Metrópoles trocam receitas para diminuir suas emissões

Juliana Tinoco
07.06.2011

Madrid com o céu tomado por uma mancha cinza-chumbo, foto: Sérgio Alcántara

Grandes cidades ocupam somente 2% da superfície da terra, mas são responsáveis por 80% das emissões de gases estufa, garantem cálculos apresentados durante evento do C40link , grupo de quarenta metrópoles reunidas para discutir soluções para o clima. Em encontro na semana passada em São Paulo, representantes das cidades falaram em metas e iniciativas para frear o aquecimento global.

Os planos soam ambiciosos. Copenhage, capital da Dinamarca, quer ser neutra em carbono até 2025. Sidney, Áustralia, reduzir em 70% suas emissões até 2030. Hong Kong (China) e Madrid (Espanha) pretendem diminuí-las ao menos pela metade, a primeira nos próximos 10 anos, a segunda em 40 anos. No Brasil, somente a cidade de São Paulo possui uma meta de redução anunciada: 30% até 2050.

Para chegar lá, as cidades precisam investir pesado em áreas como geração de eletricidade, aquecimento e transporte, diz Manish Bapna, vice-presidente da World Resources Institute (WRI)link. “Do total de gases estufa que emitimos, 65% vem do setor de energia, dominado pelos combustíveis fósseis. Renováveis representam 30% da produção mundial, a maior parte vinda de biomassa tradicional. As modernas, como solar, eólica e geotérmica, não somam nem 1%”, afirma Babpa.

Em algumas cidades, no entanto, este panorama já vem mudando. Em Copenhagen, cada saco de lixo equivale a três horas e meia de eletricidade para uma casa. O sistema de geração de energia por incineração de resíduos aquece 97% das residências da cidade e mais da metade do sistema de aquecimento urbano.

Madrid, para solucionar o drama das emissões nos transportes públicos, dá benefícios para quem compra veículos híbridos e elétricos. “Já são mais de 300 pontos de recarga de carros elétricos pela cidade e estamos expandindo”, diz Elisa Baharona, Diretora de Sustentabilidade da prefeitura de Madrid.

Em Sidney, o carro-chefe do plano de mitigação das emissões está em produzir energia por tri-geração: gás natural, biogás e sobras de calor desperdiçado nas usinas elétricas. “O desperdício das usinas chega a dois terços da energia”, comenta Allan Jones, do Departamento de Energia e Clima da prefeitura de Sidney.

As promessas de Santiago, no Chile, são de 60% mais áreas verdes urbanas nos próximos 10 anos e 100% das águas tratadas até ano que vem. Ciclovias também estão na agenda de muitas cidades. O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab pretende ampliar o horário de uso das ciclofaixas, áreas exclusivas para bicicletas demarcadas ao longo das ruas, que poderão em breve ser usadas em dias de semana.

No vídeo abaixo, representantes de grandes cidades na conferência C40 comentam as iniciativas das metrópoles em mitigação de gases estufa.
 


 



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