Recife: bairro da Bomba quer fazer um carnaval limpo

Celso Calheiros
04.03.2011

Preparando a folia e a limpeza, foto: Celso Calheiros

O bairro da Bomba do Hemetério, no Recife, se preparou como poucos para o Carnaval. Na verdade, a Bomba virou a novidade do Carnaval do Recife e quer fazer bonito em duas frentes – cultural e ambiental. O bairro é endereço de mais de 50 agremiações de cultura popular. Mobilizado, pressionou a prefeitura e conquistou um polo de Carnaval no bairro. Terá núcleo e palco, com atrações locais se apresentando junto com artistas consagrados, como Jorge Aragão, por exemplo.

A história do meio ambiente começa antes, em abril, quando líderes comunitários gestores do Programa Bombando Cidadania, iniciativa do  Instituto Walmart, idealizaram uma ação sócio-ambiental para o bairro, com o foco no lixo. Através do apoio técnico do Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH), foi desenvolvida uma Agenda 21 Local – na sua primeira etapa, um programa de sensibilização da comunidade para o principal problema ambiental do bairro, o destino dos resíduos sólidos.

Carnaval agendado e planejamento pronto, o passo seguinte é fazer uma festa memorável e limpa. Os líderes comunitários criaram tarefas, definiram os responsáveis por cada uma e estabeleceram um calendário. Primeira ação: articular com o comércio local a doação de tonéis, luvas, descartáveis, sacos de 100 litros para distribuir pelos locais de concentração e para os catadores de recicláveis. Depois, mobilização para se criar uma sinalização, com frases de efeito do tipo “Eu quero a Bomba limpa. E você?”. Também vão articular com os catadores para informar sobre a proibição de se utilizar o trabalho infantil, além de doar sacos grandes, fornecer equipamentos de proteção individual (EPIs) e camisetas com slogans positivos. Na pauta estão previstas conversas com os moradores de casas próximas aos focos de carnaval, para que eles coloquem as lixeiras da casa do lado de fora, para reforçar a oferta de um local certo para o lixo.

Bairro com 12.500 moradores, com 43% na classe C e 38% na classe D, conforme levantamento realizado em 2008, a Bomba do Hemetério também é um celeiro da cultura popular. O bairro é casa de mestres de coco, escolas de samba, troças carnavalescas, grupo de caboclinhos, bois, ursos, grupos de maracatu, de afoxés e tantas outras manifestações de origem africana. A região também passou a divulgar sua culinária regional. Tudo estará reunido como atração para turistas ou recifenses que chegam para conhecer diferentes manifestações do Carnaval na cidade.

Tudo correndo como o planejado, o Carnaval comprovará uma tese da coordenadora do projeto Agenda 21 Local, Mariana Melo, consultora do IADH. “A parceria entre o ambiental e o cultural dá certo”, garante. Ela, por exemplo, fomentou diferentes formas de sensibilização da comunidade através de peças de teatro, criação de grupos infantis de música com instrumentos reciclados, chamamentos para mutirões com encenações e vê o resultado do trabalho em diferentes atos. Um dos últimos foi a conquista, através de negociações diretas da comunidade com a empresa municipal responsável pela limpeza urbana, de um compactador de lixo dentro da comunidade e a substituição de caminhões de lixo por carros menores, mais adequados para andarem pelas estreitas vias da Bomba do Hemetério. Por essas e outras, faz sucesso o bordão que a comunidade forjou: “O que é da Bomba é bom!”



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