Recicladora é multada por despejo irregular no Paraná

Luana Caires
12.08.2011

O descarte irregular de lixo hospitalar é perigoso, mas ainda ocorre com frequência, foto: BennyLin

Sacos contendo esparadrapos, seringas, mangueiras e gazes, algumas delas sujas de sangue, foram encontradas no último dia 8 de agosto no lixão de Ortigueira, a 100 quilômetros de Apucarana, norte do Paraná. Segundo relatos dos fiscais da Secretaria do Meio Ambiente que acompanharam o caso, funcionários de uma empresa de reciclagem chegavam de madrugada para descarregar os resíduos no local, onde foram depositados 3 mil quilos de lixo hospitalar. A recicladora foi multada em R$ 8,5 mil por crime ambiental e, de acordo com delegado Mário Sérgio Bradock,  seu dono poderá ser condenado a uma pena de 5 a 8 anos de prisão.

O descarte irregular desse tipo de resíduo representa um perigo iminente tanto para o meio ambiente quanto para a população, mas nem por isso tem sido menos recorrente. Em junho deste ano, outra empresa de coleta, dessa vez de Cianorte, também no Paraná, foi flagrada queimando lixo hospitalar de maneira inadequada. Luvas, frascos de remédios e instrumentos médicos eram incinerados próximos a uma estrada localizada a menos de 100 metros do córrego Apuí, que desagua no Rio Bolivar, responsável pelo abastecimento de água de Cianorte. A companhia foi multada em R$15 mil.

Alguns dias depois, um barracão clandestino de 350 metros quadrados contendo mais de 300 toneladas de detritos hospitalares foi encontrado em Tapejara, a 115 quilômetros de Maringá. De acordo com a Polícia Ambiental, o lixo estava armazenado no local há mais de um ano, colocando em risco as pessoas que moram perto do local, pois para contrair doenças não é preciso ter contato direto com o material já que agentes biológicos, como bactérias e vírus, podem ser transportados para longe por meio de insetos e animais.

Ainda no mesmo mês, resíduos hospitalares infectantes e outros recicláveis foram despejados em um trevo na rodovia PR-445. Parte dos materiais tinha identificação da Santa Casa de Londrina. De acordo com a gerente executiva da Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal), Ana Paula Luz, os resíduos recicláveis são coletados e transportados pelas cooperativas de recicláveis de Londrina. Para o recolhimento dos materiais infectantes, a Iscal contrata a empresa CTR de Maringá que faz a coleta, o tratamento e a destinação.

Infelizmente, esse cenário não é exclusividade do estado do Paraná. Em São Paulo, no Mato Grosso do Sul, em Goiás e no Rio de Janeiro também já foram registrados casos semelhantes. Um levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) apontou que apenas 57,6% do lixo produzido no Brasil em 2010 teve destinação adequada, sendo que 72% das cidades brasileiras depositam seus resíduos em locais impróprios.

 

*Com informações do Jornal de Londrina

 

 

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