Fritjof Capra defende cidades resilientes

Gabriela Machado
23.05.2011

Fritjof Capra e May East, foto: Gabriela Machado

Curitiba — A II Conferencia Internacional de Cidades Inovadoras, a CICI2011, debateu as necessidades dos centros urbanos de se tornarem mais flexíveis e resistentes a choques externos.  No modelo atual, eles têm necessidades vitais, como comida e energia, que são supridas por instâncias centralizadas e distantes do seu local de consumo.

As cidades ocupam 12% do território mundial e consomem em média, 75% dos recursos disponíveis”, diz May East, diretora do CIFAL FindHorn e coordenadora do programa Cidades em Transição. Ela e o físico Fritjof Capra tentaram mostrar o caminho para reduzir a vulnerabilidade das cidades e incentivar a participação dos seus habitantes na busca de soluções resilientes. Aqui, resiliência é entendida como a capacidade de um sistema continuar funcionando mesmo que o sistema maior em que está inserido entre em choque.

Eles elogiaram projetos como o que ocorre em Brasilândia (SP) – a primeira “favela em transição” do mundo — com o desenvolvimento de hortas, panificadora comunitárias e feiras de troca. “No estágio em que estamos iremos sustentar o quê?”, indaga May. “É necessário redesenhar o processo de um bairro ou cidade como sistemas vivos que se retroalimentam, para depois então sustentá-los”.

Ela ressalta a falta de infraestrutura de produção de alimentos dentro dos centros urbanos: “A comida de um americano viaja em média 550 km para chegar às mesas. Se você sobrevoa a cidade de São Paulo, vê pouquíssimas hortas urbanas e peri-urbanas. Para sobreviver, as cidades devem tornar-se ecossistemas completos”, afirma. Ela lembra a citação atribuída a Marx de que “a revolução está três refeições à frente”.  No limite, argumenta, as cidades são medidas pela sua capacidade de resistir a falhas nos sistemas externos de produção e transporte de comida que as suprem.

Sistemas melhor adaptados à vida

Pensador sistêmico e destaque da conferência, o físico austríaco Fritjof Capra defendeu a necessidade de organizações não-hierárquicas e mais diversas como modelos ideais para as sociedades  do que chamou de era pós combustível fóssil.

“A maioria das cidades modernas destroem habitats naturais e segregam sua população. È imperativo não separar uma cidade de acordo com religião ou classe social. A diversidade promove maior resiliência, pois os elementos distintos da rede executam funções diferentes, mas perfeitamente complementares.”

Capra também sugeriu novas maneiras de pensar os programas urbanos: “É importante que surjam projetos de pequena escala com diversidade, eficiência energética, não poluentes e orientados para a comunidade. Devemos gerar uma mudança de paradigma para que as cidades funcionem como organismos integrados e participativos.”



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Uma resposta para “Fritjof Capra defende cidades resilientes”

  1. duardo disse:

    Muito interessante, é um caminho para se resolver realidades que não se ajustam nos macro programas que na maioria das vezes, não contemplam "nichos locais" que são sempre ignorados pelos orçamentos governamentais.

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