Por um futuro verde e seguro, sem energia nuclear

Ricardo Baitelo
28.03.2011

Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis (RJ), foto: Rodrigo Soldon

O acidente nuclear em Fukushima vem mais uma vez, a exemplo do ocorrido em Chernobyl (1986) e do não tão distante vazamento de Césio – 137 na cidade de Goiânia (1987), expor à sociedade brasileira o problema da falta de segurança da energia nuclear. Na carona desta discussão internacional, cresce o debate sobre a expansão das energias renováveis, que emitem uma baixa quantidade de gases estufa e, ao contrário da energia nuclear, não oferecem riscos de acidentes de proporções irreversíveis.

Contrariando o argumento de que o Japão é um país sem outras opções de fontes energéticas além da nuclear, o Greenpeace lançou em 2008 a versão japonesa do relatório Revolução Energética, com previsões de como o país pode ter sua matriz energética 60% renovável nos próximos 40 anos. Para isto, bastaria focar seus investimentos em eólica, biomassa, geotérmica e solar. Graças a seu alto potencial para eficiência energética, o Japão pode também diminuir seu consumo em 53% nos próximos 40 anos.

A contrapartida de optar por este caminho seria uma redução de 77% de emissões de CO2 até 2050, economia e geração de empregos sem que nem mais uma poeira radioativa ameaçasse a população da ilha. Pelas projeções do relatório, o último reator nuclear daria adeus ao país até 2045.

No Brasil as condições naturais são ainda mais favoráveis. O potencial brasileiro eólico e solar mal começou a ser explorado – o de vento poderia atender ao triplo da demanda energética atual do país e o de sol a vinte vezes o que se precisa de energia hoje. A biomassa também poderia contribuir para esta transformação se o potencial energético de nossos canaviais, equivalente ao de duas hidrelétricas de Itaipu, fosse aproveitado. Hoje a falta de uma lei nacional que incentive o uso de renováveis impede que este e outros planos renováveis se tornem realidade.

Enquanto isto, nosso governo insiste em um modelo de desenvolvimento que não preza pela segurança da população. Prova disto é que as atividades de regulação e fiscalização do setor são contraditoriamente concentradas em um mesmo órgão, a Comissão Nacional de Energia Nuclear, conhecida pela sua má atuação no acidente de Césio 137 e sem competência para operar em um eventual acidente nuclear de grandes proporções. Tal modelo de governança na área nuclear apenas se repete em três outros países do mundo: Irã, Coréia do Norte e Paquistão, países que não primam por um relacionamento democrático com sua sociedade.

Além dos impactos ambientais e sociais, é importante salientar que a geração nuclear já é uma das formas mais caras de energia e deve ter seu custo reavaliado em face da revisão de critérios de segurança de reatores e depósitos de rejeitos, bem como a real mensuração de seguros contra acidentes.

O debate precisa ir além das escolhas governamentais de planejamento. É hora de abrir a discussão para a sociedade, que deve decidir, de forma democrática, livre e pluralista, que opção de desenvolvimento deseja para o seu país. O Brasil tem tudo para construir um futuro verde, limpo e seguro. O que estamos esperando para dar este passo?

 

*Ricardo Baitelo é coordenador de energia renovável do Greenpeace Brasil

 

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6 respostas para “Por um futuro verde e seguro, sem energia nuclear”

  1. Cristina Dantas disse:

    Meu nome é Cristina Dantas e ontem decidi me tornar voluntária do Greenpeace Brasil. depois de assistir aos vídeos da página oficial.
    Preenchi meu cadastro e divulgo com o maior prazer e identificação; toda e qualquer atitude que proteja nossa mãe.
    Moro próximo ao aeroporto de Congonhas, sou autônoma e tenho um salão em minha casa.
    Trabalho com aromaterapia, massagens… etc. Desde o começo do projeto Diva Marrie (nome do salão), tenho me preocupado em promover benefícios
    para o meu bairro e minha comunidade. Temos o privilégio de ter coleta seletiva, porém ela foi implantada a pouco tempo e assim como eu tinha muitas dúvidas com relação a reciclagem, sei que a grande maioria das pessoas desconhece a maneira adequada de reciclar.
    Gostaria também de fazer em minha casa, a coleta de pilhas usadas, dando seu fim correto.
    A esse projeto chamei de ; Traga boas energias!
    Tenho como meta; incentivar o uso de baterias e pilhas recarregáveis, o que contribui com a consciêntização ambiental e também gera benefício social, pela econômia financeira que esse tipos de pilha pode gerar. Grande sacada da Drogaria São Paulo!
    No mais, quero contar com a parceria do Greenpeace São Paulo.
    Acho que esse projeto pode ser implantado em parceria com vocês, assim teremos maior visibilidade e repercussão , atingindo assim o objetivo de levar conhecimento ao povo de modo geral.
    Tenho ótimos contatos no bairro e no mundo. Também possuo alguns conhecimentos ligados a preservação e consciência ambiental.
    Por favor, entre em contato comigo, para que possamos nos conhecer melhor, e para que eu possa saber em que posso ser útil.

    Atenciosamente;

    Cristina Dantas do Amaral

  2. Temos Fukushima, temos um governo Brasileiro que quer fazer até 50 novas usinas nucleares no Brasil, temos mineração radioativa de urânio na Bahia e daqui há pouco mais uma mineração de urânio no Ceará (Santa Quiteria) e possivelmente também uma grande mina de Urânio em São José de Espinharas, na Paraiba…__Urânio em Movi(e)mento, o 1º Festival Internacional de Filmes sobre Energia Nuclear, convida para seus eventos no Rio de Janeiro, nos dias 21 a 28 de Maio de 2011. O festival acontecerá em dois centros culturais históricos do Rio de Janeiro, Parque das Ruínas e Laurinda Santos Lobo, ambos em Santa Teresa. Com entrada franca._ _www.uraniofestival.org__www.uraniumfilmfestival.org__contato: info@uraniumfilmfestival.org______

  3. José de Oliveira disse:

    Morei no Rio de Janeiro por muitos anos e mantinha um apartamento em Angra para fim de semana.
    Que experiência o Brasil tem para lidar com um problema nuclear? Se no caso de césio foi um deus nos acuda, imagine um problema nas nossas usinas de Angra? Nem pensar.

    Com uma capacidade de geração de energia hidrelétrica maior do mundo, porque as usinas nuclear? se não tivemos competência para lidar com o problema da capsula de césio 137?

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