Pesquisadores criam celular “movido” a micróbios

Luana Caires
18.05.2011

O projeto recebeu uma bolsa de 100 mil dólares da Fundação Bill & Melinda Gates, foto: Erik Hersman

Muita gente diz a toa que não consegue viver sem celular. Mas nos países mais pobres do mundo isso não é exagero. A África é o mercado de celulares que mais cresce no mundo, pois é a única forma de comunicação que chega barata a lugares remotos. No entanto, centenas de milhares de pessoas não conseguem usufruir do serviço porque não têm acesso à energia elétrica. Pois um grupo de cientistas da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas de Harvard (SEAS, na sigla em inglês) pode ter uma solução criativa para esse problema: eles estão desenvolvendo um carregador de bateria capaz de reaproveitar a energia produzida por microorganismos naturalmente presentes no solo.

Essa “mágica” é feita a partir de um dispositivo com uma superfície condutora que captura elétrons liberados durante o processo metabólico dos micróbios. A tecnologia já vem sendo usada para fornecer energia a lâmpadas do tipo LED em laboratório há mais de um ano. Se a ideia der realmente certo, o grupo pretende distribuir algumas baterias na África Subsaariana, como parte do estudo de campo. Atualmente, mais de 500 milhões de pessoas vivem nessa região sem energia em suas casas, ainda assim, 22% dos domicílios têm telefones móveis, cujos donos são obrigados a andar longas distância até as estações de carregamento.

O plano é que, depois de testados os protótipos, os dispositivos sejam construídos pela própria população local. Segundo a Dra. Aviva Presser Ainden, que lidera o projeto, é possível construí-los com materiais simples disponíveis na região, como telas de janelas e latas de refrigerante. A cientista acredita que um equipamento caseiro completo pode ser montado do zero em apenas alguns minutos a um custo de menos de um dólar. Simples e barata, a bateria movida a micróbios seria capaz de recarregar um telefone em até 24 horas.

Agora é torcer para que a ideia saia dos laboratórios para as casas africanas. Dinheiro, aparentemente, não será problema: no mês passado o projeto recebeu uma bolsa de 100 mil dólares da Fundação Bill & Melinda Gates.

 

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