e fibras, enquanto o vermelhinho dá show de antioxidantes, contendo grande concentração de licopeno, vitaminas A e B, postássio, ácido fólico e cálcio. É nativo das américas, onde já era cultivado por incas, maias e astecas, mas dá pinta de italiano: é um dos ingredientes básicos da chamada dieta mediterrânea. Tudo estaria ótimo, não fossem afetados pelo mau uso de agrotóxicos.

De acordo com o último levantamento da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ficaram com as posições pouco honrosas de 8º e 9º lugar entre os dez alimentos com maior chance de conter agrotóxicos banidos ou em excesso. Dois agrotóxicos perigosos foram encontrados no tomate: o endossulfan e o metamidofós, este último também identificado nas amostras de alface. Essas substâncias estão relacionadas ao aparecimento de câncer, distúrbios hormonais e problemas no aparelho reprodutor e  no desenvolvimento embriofetal. Por isso, elas já foram proibidas em vários países (veja aqui e aqui), o que levou a Anvisa a recomendar o seu banimento também no Brasil.

O Brasil é o principal destino de agrotóxicos proscritos no exterior. Segundo o cronograma do governo, as importações do endossulfan serão proibidas a partir de 31 de julho de 2011, mas o uso e a venda desse produto em território nacional só deve ser totalmente banida até julho de 2013. Já a proibição do metamidofós ainda está em avaliação.

O consumo de alimentos orgânicos é uma opção para evitar intoxicações por essas e outras substâncias. A única desvantagem é que eles são bem mais caros que os tradicionais. Em um supermercado da região oeste de São Paulo, um pé de alface convencional custa R$0,59 enquanto o orgânico sai por R$2,24 – 3,7 vezes mais caro. Para o tomate, os números são, respectivamente, R$1,89 e R$11,98 – ou uma diferença de 6,3 vezes. Entretanto, segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), é preciso fazer cotação de preços, porque de acordo com um levantamento da organização os orgânicos são mais baratos em feiras do que em supermercados. A diferença, dependendo da região do país, pode chegar até 250%.

Quem não quiser gastar mais, deve tomar alguns cuidados. Uma dica é evitar comprar alimentos lisinhos e perfeitos, pois nem sempre o que é mais bonito é o mais saudável. Também não adianta deixá-los de molho em vinagre, limão ou bicarbonato de sódio. O ideal é diluir uma colher de sopa de água sanitária em um litro de água, deixá-los submersos por 5 minutos, enxaguando bem em seguida. Mas, antes de fazer isso, é preciso resfriar o fruto ou a verdura por duas horas pois, quando esses produtos se encontram na mesma temperatura da água, eles a absorvem, levando junto os agrotóxicos que se encontram em sua casca. (veja o vídeo abaixo).



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Agrotóxico: os 10 alimentos mais perigosos

Lúcia Nascimento
13.09.2010

Pimentão: no Brasil, vilão do agrotóxico - foto: Tamara Dunn

Com saudade daquele moranguinho com creme? Gosta de uma couve na sua feijoada? Pois, cuidado. Um estudo divulgado esse ano pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) colocou esses alimentos entre os mais perigosos para o consumo, por terem grande chance de sofrer contaminação excessiva ou uso errôneo de agrotóxicos. Aqui está, em ordem do mais perigoso para o menos, a lista dos top 10: pimentão (80,0%), uva (56,40%), pepino (54,80%), morango (50,80%), couve (44,20%), abacaxi (44,10%), mamão (38,80%), alface (38,40%), tomate (32,60%) e beterraba (32,00%).

Da ANVISA, sobre os resultados do relatório:

…chama a atenção a grande quantidade de amostras de pepino e pimentão contaminadas com endossulfan, de cebola e cenoura contaminados com acefato e pimentão, tomate, alface e cebola contaminados com metamidofós. Além de serem proibidas em vários países do mundo, essas três substâncias já começaram a ser reavaliadas pela Anvisa e tiveram indicação de banimento do Brasil. De acordo com Dirceu Barbano, diretor da Anvisa, “são ingredientes ativos com elevado grau de toxicidade aguda comprovada e que causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer”. (grifo nosso)

A tabela a seguir mostra os resultados da pesquisa, que analisou amostras de 20 tipos de vegetais. Em 15 delas, encontrou agrotóxicos usados de forma irregular. A 1ª coluna mostra o número de amostras analisadas por alimento. Em seguida, na coluna ‘Não autorizados para cultura’, aparece o número absoluto e percentual das amostras onde aparece o uso irregular de agrotóxicos. No mesmo formato, a 3ª coluna ‘Acima do limite máximo de resíduo’ destaca as amostras que continham quantidades de agrotóxicos permitidos, mas além dos limites seguros. A 4ª coluna mostra a intersecção das amostras que se encaixam nas duas categorias. E, finalmente, a última coluna, mostra a chance de contaminação do alimento de acordo com a soma das modalidades anteriores. Os 5 alimentos que têm chance de contaminação abaixo de 10% estão marcados em verde água (de novo, o colorido é nosso). É um panorama nada animador, pois essa lista contém boa parte dos vegetais que, até mesmo por razões de saúde, somos incentivados a consumir.

A alternativa eficaz para evitar pesticidas é consumir orgânicos. Mas nem sempre isso é possível – já que esses vegetais costumam ser mais caros e não são encontrados em quantidade suficiente em todas as cidades. Por isso, uma solução intermediária é tentar eliminar os resíduos de agrotóxicos, quando possível. A nutricionista Cláudia Cardim, coordenadora do curso de nutrição da Universidade Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro, dá as dicas para isso.

  • No caso de alimentos de origem animal (que podem ter sido contaminados pelos agrotóxicos pela água ou pela comida), retire a gordura aparente, pois algumas dessas substâncias são armazenadas no tecido gorduroso
  • Lave frutas e verduras em água corrente por pelo menos um minuto, esfregando com uma esponja ou escova
  • Tire as folhas externas das verduras e descasque as frutas, pois essas partes concentram mais agrotóxico
  • Diversifique os vegetais consumidos no dia a dia, pois isso reduz a ingestão de quantidades maiores de um mesmo agrotóxico
  • Como alguns pesticidas podem ser utilizados na fase final da maturação do alimento, reduza o risco comprando frutas e legumes mais verdes, e espere alguns dias antes de consumi-los.


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