Brasileiros criam bioplástico a partir de fibras de frutas

Luana Caires
13.04.2011

O abacaxi é uma das fontes mais promissoras de nanocelulose, foto: beautifulcataya

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram plásticos à base de fibras de abacaxi, banana e outras frutas. Além de serem biodegradáveis e produzidos com uma fonte completamente renovável, eles são 30% mais leves e de três a quatro vezes mais fortes que os comuns.

Por conta de suas propriedades, os bioplásticos poderão trazer grandes benefícios à área médica, com uso em próteses e pinos, e poderão até  substituir o Kevlar, material usado em coletes à prova de balas e apacetes militares. Mas, a princípio, deverão ser usados principalmente na indústria automobilística para a produção de painéis e para-choques. Ao optar por esse material, os fabricantes poderão diminuir o peso dos carros proporcionando, assim,  uma economia de combustível. Outra vantagem é que esses plásticos ainda têm maior resistência a danos causados pelo calor e por derramamento de líquidos, como a gasolina .

Para fazer o bioplástico, é necessário obter nanocelulose – sintetizada a partir do tratamento intensivo da celulose. Segundo o professor e engenheiro agrônomo Alcides Leão, que lidera projeto, o abacaxi é uma das fontes mais promissoras de nanocelulose, mas a banana, o coco e a agave também podem ser utilizadas. Os cientistas colocam folhas e caules das frutas ou plantas em um equipamento parecido com uma panela de pressão. O conteúdo da panela passa por vários ciclos de “cozimento”, até produzir um material fino, parecido com o talco. Com 450 gramas dessas nanoceluloses é possível produzir 45 quilos de plástico. De acordo com estimativas dos pesquisadores, esse material deve se popularizar em mais ou menos dois anos.

Em 2009, outro brasileiro, o professor de engenharia química Leonardo Simon, mostrou que era possível utilizar a palha do trigo para produzir peças de veículos e substituir materiais não renováveis  – como carbonato de cálcio, talco e mica. Transformada em um pó, a palha é misturada com polipropileno (plástico) e pode formar peças tanto para a parte interna quanto para a externa dos veículos. No ano passado, esse plástico já era utilizado em algumas peças do carro Ford Flex. A nanocelulose também poderia ser misturada ao plástico convencional para reforçá-lo, mas, se for usada dessa maneira, o resultado final deixa de ser um produto biodegradável.

 

Via: Terra



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6 respostas para “Brasileiros criam bioplástico a partir de fibras de frutas”

  1. É uma alternativa a mais para não depender do petróleo, e além disso seu uso sendo na área automobilística é formidável! Esperamos que não seja utilizado na composição do plástico comum, como descrito no final do texto. Valeu!!

  2. Eunice Lima disse:

    O bioplástico, em caráter de urgência, precisa substituir os utilizados na confecção das temíveis sacolas utilizadas em supermecardos, transformando-as em biodegradáveis. Nós brasileiros, lançamos este desafio aos cerebres cientistas do nosso país.

  3. Importante disse:

    Se a alternativa para produzir o plástico for o emprego da casca das frutas, acharei formidável, pensar em produzir o plástico para empregar na medicina, industria de autmomóveis e mesmo embalagem, por que não? Mas desde que seja o resíduo da fruta, as suas cascas. Imagine as indústria de alimentos que faz por exemplo conserva de abacaxi, muito importante será usar o resíduo, sua casca para outra finalidade. Quem sabe o lençol freático irá agradecer? Mas se for usada a fruta toda como matéria prima sou radicalmente contra. Moramos num país que há uma população que infelizmente vive à margem, sem emprego, sem carteira assinada, recebe a bolsa " miséria" em vez de trabalho, que seria o digno. Essa população passa fome, tem problema de desnutrição, não tem moradia, não tem saúde e nem educação. Não me agrada a idéia da monocultura, como tem sido , no momento os campos tem sido transformados em grandes canaviais e campos de soja transgênica…E as consequências são drásticas, no campo, doenças, pragas, e o solo também sofre com a monocultura.

  4. Márcio Willians disse:

    Parece muito bom, mas é preciso analisar ó quanto a produção da nanocelulose seria agressiva à natureza para não trocar seis por meia dúzia.

  5. FernandoCaaba disse:

    Essa evolução tecnológica é de fato formidável. Entretando não adianta só a ciência evoluir e as pessoas continuarem com comportamentos arcaicos. Esse "plástico" só vai passar a ser utilizado se ouver uma diminuição no uso do plástico convencional, caso contrário as fábricas atuais vão "dar de ombros" a essa inovação. Portanto vamos cooperar e diminuir o uso do plástico comum.

  6. Tarcísio disse:

    É uma sem dúvida uma opção a mais a ser considerada. Parabéns aos cientistas brasileiros. Mas fico pensando nos biocombustíveis que já desmatam e tomam espaço de culturas alimentícias para alimentar automóveis e outros tipos de máquinas. E agora temos que ter o cuidado para que o nossos alimentos não virem automóveis e que tudo isso não vire um tremendo abacaxi, aumentando ainda mais o desmatamento. Vale lembrar a descabida proposta de mudança do Código Florestal Brasileiro, encampada pela bancada ruralista, que defende a diminuição das áreas de preservação e anistia crimes ambientais.

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