Índia: o complexo industrial Tata investe em energia limpa

Eduardo Pegurier
05.04.2011

Casa rural na Índia, próxima à Lohagad. foto: Abhijit Tembhekar

Um bilhão de indianos, a população do país, estão prosperando e querem consumir mais. Centenas de milhões ainda moram em vilarejos paupérrimos e não têm acesso nem mesmo a energia elétrica. Hoje, a maioria da energia nova do país é suja, baseada em combustíveis fósseis. O maior grupo privado do país é o Tata, com faturamento anual próximo a 70 bilhões de dólares, gerados por 114 empresas que operam em 80 países. O grupo Tata ganhou notoriedade internacional quando lançou o carro mais barato do mundo, o Tata Nano, de 2.200 dólares (cerca de R$3,5 mil). A Tata Energia, braço energético do conglomerado produz hoje 3.000 megawatts, dois terços de fontes fósseis como carvão, gás e óleo. Mas embora esse seja o caminho que vislumbra para expansão de capacidade nos próximos anos – a demanda da própria empresa deve aumentar para 25.000 megawatts –, se planeja para em 2025 dar uma guinada em direção à produção de energia limpa e descentralizada.

O caminho mais óbvio é construir hidroelétricas. A empresa diz que seus futuros projetos  no gênero tem o compromisso de não deslocar camponeses de terras cultiváveis. Mas suas ações mais atraentes estão em novas ou novíssimas tecnologias que ela pretende dominar, em alguns casos comprando empresas inovadoras onde for que elas estiverem. Aliás, dois terços das receitas do grupo Tata são geradas por suas subsidiárias no estrangeiro. Quando a conversa é sobre a Índia, para ganhar dinheiro, enfatiza a necessidade de adaptar qualquer que seja a tecnologia para prover serviços aos pobres, a maioria dos indianos, do jeito que eles querem e a um preço que possam pagar. Às vezes, gerar energia para uma antena de celular ou para iluminar uma vila rural e distante já é um enorme benefício para uma população acostumada a não ter quase nada.

É a ideia da base da pirâmide. Existem milhões de pessoas nessa faixa que são consumidores em potencial desde que você adapte as soluções às suas necessidades”, diz Avinash Patkar, o diretor de sustentabilidade da Tata Energia. Ainda não descobrimos o modelo que funciona (…), mas existe um mercado ali, lucros a serem obtidos, se conseguirmos inventar um sistema de geração de energia descentralizado”

Entre seus investimentos estão uma empresa australiana especializada em energia geotérmica, ou a Solar Reserve, americana com ideias ousadas em como concentrar energia solar. Segundo Patkar, a Tata também aposta e é imensamente otimista em relação à tecnologia de células fotovoltaicas produzidas em películas finas. Em Boston, nos EUA, adquiriu parte da Sun Catalytix, que nasceu dentro do MIT, e desenvolve um processo barato de separar o hidrogênio da água. Também investe em biocombustível. Uma ideia é incentivar cooperativas de agricultores na Índia a vender resíduos agrícolas para movimentar pequenas usinas de biomassa. Na mesma linha, quer produzir alimentos e biocombustível a partir de algas.

Parece que chegou a hora das multinacionais dos países emergentes. A Tata é um grupo poderoso que surgiu em um país associado à miséria. Tomara que ela trabalhe para reduzi-la e, melhor ainda, que cumpra as suas promessas de sustentabilidade.

 

Via Cnet News



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