O purificador de água que funciona com plasma

Fernando Espósito
31.08.2011

O purificador chileno que promete uma revolução, foto: eSustentable

Um dispositivo de baixo custo, seguro e que purificasse as águas mais contaminadas que existem, tornaria o mundo um lugar melhor. Ainda mais se pudesse ser mantido pela mesma comunidade que o utiliza e desse vazão à sua necessidade de consumo.

Ele existe. Foi desenvolvido por um designer industrial, juntamente à sua equipe de técnicos e cientistas. O dispositivo consegue purificar 2 mil litros de água contaminada a cada 24 horas, e só consome 100 watts/h de energia por 35 litros de água limpa em 5 minutos.

Os primeiros beneficiários deste inovador sistema serão 19 famílias chilenas pobres, integrantes do assentamento Fundo San José de Cerrillos, na cidade de Santiago. Lançado no assentamento na semana passada (23 de agosto), esse projeto original e de alto impacto foi desenvolvido no Chile e promete salvar vidas.

Cone translúcido usa sol para dessalinizar água

Água na OCA

Água: se é um bom negócio, não vai faltar

O purificador funciona com tecnologia a base de plasma, que elimina os germes e bactérias da água contaminada e proporciona provisão contínua de água limpa e potável.

O plasma corresponde ao quarto estado físico da matéria. Alfredo Zolezzi, designer industrial egresso da Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso, e diretor do Centro de Inovação Avançada de Viña del Mar, explica como funciona o dispositivo: “O que fizemos foi captar a água contaminada, que pode vir de qualquer fonte, e fazê-la passar por um dispositivo pequeno, de 23 centímetros, que aumenta a sua pressão, transformando-a de líquido a um fluido semi gasoso com características que nos permitem, com uma descarga elétrica, transformá-lo em plasma. Ionizam-se os gases e produz-se o plasma, que é estável. Isso facilita que a água alcance uma velocidade  altíssima. Quando volta a desacelerar, a água sai o dispositivo de novo em estado líquido. No processo, todo agente microbiológico morre, inclusive o transmissor da cólera. O resultado é água potável, segura para ser tomada.”

Zolezzi destaca que o invento nasceu da intenção explícita de usar recursos tecnológicos e científicos para reduzir pobreza. O projeto nasceu de uma parceria com a fundação “Un Techo Para Chile” (Um Teto para Chile) – instituição que luta para extinguir os assentamentos precários, transformando-os em bairros sustentáveis, com famílias integradas à sociedade

Este “milagre sócio-tecnológico” não só ajudará os chilenos, como poderá ser uma solução real para salvar as 6.000 vidas das crianças que morrem diariamente no mundo, por doenças associadas ao consumo de águas contaminadas, ou devido à sua escassez.

 

*Fernando Espósito é arquiteto e professor da PUCV Valparaiso, Chile

 

Saiba Mais:

Veoverde

Un Techo Para Chile

Purificación de Agua con Plasma, Innovación Social Disruptiva en Chile



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10 usos domésticos para a cerveja

Luana Caires
25.08.2011

Ela não serve só para animar a festa, não!, foto: Juan Pablo de la Cruz G.

 

Provavelmente você não deve ouvir falar muito sobre os usos alternativos da cerveja. Mas acredite: ela pode ser mais útil do que você imagina. Além de animar churrascos por aí, ela também pode ajudar no controle insetos do seu jardim, dar mais brilho a móveis de madeira e ser usada como adubo de plantas. ((o)) eco reuniu algumas dicas para você fazer bom proveito daquele fundinho da latas que sobram em qualquer  festinha com os amigos.

 

Remoção de manchas

Em vez de apelar para produtos químicos, tente remover manchas de chá ou café com cerveja. Basta umedecer a parte atingida com um pouco dessa bebida fermentada e deixar agir por alguns minutos. Em seguida, passe um pano molhado com água fria sobre a mancha até que ela seja suavizada.  Depois, é só lavar normalmente com água e sabão.  Mas não se esqueça de testar a cerveja em uma pequena área do tecido antes de tentar remover a mancha. Alguns materiais são mais sensíveis, e o resultado pode não ser tão bom quanto o esperado.

Contra lesmas e caracóis

Se esses moluscos andam danificando o seu jardim, uma bela armadilha pode ajudar a controlar o número dessas criaturazinhas a zanzar pela suas plantas. Basta colocar cerveja em uma vasilha e deixá-la próxima à área a ser protegida durante a noite. O aroma da bebida atrai lesmas e caracóis, que acabam se afogando no líquido.

Para limpar joias de ouro

Ela também é ótima para dar brilho a joias ou a pequenos objetos de ouro. É só mergulhá-los em um prato fundo contendo um pouco da cerveja e deixar agir por 10 minutos. Depois, basta tirar as peças do líquido, enxaguar e usar um pano macio e seco para dar um polimento final.

Dê fim às moscas

Assim como as lesmas, as moscas também são atraídas pela cerveja. Para evitar que elas fiquem sobrevoando o seu lixo ou seu pote de compostagem, coloque uma lata com um pouco da bebida na sua cozinha e cubra a parte de cima da latinha com um plástico, deixando apenas um pequeno furo para as moscas entrarem. Uma vez dentro, elas não conseguirão mais sair.

As plantas também gostam

Você pode usar cerveja até como fertilizante na sua horta. Os açúcares presentes na bebida também são apreciados pelas plantinhas. Se for regar espécies mantidas em vasos no interior da casa, só tome cuidado para exagerar na quantidade. O ideal é colocar uma pequeno volume de cerveja sem gás na base da planta.

 Distraia abelhas e vespas

Quem costuma fazer piquenique sabe que esses insetos adoram aparecer sem serem convidados. Para evitar que eles se aproximem dos seus petiscos ou se afoguem na sua bebida, deixe alguns copos de cerveja nos arredores do local escolhido para o seu piquenique. As abelhas e vespas serão atraídas pela bebida e não chegarão a importunar a sua refeição ao ar livre.

Adeus ratos

Se você não tem um gato em casa, a cerveja também pode lhe ajudar a se livrar de pequenos ratos. É só colocar um pouco da bebida em uma vasilha alta e fazer uma espécie de rampa com um pedaço de madeira para que os camundongos consigam chegar até o topo da vasilha. Essa técnica é indicada para quem precisa se livrar de pequenos roedores, mas pretende controlá-los de uma forma menos violenta. Depois de capturados, você pode soltar os ratinhos bêbados em algum local distante de sua casa.

Acabe com a ferrugem

Sabe aquele parafuso de metal que há anos não é desrosqueado? Quando a remoção parecer impossível, a cerveja pode lhe ajudar a se livrar da ferrugem que dificulta a movimentação do tal parafuso. Envolva a área enferrujada com um pano umedecido com a bebida e espere cerca de 1 hora.

Armadilha para baratas

Basta colocar um pedaço de pão embebido em cerveja em uma jarra com vaselina espalhada em suas bordas. As baratinhas serão atraídas para dentro do recipiente, mas não conseguirão sair de lá.

Para recuperar o brilho de móveis de madeira

Se quiser, você pode até aposentar aquele lustra-móveis industrializado. A cerveja é ótima para recuperar o brilho e a cor de móveis de madeira. É só umedecer um paninho macio com um pouco da bebida sem gás, aplicar sobre a superfície a ser lustrada e … voilà!

 

Via: MNN 

Veja também: 

– Minhocas em casa: uma solução para o lixo orgânico

– Ecofaxina: como limpar seu banheiro sem produtos químicos

– Ecofaxina II: como limpar sua cozinha sem produtos químicos

– Ecofaxina III: tirando manchas sem usar produtos químicos

– Ecofaxina IV: Faça você mesmo produtos de limpeza ecológicos



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Em Copenhague, 93% vivem satisfeitos com a cidade

Natalia Garcia
23.08.2011

do projeto Cidade para as Pessoas*

Quando desembarquei no aeroporto de Kastrup, fazia calor em Copenhague. A primavera chegava ao fim e o verão se aproximava. Um olhar desatendo às avenidas da cidade poderia dar a falsa impressão de que estavam todos de férias.

A maioria das pessoas se locomove de bicicleta, inclusive em incríveis bicicletas de carga. Depois do trabalho, pedalam para casa, correm à beira do rio, vão ao parque e se deitam na grama… e, no verão, nadam nas águas do canal mais próximo. Talvez seja essa interação com a cidade que dê a sensação de que estão sempre “a lazer”, de férias. “Tínhamos como meta: atingir 85% de satisfação”, conta Pernille Nørby, do Urban Design Department, um departamento da prefeitura que cuida do bem-estar das pessoas. Para poder cumprí-la, Pernille encomendou uma pesquisa, há um ano, e se surpreendeu com o resultado: 93% estavam satisfeitos. “Copenhague estava bem à frente do que imaginávamos”, comemora ela.

É bem provável que você já tenha ouvido falar da capital dinamarquesa como uma referência quando o assunto é “meio ambiente”. Copenhague hospedou várias conferências sobre modelos urbanos e mudanças climáticas e possui uma meta muito clara: em 2025 querem se tornar a primeira capital do mundo a neutralizar suas emissões de carbono.

No entanto, para entender essa meta e o motivo que levou Copenhague a ser essa referência, é preciso compreender o conceito de “meio ambiente” que eles passaram os últimos 60 anos desenvolvendo. Colocar o meio ambiente no norte da administração política significou criar um ambiente melhor para as pessoas viverem.

A origem

O marco inicial desse processo foi a criação, em 1962, da Strøget, a primeira rua de pedestres da Dinamarca e uma das primeiras do mundo. O caso foi emblemático porque essa não era uma das pequenas ruelas medievais típicas das cidades européias. Era, sim, uma importante e movimentada avenida comercial da cidade. A medida foi alvo de pesquisa do planejador urbano dinamarquês Jan Gehl, uma figura importante para consolidar a preocupação com as pessoas na administração política da cidade. “Conhecemos o habitat ideal de todos os animais: da girafa, do leão, do elefante… até do ornitorrinco, mas e o Homo Sapiens? Qual é o lugar ideal para essa espécie viver?”, provoca Gehl, que tem dedicado os 50 anos de sua carreira a responder essa questão.

Na imagem de satélite a rua para pedestres (foto: Google Maps)

O urbanista Jan Gehl: qual o ambiente ideal para as pessoas? (foto Natália Garcia)

Foi esse urbanista com essa tese tão visionária que influenciou as gerações políticas posteriores e permitiu que todos os meus dias de trabalho na capital dinamarquesa terminassem aqui:

E, como no verão o sol só se põe às 23h, eu aproveitava boas horas do fim do meu dia dando braçadas na água gelada e salgada desse canal. Mas se sua mente implacável já está pensando que isso jamais seria possível em cidades brasileiras, dê uma olhada em como era essa mesma área em 1991:

 

Até essa época, a rede de águas pluviais (os canos que levam a água da chuva até os rios e canais) muitas vezes se misturava à rede de esgoto, algo que acontece na grande maioria das cidades brasileiras. Assim, em caso de chuva forte, as galerias de águas pluviais enchiam demais, se misturavam ao esgoto e toda essa sugeira era despejada nos canais. O entorno do rio era também uma área industrial, então ninguém circulava por ali.

“Era impensável usar essa área para o uso recreacional”, diz Jan Rasmussen, do Department of Parks and Nature da prefeitura. Duas eram as grandes causas de poluição nas águas que banhavam Copenhague. Uma delas: a água do esgoto. A outra: o lixo.

Mas, em 1991 foi aprovado um plano de despoluição das águas dos canais e remoção da área industrial, para criar centros de lazer ao redor do rio. De lá para cá, muita coisa mudou. Todas as galerias de águas pluviais foram reconstruídas, para que jamais se misturassem ao esgoto. Além disso, reservatórios de água – como piscinões – foram construídos em pontos estratégicos para que a água da chuva se armazenasse em casos de tempestade e não alagasse os canais. O encanamento dos esgotos também foi, em grande parte, reconstruído, para que os canos não permitissem vazamentos. O lixo, que era, em parte, descartado em aterros sanitários, contaminando o solo, hoje tem outro destino: 50% dos resíduos são reciclados e 50% incinerados.

No sul da Dinamarca, a ilha do tesouro versão 2009

Um passeio de bike em Copenhague

“Quando o plano começou a ser colocado em prática, nadar nos canais era algo que imaginávamos que demoraria muito a acontecer”, diz Rasmussen. “Mas 15 anos depois, em 2005, tivemos nossa primeira piscina no canal Havnebadet”, completa o técnico. Hoje já são três piscinas públicas na cidade.

As metas para o futuro

Ser uma cidade sem emissões de carbono é uma meta que derivou do objetivo de ser uma cidade para pessoas. “Claro que, técnicamente, é impossível não emitir carbono”, explica Morten Kabell, técnico do conselho de mudanças climáticas da prefetura. E ele tem razão: até a respiração dos seres humanos libera carbono no meio ambiente. “Nossa ideia é reduzir as emissões até o limite e estimular empresas a comprarem cotas de carbono para neutralizar o que sobrar”, conclui. Conheça algumas das medidas:

Transportes:Hoje 55% das viagens na região central de Copenhague já são feitas de bicicleta. Mas até 2025 a prefeitura quer alcançar essa marca nas viagens feitas também nas áreas periféricas da cidade. “Além de diminuir as emissões de carbono, essa mudança é economicamente vantajosa”, explica Adreas Røhl, engenheiro técnico da secretaria de transportes. Conheça a relação história da cidade com o uso de bicicletas e entenda por que elas são economicamente vantajosas nesse vídeo:

Energia: Desde 2000 Copenhague investe em um projeto de fazenda eólica em alto mar e, já em 2007, 17,9% de toda a Dinamarca era abastecida pelo sistema. A meta é, em 2050, abastecer 50% do país dessa forma.

El Hierro: ilha será abastecida com energia 100% renovável

Se Copenhague será capaz de neutralizar suas emissões é difícil de responder. Mas é fato que, se a cidade não alcançou a meta de ser o habitat ideal para o homosapiens viver, está bem próxima disso. Mais: Copenhague descobriu que priorizar as pessoas na agenda política é economicamente vantajoso. Temos um bocado para aprender, não?

* a jornalista Natália Garcia criou o projeto Cidades para Pessoas. Durante um ano ela vai viajar por 12 cidades do mundo e morar por um mês em cada uma delas em busca de boas ideias de planejamento urbano que tenham melhorado essas cidades para quem mora lá. Veja mais em www.cidadesparapessoas.com.br



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Favelas precisam ser urbanizadas, diz Joan Clos

Gustavo Faleiros
22.08.2011

Semana da Água, em Estocolmo - foto: Alex de Sousa

“O mundo precisa de um novo movimento higienista.”  Este foi o argumento que o espanhol Joan Clos,  atual diretor do programa para cidades da ONU (UN-Habitat), levou ao público da 21a Semana Mundial da Água, que começou nesta segunda na cidade de Estocolmo, Suécia. Em referência às políticas públicas que transformaram cidades como Paris, Rio de Janeiro, Nova York e Londres no início do século 20 – quando ruas estreitas e cortiços foram substítuitos por novos bairros com luz elétrica e água encanada -, o representante da ONU disse que é preciso urbanizar as favelas em diversas partes do mundo.

Em cidades e bairros onde há qualidade de vida, a superfície ocupada com espaços públicos é de 25% a 35%. Em contraste, nas favelas apenas 2% a 3% da área ocupada é utilizada como ruas, praças e outros espaços públicos.

De acordo com os dados da UN-Habitat cerca de 800 milhões de pessoas vivem hoje em favelas na América do Sul, África e Ásia. Em alguns países, 60% da população urbana vive em assentamentos ilegais com habitações sem infraestrutura. A urbanização recente em nações em desenvolvimento, apontou Clos, difere daquela ocorrida no século passado por não vir acompanhada de industrialização.

Por isso, segundo ele, investimentos urbanos seriam uma forma de gerar oportunidades de emprego e renda. “Se não existe a rua, não existe um lugar para acumular recursos, como água, saneamento, telecomunicações”, argumentou. Segundo o espanhol, em cidades e bairros onde há qualidade de vida, a superfície ocupada com espaços públicos é de 25% a 35%. Em contraste, nas favelas apenas 2% a 3% da área ocupada é utilizada como ruas, praças e outros espaços públicos. “A rua é a fábrica da cidade, é onde se produz o bem comum”, disse Clos.

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Um porto mais verde e articulado para o Rio

Sua palestra foi proferida na abertura do Semana Mundial da Água, que neste ano tem como tema principal o desafio de gerir os recursos hídricos em um mundo de urbanização acelerada. Até 2050, espera-se que cerca de 6 bilhões de pessoas vivam nas cidades, o dobro do atual número, ou aproximadamente 80% da população mundial projetada nas próximas décadas. “As áreas urbanas necessitam de um manejo adequado de seus recursos hídricos para que se evitem conflitos com as necessidades em zonas agrícolas fora das cidades”, frisou o diretor do Instituto Internacional para Água em Estocolmo, Anders Berntell

Oportunidade com as Olimpíadas no Rio 

Antes de assumir o cargo de diretor da UN-Habitat no ano passado, Joan Clos, foi prefeito de Barcelona entre os anos de 1997 e 2006.  Ele também esteve envolvido diretamente com a preparação das Olimpíadas de 1992, que até hoje são consideradas como projeto que mudou a face de Barcelona. Conversamos com Clos a respeito das Olimpíadas que começam a ser prepadas no Rio de Janeiro e ocorrem em 2016. Veja vídeo abaixo

 

Links Externos:

– Nações Unidas – Habitat 
– Semana Mundial da Água – Estocolmo

 



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SP em alerta: umidade do ar baixa a 18%

Luana Caires
18.08.2011

Segundo estudo, a baixa umidade relativa do ar pode triplicar o risco de morte, foto: Pietra Chaves

Você já deve ter ouvido isso algumas vezes, mas a baixa umidade do ar volta a castigar a capital paulista. Em estado de alerta pelo segundo dia consecutivo, o índice caiu de 29 para 18% no fim da tarde de ontem. Além de aumentar o risco de incêndios em pastagens e áreas verdes, o clima seco é extremamente desfavorável à dispersão de poluentes. Não é de se estranhar que, ontem, das 11 estações de medição da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em operação na cidade, duas delas apontavam qualidade do ar inadequada, denunciando alta concentração de ozônio, e nove identificaram níveis regulares de poluição. Segundo estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, que analisou 1 252 autópsias de mortes ocorridas em agosto do ano passado, mês mais seco desde 1961, a baixa umidade relativa do ar pode triplicar o risco de morte.

A exposição contínua à poluição do ar pode agravar quadros de doenças respiratórias e está relacionada ao desenvolvimento de várias enfermidades, como infertilidade, aumento de risco de doenças autoimunes, hipertensão, diabetes e câncer. E essa lista não para de crescer. Recentemente, uma pesquisa realizada pela Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, sugeriu que o ar poluído pode ter efeitos negativos visíveis sobre o cérebro, podendo causar problemas de aprendizagem, de memória e até depressão.

Em 2010, devido ao longo período de estiagem, o número de vezes em que São Paulo apresentou índices de qualidade do ar imprópria aumentou 76% em relação a 2008. Os níveis de poluição por ozônio estavam 257 vezes acima do padrão aceitável. É claro que ainda há muito a se fazer para melhorar a poluição da cidade, mas algumas iniciativas já começaram a dar resultado.

De acordo com outra pesquisa publicada pelo Laboratório de Poluição Atmosférica da FMUSP,  com a inspeção veicular houve uma redução de 7% na concentração de material particulado, o equivalente à retirada de quase 20 mil caminhões de circulação. Em termos econômicos, essa melhora correspondeu à economia de quase 55 milhões de reais ao PIB da cidade. Para chegar a esse valor, foram considerados o custo das internações decorrentes de doenças agravadas pelo ar saturado e a perda de produtividade por internamento ou morte, baseada no índice Daly (anos de vida ajustados à incapacidade, na sigla em inglês), que é uma medida usada por órgãos internacionais que leva em conta o quanto uma pessoa gera de riqueza em média ao longo da vida.

No ano passado,  passaram pela inspeção cerca de 3.063.482 veículos. Destes, 55.018 são veículos leves a diesel (93,5% aprovados), 20.961 ônibus (94,5% aprovados) e 58.816 caminhões (95,2% aprovados). O objetivo da fiscalização é estimular os proprietários a fazerem a manutenção adequada, reduzindo, assim, a emissão de poluentes. Uma pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Fabricantes de veículos apontou que carros com mais de 15 anos de uso poluem 28 vezes mais que automóveis mais novos.

Como se proteger

Segundo o pediatra Sérgio Sarrubbo, a defesa do organismo através da mucosa fica prejudicada com o tempo seco. Uma dica é abusar de umidificadores de ar e usar soro fisiológico para aliviar a sensação de nariz seco. Também é recomendado beber muita água, evitar atividades ao ar livre e exposição ao sol entre as 10h e as 17h, não praticar exercícios das 11h às 15h e minimizar o tempo de permanência em corredores de tráfego.

 

*Com informações da Folha de S. Paulo e do Estado de S. Paulo

 

Veja também: 

– Normas mais rígidas para Poluição do Ar

– Emissões de motocicletas: Licença para matar

– Controle de emissões não basta

– “A poluição mata mais em São Paulo que AIDS e tuberculose somadas”

 








Aparelho taxa motoristas de acordo com uso do carro

Luana Caires
17.08.2011

Durante o teste, o preço por quilômetro rodado variava entre 2 e 28 centavos, foto: Chriszwolle

Imagine ter em seu automóvel um equipamento semelhante a um taxímetro que medisse não só a quilometragem como também o impacto ambiental de suas viagens. Pois o governo holandês instalou alguns aparelhos como esse em carros particulares para testar um novo sistema de taxação: em vez de cobrar impostos pela compra do veículo ou do combustível, os motoristas seriam taxados proporcionalmente ao uso que fazem deles.

Conectado à internet sem fio e ao sinal do GPS, o aparelho calcula o custo de cada trajeto utilizando uma fórmula baseada na distância percorrida, na emissão de gases estufa, nos desgaste das ruas e no dia e horário do deslocamento. Assim, quem rodar mais em horários de pico e em vias de tráfego intenso pagaria mais do que aqueles que usam o carro esporadicamente. No fim do mês, o motorista receberia um conta detalhando os horários e o custo de cada viagem.

O teste teve início há dois anos e o governo holandês planejava implementar o novo sistema no ano que vem, mas, depois que um novo partido assumiu o poder em 2010, a ideia acabou não saindo do papel. Os defensores da instalação de medidores em veículos particulares afirmam que a cobrança de impostos baseada no uso seria uma maneira mais justa de o governo arrecadar receita, já que o valor das taxas decorreria do uso propriamente dito, não apenas da posse de um automóvel.

Se o projeto fosse definitivamente implantado, os aparelhos de medição poderiam ser programados para que veículos com maior consumo de combustível pagassem tarifas mais altas, já que causam um impacto maior no meio ambiente. Esse poderia ser um incentivo para que a população investisse em transportes menos poluentes, como híbridos ou carros elétricos ou optassem pelo transporte público e até pelo uso de bicicletas, por exemplo. Estudos têm mostrado que os medidores oferecem aos motoristas um feedback negativo instantâneo capaz de influenciar seu comportamento, pois associa diretamente o deslocamento ao valor gasto pelo usuário do carro.

Outros governos, tanto na Europa quanto na Ásia e nos Estados Unidos,  já demonstraram interesse em cobrar impostos por quilômetro rodado para melhorar o tráfego de veículos nas grandes cidades, mas, como o sistema envolve o monitoramento dos motoristas, muitos eleitores e políticos se opõem ao projeto alegando preocupações com a privacidade dos cidadãos ou com a aceitação por parte da população de um novo imposto. Durante o teste holandês, o preço aplicado variava entre 2 e 28 centavos de euro por quilômetro. Segundo as estimativas do governo, a previsão era de que 60 ou 70% dos motoristas pagassem menos com os medidores do que com o sistema atual de taxação.

 

Via: New York Times

 

Veja também:

– Vilnius declara guerra a carros parados em ciclovias

– São Luís: arquiteto quer revolucionar transporte público

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Controle de emissões não basta



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Atentado contra árvores no centro de Manaus

Vandre Fonseca
16.08.2011

Árvore morta por envenamento no Centro de Manaus. Crédito: Divulgação/ Semmas

Manaus, AM – Ao mesmo tempo em que Manaus sofre com uma onda de calor, com temperaturas acima dos 36 graus centígrados, há quem parece não se preocupar com os efeitos positivos que uma boa árvore tem para a cidade. E justamente em uma das áreas com maior movimento de pedestres, onde uma sombra é sempre necessária, na Avenida Eduardo Ribeiro, no Centro da cidade, árvores são envenenadas por vândalos ainda não identificados.

Pelo menos quatro árvores na avenida, uma importante área comercial, podem ter sido envenenadas, segundo indícios encontrados por técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). Uma destas árvores, um jambeiro, já está morto. As outras ainda apresentam parte da folhagem verde, mas também devem ser substituídas pela prefeitura.

Furo feito no caule para inserir o veneno. Crédito: Divulgação/ Semmas

As árvores são ficus, oitizeiros (Licania tomentosa) e um jambeiro (Syzygium malaccense). “Os dois ficus e o oiti ainda têm folhas verdes, o que é um indicativo de que existe funcionamento vegetativo na árvore, mas o jambeiro já está perdido”, afirma a chefe do setor de Corte e Poda da Semmas, Eliane Souza, que fez a vistoria nas árvores. A secretaria não tem informação de quando as árvores foram plantadas na área, mas são indivíduos grandes que estão ali certamente há décadas.

Nas árvores foram encontradas perfurações que teriam sido usadas para a aplicação de herbicida. Alguns destes furos estavam fechados com isopor. Foram colhidas amostras para exames em laboratório para comprovar o envenenamento e o produto utilizado. Foram solicitadas também imagens de câmeras de monitoramento da Secretaria Estadual de Segurança Pública, para ajudar a identificar os responsáveis.

De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Marcelo Dutra, estas árvores têm importância paisagística para o centro de Manaus. O ato de vandalismo, de acordo com ele, não pode ficar impune. O relatório técnico da Diretoria de Arborização, Paisagismo e Áreas Protegidas da Semmas será encaminhado à Delegacia do Meio ambiente. De acordo com a secretaria, os responsáveis pelo ato podem receber multa e até serem presos, se descobertos.

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Recicladora é multada por despejo irregular no Paraná

Luana Caires
12.08.2011

O descarte irregular de lixo hospitalar é perigoso, mas ainda ocorre com frequência, foto: BennyLin

Sacos contendo esparadrapos, seringas, mangueiras e gazes, algumas delas sujas de sangue, foram encontradas no último dia 8 de agosto no lixão de Ortigueira, a 100 quilômetros de Apucarana, norte do Paraná. Segundo relatos dos fiscais da Secretaria do Meio Ambiente que acompanharam o caso, funcionários de uma empresa de reciclagem chegavam de madrugada para descarregar os resíduos no local, onde foram depositados 3 mil quilos de lixo hospitalar. A recicladora foi multada em R$ 8,5 mil por crime ambiental e, de acordo com delegado Mário Sérgio Bradock,  seu dono poderá ser condenado a uma pena de 5 a 8 anos de prisão.

O descarte irregular desse tipo de resíduo representa um perigo iminente tanto para o meio ambiente quanto para a população, mas nem por isso tem sido menos recorrente. Em junho deste ano, outra empresa de coleta, dessa vez de Cianorte, também no Paraná, foi flagrada queimando lixo hospitalar de maneira inadequada. Luvas, frascos de remédios e instrumentos médicos eram incinerados próximos a uma estrada localizada a menos de 100 metros do córrego Apuí, que desagua no Rio Bolivar, responsável pelo abastecimento de água de Cianorte. A companhia foi multada em R$15 mil.

Alguns dias depois, um barracão clandestino de 350 metros quadrados contendo mais de 300 toneladas de detritos hospitalares foi encontrado em Tapejara, a 115 quilômetros de Maringá. De acordo com a Polícia Ambiental, o lixo estava armazenado no local há mais de um ano, colocando em risco as pessoas que moram perto do local, pois para contrair doenças não é preciso ter contato direto com o material já que agentes biológicos, como bactérias e vírus, podem ser transportados para longe por meio de insetos e animais.

Ainda no mesmo mês, resíduos hospitalares infectantes e outros recicláveis foram despejados em um trevo na rodovia PR-445. Parte dos materiais tinha identificação da Santa Casa de Londrina. De acordo com a gerente executiva da Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal), Ana Paula Luz, os resíduos recicláveis são coletados e transportados pelas cooperativas de recicláveis de Londrina. Para o recolhimento dos materiais infectantes, a Iscal contrata a empresa CTR de Maringá que faz a coleta, o tratamento e a destinação.

Infelizmente, esse cenário não é exclusividade do estado do Paraná. Em São Paulo, no Mato Grosso do Sul, em Goiás e no Rio de Janeiro também já foram registrados casos semelhantes. Um levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) apontou que apenas 57,6% do lixo produzido no Brasil em 2010 teve destinação adequada, sendo que 72% das cidades brasileiras depositam seus resíduos em locais impróprios.

 

*Com informações do Jornal de Londrina

 

 

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7 bilhões bem juntinhos

Eduardo Pegurier
11.08.2011

É cenário de pesadelo, mas se a humanidade toda vivesse na densidade em que vivem os parisienses, caberia facilmente no estado da Bahia. Mas vamos começar pelas comparações feitas pelo site Per Square Mile com estados americanos.

Se os cerca de 7 bilhões de habitantes do planetinha Terra vivessem na mesma densidade em que vivem os moradores de Paris, ou 20.807 pessoas por km2 (quilômetro quadrado), a humanidade caberia numa área equivalente a soma dos estados americanos de Louisiana, Mississipi e Arkansas. Isso equivale a 397, 4 mil km2. Em termos de Brasil, pediria uma área equivalente a um terço do estado do Pará ou 20% maior do que Goiás.

Nova York tem cerca da metade da densidade de Paris — 10.630 habitantes por km2. Por isso, nessa densidade mais baixa é preciso mais espaço para caber todo o mundo. Mesmo assim, o Texas daria conta com seus 695,6 mil km2. No Brasil, seria o caso de separar uma área de menos da metade do Pará ou, de forma equivalente, algo como Goiás somado a Minas Gerais.

Londres, por sua vez, tem metade da densidade de Nova York. Assim, do jeito que os londrinos gostam de morar, para toda a humanidade seria necessário um naco igual ao Texas, Louisiana, Arkansas, Oklahoma e Novo México. No Brasil, apertando um pouquinho, bastava o Pará. Para não ser pão-duro com os londrinos, que certamente não querem imitar os parisienses, seria preciso uma área igual ao Pará somado ao Rio Grande do Sul.

Os números aproximados estão nas duas tabelas abaixo. Veja que se o exercício fosse feito com a densidade em que moram os cariocas o resultado seria semelhante ao de Londres. Os paulistanos moram mais apertados. Sua densidade fica entre a do Rio ou Londres e a de Nova York. Na densidade de São Paulo, cabia todo mundo no Pará. Facinho.

Felizmente, essa é só uma brincadeira para fazer pensar com gráficos.

 

 Via Per Square Mile








Catar: novas cidades no meio do deserto

Gustavo Faleiros
09.08.2011

Rotatórias para veículos na futura cidade de Lusail. Vista da maquete. (foto: Gustavo Faleiros)

É possível ser sustentável no meio do deserto? É bem esta a questão que vem à mente quando se visita o Catar, um emirado localizado em uma pequena península no Golfo Persíco. Tive a oportunidade, durante a Conferência Mundial de Jornalismo Científico, de visitar a futura Lusail. É um dos projetos de novas zonas urbanas, universidades e centros de convenções que parecem brotar da areia. Todos com design arrojado e, claro, prometendo arquitetura verde, sustentabilidade e baixas emissões de carbono.

O fato é que a economia do Catar é intensiva em carbono por si só. O país possui a terceira maior reserva de gás natural do planeta, 50% do PIB advém da exploração de combustíveis fósseis. Sua capital, Doha (veja mapa), é o exemplo do poder financeiro atingido pelo país nos últimos dez anos, quando o PIB per capita foi alçado à posição de segundo mais elevado em todo mundo. Com seus 1,6 milhões de habitantes, o Catar perde apenas para principato de Liechstenstein, na Europa, quando se fala de riqueza por habitante.

Em Doha, grandes torres envidraçadas dominam o horizonte. Sob temperaturas que podem facilmente passar dos 45 graus no verão, o ar condicionado funciona sem parar e sem moderação. Um quarto de hotel, por exemplo, pode receber visitantes com congelantes 10 graus. Acreditem, é preciso dormir de cobertores em plena península arábica.


O horizonte em Doha é dominado por torres envidraçadas sobre uma baía no Golfo Pérsico (vídeo: Gustavo Faleiros)

A farta receita do gás e petróleo não apenas financia edifícios luxuosos. A Copa do Mundo de futebol em 2022, cuja a candidatura bem sucedida do Catar promete investimentos em energia e transporte renovável, será uma das mais caras já realizadas. No vídeo abaixo, os projetos de estádio mostram a opção para se chegar ao jogos utilizando taxis aquáticos. Ao menos no modelo virtual, serão movidos com a força do vento soprado nas velas.

Mas taxis eólicos não parecem responder à pergunta sobre como realizar um evento em pleno verão no meio do deserto sem empregar grandes quantidades de energia. Aliás, promete-se ar condicionado dentro dos campos, para que os jogadores possam aguentar o calor escorchante desta época do ano.

A Copa no Catar também tornou-se um dínamo de investimentos imobiliários. Novos prédios, hotéis, bairros e até cidades estão surgindo na esteira do evento futebolístico. Em Lusail, cuja a alcunha grandiosa é ‘a cidade do futuro’, uma zona urbana de 38 km2 está neste momento sendo construída em frente à costa do Golfo Pérsic. Ela está projetada para receber até 250 mil pessoas. A cidade será conectada por trens à capital Doha. Internamente, seus moradores serão transportados por vagões suspensos.

Vídeo: Os estádios da Copa de 2022, Catar

Assim como no caso da Copa do Mundo, não é fácil descobrir detalhes básicos do funcionamento de empreendimentos no deserto. Por exemplo, de onde virá a água para suprir toda a cidade? De acordo com informações providas aos jornalistas que visitaram Lusail, a companhia de saneamento do Catar será responsável por prover água à nova cidade e isto deve ocorrer com a ajuda das plantas de desalinização, como descrito pelo site da Qatar Eletricity and Water.

Nosso vídeo abaixo mostra a visita ao canteiro de obras da cidade de Lusail

Para saber mais

Fatos interessantes sobre a Copa no Catar

Site oficial da cidade de Lusail

 








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