Muitas bicicletas, pouco carbono

Gabriela Machado
24.05.2011

Hilmar Lojewski, discorrendo sobre Berlim, foto: Gabriela Machado

No dia 4º e último dia da CICI2011 (Conferência Internacional de Cidades Inovadoras), Jeremy Rifkin, economista americano e autor do livro A Economia do Hidrogênio, fez a interligação entre a crise econômica, a energética e mudanças climáticas. “Para cada grau Celsius de elevação na temperatura global, a atmosfera absorve 7% mais precipitação de chuva, o que significa mais enchentes, mais períodos de seca. E isso já está acontecendo.” Ele defendeu a necessidade de troca da matriz energética mundial em menos de duas gerações, transformação que já está em andamento na Europa.

No painel Cidades Inovadoras, um representante desse movimento, o vice-prefeito da cidade de Wageningen na Holanda, Alexander Hooesfloot, ilustrou o conceito mostrando os esforços desta cidade de apenas 37 mil habitantes para se tornar neutra em carbono até 2030. “Inauguramos o primeiro posto de recarga para carros elétricos e temos um projeto para fazer com que todos os carros municipais sejam movidos a gás  ‘verde’,  gerado a partir de resíduos de suínos e aves”, contou. Outra iniciativa é um programa de separação de vidros em cores e um complexo esportivo dotado de 2.200 painéis solares que garantem sua auto-suficiência.

Centro esportivo de Wageningen, foto: divulgação

Wageningen reúne em média 8.000 ciclistas na hora do rush e já vêm recebendo reclamações dos motoristas de carro. “Quanto a esse tema, iremos melhorar o sistema de trânsito para as bicicletas e não para os carros. Se você ama a vida da grande cidade, Wageningen não é para você”, completa Hooesfloot.

Do outro lado, Hilmar Lojewski, planejador urbano de Berlim, uma das grandes metrópoles europeias mostrou o panorama local. “Berlim é a oitava cidade mais verde entre as 30 cidades européias mais influentes, estamos diminuindo a emissão de gases poluentes, mas ainda não somos bons em combustíveis renováveis”, explicou. Em compensação, estão em andamento projetos de arquitetura sustentável, eficiência de energia, redução de carbono, e uma fábrica de biomassa, que já produz energia térmica para 50 mil habitantes. Berlim conseguiu também se tornar uma cidade amigável a bicicletas em apenas 10 anos.



Tags: ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.