Celso Calheiros
01.04.2011
Em um país banhado por extenso litoral e costurado por rios, a falta de água ganha um significado dramático no semiárido nordestino. A média pluviométrica na região é de 750 mm anuais, menos da metade da média de Recife, com 1.800 mm. O período de chuvas se concentra nos primeiros meses do ano e, com frequência, não soma 20 dias. Para prover o consumo no resto do ano, surgiu uma ideia engenhosa e barata: a cisterna abastecida pela água da chuva. Durante a fase de abundância, ela pode acumular até 16 mil litros, quantidade suficiente para atender a uma família de cinco pessoas durante a época da estiagem. Cisternas instaladas principalmente em residências já beneficiam 1,6 milhão de pessoas e começam a ser difundidas nas escolas e postos de saúde.
O equipamento é simples e funcional. A instalação dispensa tubulação que não seja a doméstica. O reservatório propriamente dito fica parcialmente enterrado. Com isso, recebe menos sol e é resfriado pela terra ao seu redor, reduzindo a perda de água por evaporação. Para evitar a sujeira que se acumula no telhado, na base do cano que recebe a água da canaleta há uma garrafa PET fechada. Ela funciona como uma boia e bloqueia a primeira água. Em seguida, libera a passagem e apenas água limpa é armazenada.
As cisternas são construídas pela própria comunidade, com tecnologia repassada por uma rede de instituições assistenciais que atuam no semiárido. Fora o trabalho, o custo do material é de R$1,2 mil. Como até agora o projeto é um sucesso, planeja-se uma outra etapa: estimular os camponeses a construírem uma segunda cisterna destinada à criação de peixes e a matar a sede dos animais.
Outra ideia que se desdobrou do êxito inicial é usar variações dessas cisternas em áreas densamente habitadas, como São Paulo. Nesse caso, seu maior potencial seria evitar inundações.
Abaixo, casa de família de agricultores em Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeu pernambucano. A região é um exemplo agradável do semiárido, pois a paisagem é mais verde do que a que se encontra no sertão profundo.
Tags: água, construção sustentável




A VOZ DA CAATINGA AGRADECE E RECONHECE QUANDO ALGUÉM FAZ UM TRABALHO COM AMOR E A VERDADE PARABÉNS
Fantástico esse projeto. Pesquisei a respeito para um trabalho. O projeto de cisternas tem grande contribuição da ONG ASA – Aticulação do Semi Árido, que inclusive enfrenta algumas resistencias por parte de poderosos que usam a falta d'água como forma de dominação política. Isso veio como contribuição a um projeto pessoal de caixa coletora de águas pluviais. Adorei a matéria.
Rogério, Obrigado pela parte que toca ao ((o))ecocidades. Agradecemos também sua visita.
Muito bom divulgarem aqui esse projeto, melhor ainda é saber que existe uma solução viável para manter os nordestinos em sua amada amada terra, são bravos brsileiros, que sempre lutaram com dignidade para manter suas raízes. Que esse projeto se expanda pelas regiões sêcas e mate a sede de vida e de prosperidade dessa gente admirável. Ah, e que nenhum poderoso sem escrúpulos se apodere do projeto para estragar tudo.
Bom dia! Estou tentando falar via e-mail com Celso Calheiros (Recife) mas não estou conseguindo. É possível me ajudar? Desde já agradeço a colaboração.
Meu e-mail é: celson.ls01@uol.com.br
Celso Luiz